Connect with us

Negócios

As lições de tênis (e de vida) de Roger Federer

Prublicadas

sobre

As lições de tênis (e de vida) de Roger Federer
Tempo de Leitura:10 Minuto, 44 Segundo


Um dos maiores tenistas do planeta, o suíço Roger Federer definiu como “lições do tênis” seu discurso para os formandos de 2024 do Dartmouth College, em New Hampshire, nos Estados Unidos. Mas ele está errado — ou foi modesto demais.

Os 25 minutos do pronunciamento, naquela manhã chuvosa de domingo, 9 de junho, são uma aula de vida (o NeoFeed escolheu três lições no vídeo com legendas que está abaixo).

Longe dos torneios oficiais desde setembro 2022, aos 42 anos, o ex-atleta compartilhou a filosofia que o levou a sagrar-se oito vezes campeão de Wimbledon, ao terceiro lugar no ranking dos maiores vencedores de Grand Slam da história e ser um dos “big three” do tênis global, ao lado do amigo Rafael Nadal e de Novak Djokovic.

Um cartilha para dentro das quadras, claro, mas, sobretudo, fora delas, que pode ser acompanhada no documentário Federer: Doze Últimos Dias, com estreia prevista para o próximo dia 20, no Prime Video, a plataforma de streaming da Amazon.

Com bom-humor, graça e generosidade, diante de 11 mil pessoas (mais 7,7 mil via satélite), Federer garantiu que não existe conquista sem esforço — derrubando o mito de que “ganhava sem suar”,  o que sempre o frustrou muito.

Defendeu que a perfeição não existe — ele venceu 80% das 1.526 partidas jogadas, mesmo assim conquistou apenas 54% dos pontos disputados.

E, por fim, mostrou que o seu mundo sempre foi além das quadras.

Que as viagens, a cultura, as amizades e a família são infinitamente mais gratificantes do que a vitória de qualquer partida.

Sendo o tênis um esporte mental, Federer falou sobre foco e determinação, os ensinamentos trazidos pelas derrotas e a importância de se correr riscos, experimentar e se divertir.

Colocou-se lado a lado dos formandos e se disse também em um momento de transição. Os jovens, pelo fim da graduação, e ele, pela aposentadoria — palavra da qual, aliás, Federer não gosta.

Elogiado por sua elegância e gentileza, dentro e fora de quadra, o ex-tenista não foi a New Hampshire apenas para discursar. A universidade lhe concedeu o título de doutor em humanidades, por seu trabalho filantrópico. Em 2003, aos 22 anos, ele lançou a Roger Federer Foundation.

Criada na África do Sul, país natal de Lynette, mãe do esportista, a organização capacita crianças por meio da educação. Presente em seis países africanos e na Suíça, ao longo das últimas duas décadas, a entidade já atendeu quase 3 milhões de meninas e meninos e ajudou a formar 55 mil professores.

“Doutor’ Roger… De todas as minhas vitórias, essa deve ser a mais inesperada”, brincou ele, arrancando risos da plateia.

O NeoFeed selecionou os trechos mais importantes do discurso de Federer, como mostra a seguir:

Fora da zona de conforto

Só vim aqui para fazer um discurso, mas posso voltar para casa como “doutor” Roger. Esse é um bônus muito bom. “Doutor Roger’”… De todas as minhas vitórias, essa deve ser a mais inesperada.

Estou um pouco fora da minha zona de conforto hoje. Essa não é minha cena habitual e estas não são minhas roupas habituais. O manto é difícil de vestir.

Lembrem-se de que tenho usado shorts quase todos os dias, nos últimos 35 anos.

Aposentado, não. Graduado

Eu deixei a escola aos 16 anos para jogar tênis em tempo integral. Então, nunca fui para a faculdade, mas me formei recentemente. Me formei em tênis.

Eu sei que a palavra é “aposentar”: “Roger Federer se aposentou do tênis’” Aposentado… a palavra é horrível.

Vocês não diriam que se aposentaram da faculdade, certo? Parece terrível.

Assim como vocês, terminei uma grande tarefa e estou passando para a próxima. Assim como vocês, estou descobrindo o que é isso.

O título de “doutor em humanidades” foi concedido pelo Dartmouth College, pelo trabalho do ex-tenista à frente da Roger Federer Foundation, que, nos últimos 20 anos, atendeu cerca de 3 milhões de crianças na Suíça e em seis países africanos, como em Lesoto, na imagem (Reprodução Instagram @rogerfederer)

“A verdade é que tive de trabalhar muito para que tudo parecesse fácil. Passei anos choramingando, xingando, jogando minha raquete, antes de aprender a manter a calma”, disse Federer, contra a tese de que ele “vencia sem suar” (Reprodução Instagram @rogerfedererfansforever)

“Formandos, sinto sua dor. As pessoas me perguntam: ‘Agora que você não é tenista profissional, o que você faz?’ Eu não sei— e não há problema em não saber”, afirmou ele. Na imagem, os amigos Federer e Nadal choram, durante a cerimônia na qual o suíço anunciou o afastamento das competições oficiais, em setembro de 2022 (Crédito: Reprodução @lavercup.com)

“Para mim, uma das maiores derrotas foi a final de Wimbledon, em 2008. Eu versus Nadal. Alguns consideram-no o melhor jogo de todos os tempos. Perder em Wimbledon foi muito importante, porque vencer em Wimbledon é tudo”, contou Federer (Reprodução wimbledon.com)

Junto com Rafael Nadal (no centro) e Novak Djokovic (à direita), Federer formou o “big three” do tênis global (Reprodução Instagram @barstoolgambring)

“Uma família é uma equipe. Sinto-me muito sortudo por minha incrível esposa Mirka e nossos quatro filhos incríveis, Myla, Charlene, Leo e Lenny”, elogiou o suíço (Reprodução Instagram @rogerfeder)

“Aprendi essa forma de pensar com os melhores… meus pais. Eles sempre me apoiaram, sempre me incentivaram e sempre entenderam o que eu mais queria e precisava ser”, afirmou Federer, que aparece na imagem com a mãe Lynette e o pai Robert (Reprodução Instagram @rogerfederer)

Formandos, sinto sua dor. As pessoas me perguntam: “Agora que você não é tenista profissional, o que você faz?” Eu não sei— e não há problema em não saber.

Então, o que eu faço com meu tempo? Primeiro sou pai, então acho que levo meus filhos para a escola. Jogo xadrez online contra estranhos. Passo aspirador na casa. Estou adorando a vida de um graduado em tênis.

Eu me formei em 2022 e vocês, em 2024, portanto, tenho uma vantagem para responder à pergunta sobre o que vem a seguir. Hoje, quero compartilhar algumas lições nas quais confiei durante essa transição.

Espero que sejam úteis para vocês, para além de Dartmouth.

O mito do “sem esforço”

“Sem esforço” é um mito. Digo isso como alguém que já ouviu muito essa expressão.

As pessoas diziam que meu jogo era fácil. Na maioria das vezes, elas estavam me elogiando. Mas costumava me frustrar quando comentavam: “Ele quase não suou!” ou “Ele está mesmo tentando?”

A verdade é que tive de trabalhar muito para que tudo parecesse fácil. Passei anos choramingando, xingando, jogando minha raquete, antes de aprender a manter a calma.

Ganhei essa reputação porque meus aquecimentos nos torneios eram tão casuais que as pessoas não achavam que eu estava treinando duro. Mas eu estava trabalhando duro — antes do torneio, quando ninguém estava olhando.

Espero que, como eu, vocês tenham aprendido que “sem esforço” é um mito. Não cheguei aonde cheguei apenas com talento. Cheguei lá tentando superar meus adversários.

Eu acreditei em mim mesmo. Mas a crença em si mesmo tem de ser conquistada.

O prazer das vitórias mais difíceis

Houve um momento em 2003 em que minha autoconfiança realmente entrou em ação. Foi no ATP Finals, onde apenas os oito melhores jogadores se classificaram.

Derrotei alguns dos melhores tenistas focando em seus pontos fortes. Antes eu fugia dos pontos fortes deles. Se um cara tivesse um forehand forte, eu tentaria acertar o backhand dele.

Mas agora, eu tentaria ir atrás do forehand dele. Tentei vencer os atacantes atacando.

Eu me arrisquei fazendo isso. Então por que eu fiz isso?

Para amplificar meu jogo e expandir minhas opções. Você precisa de todo um arsenal de forças, para que. então, se uma delas falhar, você ainda ter alguma coisa. A verdade é que tive de trabalhar muito para que tudo parecesse fácil.

Quando o seu jogo está funcionando assim, vencer é relativamente fácil.

Mas, há dias em que você simplesmente se sente quebrado. Suas costas doem, seu joelho dói… talvez você esteja um pouco doente… ou com medo. Mas você ainda encontra uma maneira de vencer.

E essas são as vitórias das quais mais podemos nos orgulhar. Porque provam que você pode vencer não apenas quando está no seu melhor, mas especialmente quando não está.

Disciplina como talento

Sim, o talento é importante. Não vou dizer que não. Mas talento tem uma definição ampla. Na maioria das vezes, não se trata de uma dádiva. É uma questão de ter coragem.

No tênis, um ótimo forehand com uma velocidade incrível na cabeça da raquete pode ser chamado de talento.

Mas no tênis, como na vida, a disciplina também é um talento. E a paciência também. Confiar em si mesmo é um talento. Abraçar o processo, amar o processo, é um talento.

A pior derrota

Você pode trabalhar mais do que imaginou ser possível e ainda assim perder.

O tênis é brutal. Não há como negar o fato de que todos os torneios terminam da mesma maneira: um jogador ganha um troféu. Todos os outros jogadores voltam para o avião, olham pela janela e pensam: “Como diabos eu perdi?”

Imagine se, hoje, apenas um de vocês tivesse um diploma. Parabéns, formando de 2024! Ao resto de vocês, os outros mil, mais sorte para vocês da próxima vez!

Para mim, uma das maiores derrotas foi a final de Wimbledon, em 2008. Eu versus Nadal. Alguns consideram-no o melhor jogo de todos os tempos. OK, todo respeito a Rafa, mas acho que teria sido muito melhor se eu tivesse vencido.

Perder em Wimbledon foi muito importante, porque vencer em Wimbledon é tudo.

Perdi Wimbledon. Perdi minha classificação número um. Mas eu sabia o que tinha de fazer: continuar trabalhando, continuar competindo.

Os 54% de pontos

No tênis, a perfeição é impossível. Nas 1.526 partidas de simples que disputei em minha carreira, ganhei quase 80% delas.

Agora, tenho uma pergunta para todos vocês: ‘Qual a porcentagem de pontos que vocês acham que eu ganhei nessas partidas? Apenas 54%.

Em outras palavras, mesmo os tenistas mais bem classificados ganham pouco mais da metade dos pontos que jogam.

Quando você está jogando, um ponto é a coisa mais importante do mundo. Essa mentalidade é realmente crucial, porque libera você para se comprometer totalmente com o próximo ponto e o próximo depois disso, com intensidade, clareza e foco. Os melhores do mundo não são os melhores porque ganham todos os pontos.

A verdade é que, seja qual for o jogo que você jogue na vida, às vezes você vai perder. Um ponto, uma partida, uma temporada, um trabalho… é uma montanha russa, com muitos altos e baixos.

Os melhores do mundo não são os melhores porque ganham todos os pontos. É porque sabem que vão perder uma vez ou outra e aprenderam a lidar com isso. Você aceita isso.

Chore se precisar, mas depois force um sorriso. Siga em frente. Seja implacável. Adapte-se e cresça. Trabalhe mais. Trabalhe de maneira mais inteligente.

Muito além das quadras

Uma quadra de tênis é um espaço pequeno. 2.106 pés quadrados [196 m², aproximadamente], para ser exato. Trabalhei muito, aprendi muito e corri muitos quilômetros naquele pequeno espaço.

Mas o mundo é muito maior que isso. Mesmo quando eu estava começando, eu sabia que o tênis poderia me mostrar o mundo, mas o tênis nunca poderia ser o mundo

Eu sabia que, se tivesse sorte, talvez pudesse jogar competitivamente até os 30 ano, talvez até 41. Mas mesmo quando estava entre os cinco primeiros, era importante para mim ter uma vida.

Uma vida gratificante, cheia de viagens, cultura, amizades e principalmente família. Nunca abandonei as minhas raízes, e nunca esqueci de onde vim. Mas também nunca perdi o apetite de ver esse mundo tão grande. O tênis nunca poderia ser o mundo.

Minhas experiências fora das quadras são as que levo adiante. Os lugares que pude conhecer, a plataforma que me permite retribuir e, acima de tudo, as pessoas que conheci ao longo do caminho.

O tênis, como a vida, é um esporte coletivo. Sim, você está sozinho do seu lado da rede. Mas o seu sucesso depende da sua equipe. Seus treinadores, seus companheiros de equipe, até mesmo seus rivais. Todas essas influências ajudam a fazer de você quem você é.

Uma família é uma equipe.

Graduandos, sei que o mesmo se aplica a vocês. Ao sair para o mundo, não se esqueçam: vocês podem trazer tudo isso com vocês. Essa cultura, essa energia, essas pessoas, esse verde [a cor da universidade].

De um graduando para outros

Estou aqui para lhes dizer que deixar um mundo familiar para trás e encontrar novos é incrivelmente profundo e maravilhosamente excitante.

De um graduando para outro, seja qual for o jogo que você escolher, dê o seu melhor. Experimente tudo.

E acima de tudo, sejam gentis uns com os outros. Divirtam-se.





Fonte: Neofeed

Negócios

Os “botecos” onde vinho toma o lugar da cerveja no happy hour

Prublicadas

sobre

Os
Tempo de Leitura:5 Minuto, 11 Segundo


Destinados a quem sabe muito ou a quem não conhece absolutamente nada, os bares de vinho são a nova onda da noite paulistana. De um mês para cá, só na rua dos Pinheiros, na zona oeste, foram inaugurados dois: o Saída de Emergência e o Vinho no Boteco. E um terceiro está prometido para outubro.

O primeiro tem uma seleção criteriosa com várias faixas de preço. O segundo aposta na democratização do consumo e, como diz o nome, atrai quem quer pagar por uma taça de vinho o preço de um chopp. Quem é do ramo estima que existem aproximadamente 20 bares de vinho na capital paulista.

Sem contar, é claro, aqueles instalados dentro das importadoras — mais antigos, se restringem aos rótulos trazidos pelas empresas. Aí cada uma tem o seu ou os seus, em diferentes lugares da cidade, visando a públicos distintos. Os mais conhecidos são Mistral, Grand Cru, Evino, Decanter e Cellar. Há ainda os bares das próprias vinícolas brasileiras, caso da Salton, Campestre e outras.

As pioneiras nos bares de vinho independentes são as somellières Daniela Bravin e Cássia Campos. Em 2018, elas fundaram o Sede 261, numa rua estreita de Pinheiros, para vender vinhos em taça. O bar físico foi uma consequência do clube de vinhos por assinatura criado em 2015, depois de anos de experiência trabalhando para diversos restaurantes.

O espaço da Sede 261 é pequeno, com apenas dez lugares na parte interna. Em compensação, a clientela ocupa a calçada onde arma até 40 cadeiras de praia. Lá não há comida, mas liberdade para cada um pedir o delivery que quiser.

Não é raro ver uma mesa com um grupo comendo pizza e outra, ao lado, com cozinha japonesa. “Os deliveries melhoraram muito durante a pandemia”, diz Daniela, eleita diversas vezes a melhor sommelier do ano, em conversa com o NeoFeed.

O local é uma festa e Cássia atribui essa procura, entre outros motivos, ao aumento do consumo do vinho, que vem ocupando cada vez mais o espaço da cerveja nos encontros de happy hour.

Para a dupla, o que faz do Sede 261 um lugar tão especial é a rotatividade dos rótulos, que mudam a cada semana, quando são introduzidos ao menos 40 novos, e o fato de o lugar ter uma frequência transgeracional. “Aqui vem os avós, os pais, os filhos. Essa bagunça, essa mistureba, é o que dá calor para o bar”, afirma Daniela.

Vinhos de baixa intervenção

Para não entrar na disputa de um mercado já segmentado, o advogado Renan Scapim, de 35 anos, e o administrador de empresas Raphael Lucente, 34 anos, escolheram um recorte próprio: o primeiro bar de vinhos de baixa intervenção da região dos Jardins.

Assim nasceu o Baco Dvino, no fim do ano passado, com mesas na calçada e proposta informal, como devem ser os empreendimentos do tipo. Estreantes no ramo, os dois resolveram fazer alguns cursos antes de abrir. Renan na Le Cordon Bleu e Raphael, no Senac.

Com o Sede 261, inaugurado em 2018, as somellières Daniela Bravin e Cássia Campos foram as pioneiras (Crédito: Divulgação)

O bar de vinho Saída de Emergência oferece garrafas a partir de R$ 80 e taça cujo preço começa em R$ 20. Na faixa acima de R$ 800 há entre 30 e 40 opções (Crédito: Divulgação)

“Fico feliz ao ver que há uma mesa com taças de espumante a R$ 40 e outras, ao lado, consumindo vinhos caros”, diz o restaurateur Guilherme Mora, dono do bar Saída de Emergência (Crédito: Divulgação)

A ideia da dupla de focar em vinhos biodinâmicos, orgânicos e naturais surgiu de uma viagem a Napa Valley, na Califórnia. “Somos outsiders, mas nos preparamos. Visitamos quase todos os bares de vinho de São Paulo, olhando as taças, os guardanapos, as louças”, conta Renan.

O Baco Dvino tem um ambiente aconchegante e despojado e no final há um lounge com sofá e tapete. “Quero que as pessoas se sintam como se estivem na sala de casa”, diz o empresário.

O investimento total foi de R$350 mil. A carta tem 56 rótulos entre R$ 27 (um malbec argentino) e R$ 195 (um tinto da região do vulcão Etna, na Sicília) e brancos a partir de R$ 33 (um chardonnay da Patagônia). Há comidinhas, bruschettas e pizzas com massa de fermentação natural.

Consumo democratizado

Apesar de também ser um apaixonado por vinhos naturais, o restaurateur Guilherme Mora colocou rótulos variados no Saída de Emergência. Proprietário de restaurantes especializados em carne como Osso, Cór e Incêndio, que possuem boas cartas de vinho, ele decidiu se lançar num novo voo.

“De todos os meus projetos, este é o mais pessoal. Aqui estou atrás do balcão, o sommelier entre aspas sou eu” diz Mora. “Na verdade, sou um bêbado profissional”, completa, rindo.

O Saída de Emergência ocupa um espaço que estava subaproveitado no primeiro andar do restaurante Incêndio. A expertise na gastronomia e o contato com as importadoras facilitaram tudo.

Agora, Guilherme vai começar a fazer algumas importações diretas, apenas de vinhos de alta gama, para os quais vai oferecer um preço muito mais convidativo do que o praticado pelo mercado, mas para rótulos que só podem ser consumidos ali.

“Em apenas quatro semanas de funcionamento já tenho gente indo para tomar vinhos raros a partir de R$ 1,2 mil. Consigo vender por R$ 1,6 mil a garrafa que no mercado custa R$ 5 mil”, conta.

Os outros vinhos, que não fazem parte desse pacote, podem ser levados para casa com um desconto de 15%. O Saída de Emergência tem garrafas a partir de R$ 80 e taças cujo preço começa em R$ 20. Na faixa acima de R$ 800 há entre 30 e 40 opções.

A proposta do Saída de Emergência é atrair público de várias faixas de renda. “Fico feliz ao ver que há uma mesa com taças de espumante a R$ 40 e outras, ao lado, consumindo vinhos caros”, afirma Mora.

A democratização do consumo, sem dúvida, é o que está levando cada vez mais gente aos bares de vinho e como consequência a um maior conhecimento sobre a bebida. Mas, apesar das boas intenções, vinho exige um atendimento profissional. Descomplicar requer alguma competência.





Fonte: Neofeed

Continue Lendo

Negócios

Gustavo Diógenes, o “Hopper do sertão”

Prublicadas

sobre

Gustavo Diógenes, o
Tempo de Leitura:5 Minuto, 51 Segundo


Na noite escura, ninguém na rua, apenas uma moto estacionada. Uma luz, que deve vir de um poste fora da cena, ilumina o veículo e projeta uma sombra comprida. Ao fundo, a igreja de fachada branca e simples brilha iluminada. Essa cena está retratada na tela Ronda Noturna, assinada por Gustavo Diógenes.

A obra está entre as 11 telas apresentadas pela galeria Leonardo Leal na terceira edição da ArPa, a feira de arte contemporânea realizada em junho, na capital paulista. Nove delas e mais duas que estavam guardadas foram vendidas em apenas cinco dias de evento.

Diógenes dividia o estande com o artista Thadeu Dias, ambos cearenses. E a mostra foi batizada  Chiaroscuro sob o sol. “Eu quis trazer para a feira algo que está fora do que está sendo visto”, conta o galerista Leonardo, em conversa com o NeoFeed. Era como o yin e o yang.

As obras de Dias representavam o mar, as praias, a luz do sol a pino, enquanto as de Diógenes traziam o oposto: a rota rumo ao sertão. A solidão e os ambientes vazios, como ruas, bares e postos de gasolina, são temas constantes na pintura desse artista de 40 anos.

O trabalho de Diógenes traz imediatamente à lembrança o americano Edward Hopper (1882-1967). “Gosto do trabalho dele, do enquadramento, de como ele usa a perspectiva, a noção de planos”, diz, em entrevista ao NeoFeed. “Acho que a comparação com o meu trabalho tem mais a ver com a sensação de isolamento. É ótimo ser comparado com um grande artista.”

Na obra de Hopper, o predomínio é da luz diurna e a pintura, muito cuidadosa, lisa, em que a marca do pincel praticamente não aparece, destaca Diógenes.

Em seu trabalho, o desenho da pincelada fica um pouco mais evidente, o que não o impede de atingir a atmosfera metafísica do pintor americano. Diógenes adora road movies brasileiros, como O Céu de Suely, de Karim Aïmouz, e Viajo porque preciso, volto porque te amo, de Aïmouz e Marcelo Gomes. Essas são suas verdadeiras referências estéticas, que trazem também um quê de lembrança afetiva.

As viagens de carro com a família, pelo interior do estado, estão vívidas em suas memórias. Além de Fortaleza, onde mora atualmente, devido ao trabalho do pai na Companhia Energética do Ceará, na infância, o artista viveu em cidades como Limoeiro do Norte e Quixadá, a cerca de 200 e 170 quilômetros da capital Fortaleza, respectivamente.

Os bares de beira de estrada

O gosto pela estrada, contudo, prevaleceu na vida adulta. Para abastecer seu repertório de imagens, Diógenes gosta de se lançar na estrada, sem muito destino certo, de ônibus ou de carro.

“O sertão cearense eu conheço bem”, afirma. “Durante essas viagens, surgem ideias, e eu saio fotografando tudo o que me interessa.”

O que lhe chama atenção são rodoviárias, bares de beira de estrada com cadeiras de plástico, postes iluminando ruas escuras, bois perdidos no meio de uma rodovia e motos estacionadas em locais desertos.

“Tenho muito apreço por esses ambientes populares. Quando vejo um bar meio inóspito na beira da estrada, sempre paro para tomar uma cerveja ou uma cachaça”, conta. “Esses locais me enchem de uma energia que eu não sei explicar exatamente. São lugares que me atraem de uma forma que não consigo definir.”

Diógenes leva a energia desses espaços para suas telas. A partir da memória ou da fotografia, ele usa suas habilidades como ex-diretor de arte no mercado publicitário para dar cor e um pouco mais de tensão e mistério a esses cenários.

“Tenho muito apreço por esses ambientes populares. Quando vejo um bar meio inóspito na beira da estrada, sempre paro para tomar uma cerveja ou uma cachaça”, conta Diógenes (Crédito: Flavia Almeida)

Para o pintor cearense, a comparação de sua obra com a do americano Edward Hopper vem sobretudo da “sensação de isolamento”, que o estilo de ambos transmite. Na imagem a tela “Nigthhawks”, pintada pelo americano em 1942 (Crédito: Reprodução artic.edu)

Diferente das telas de Hopper, nas pinturas de Diógenes, as pinceladas são evidentes — tela “Anoitecer na matriz” (Crédito: Divulgação)

As viagens de carro com a família, pelo interior do Ceará, estão vívidas nas lembranças de Diógenes — tela “Paisagem noturna em São Gonçalo do Amarante ” (Crédito: Divulgação)

Diógenes chegou a trabalhar em agência de publicidade, mas a arte era seu destino — obra “Sem título”, da ´serie “Fogo fátuo” (Crédito: Divulgação)

Um dos “road movies” brasileiros que inspiram Diógenes é “Viajo porque preciso, volto porque te amo”, de Karim Aïmouz e Marcelo Gomes (Crédito: Reprodução themoviedb.org)

Sua vida como artista em tempo integral é relativamente recente. Até cerca de dois anos atrás, dividia a carreira em agência com o desejo de se dedicar apenas à arte.

Criativo e com talento para desenho, foi aconselhado pelo pai a cursar publicidade. Logo na faculdade, porém, descobriu que não era aquilo que queria para sua vida. Diógenes era colega da filha do pintor Cláudio César e, quando visitou a casa da amiga, não teve dúvidas: a pintura era seu destino.

“Eu me apaixonei pelo estilo de vida mesmo. Aquela casa cheia de esculturas, cerâmicas, pinturas, tintas, pincéis… Foi algo que me absorveu”, diz. Aproveitou o encontro com o artista e perguntou o que poderia fazer para se tornar um. César recomendou que buscasse uma técnica para se dedicar.

A ausência que indica presença

Diógenes procurou um professor de pintura que lhe deu as primeiras aulas. Como bom discípulo, estudou os grandes mestres. Entre seus escolhidos estavam os barrocos italianos Caravaggio (1573-1610) e Tintoretto (1518-1594).

Ele lembra de não se preocupar muito com o autor, mas sim com o tema e com a forma. “Eu realmente gostava muito de evoluir como pintor, e fiquei durante uma época meio aprisionado, com uma ideia fixa de buscar um formalismo técnico”, lembra.

Estudar gravura foi o caminho encontrado para se soltar e treinar outras habilidades. “A gravura mostrou que dá para trabalhar a imagem com manchas de cor e outros traços interessantes”, ressalta. Diógenes também foi estudar artes no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), onde está concluindo neste ano a licenciatura.

Até começar o curso no IFCE, Diógenes se dizia um “pintor aprisionado”. “Eu executava muito bem uma pintura, mas era só aquilo. Não havia mais nada para apreciar, não havia sentido poético”, diz.

Ao estudar história da arte e arte contemporânea, Diógenes entendeu que sua pintura também poderia refletir um pensamento, uma estética própria e seu olhar sobre o mundo.

As pinturas dos lugares que fazem parte da rotina surgiram então em suas telas, como um bar que frequenta desde muito jovem.

Na imagem, o ambiente aparece sem as pessoas que costumam se encontrar lá. Há apenas uma cadeira na calçada, como se estivesse à espera de alguém. A pintura, de 2019, chama-se Duas doses de saudade.

“Foi quando eu entendi que a ausência também indica uma presença”, reflete. “Quando há mistério, vemos mais coisas do que se colocarmos uma figura humana.”





Fonte: Neofeed

Continue Lendo

Negócios

Depois de frustração com International Paper, Suzano adquire fábricas nos EUA por US$ 110 milhões

Prublicadas

sobre

Depois de frustração com International Paper, Suzano adquire fábricas nos EUA por US$ 110 milhões
Tempo de Leitura:3 Minuto, 8 Segundo


Apesar de ter desistido da aquisição da International Paper (IP) há quase duas semanas, a Suzano não diminuiu seu apetite por aquisições que possam internacionalizar suas operações.

Nesta sexta-feira, 12 de julho, a maior produtora mundial de celulose de eucalipto anunciou que fechou um acordo com a Pactiv Evergreen para aquisição dos ativos que compõem de fábricas integradas de fabricação de papelcartão voltado para embalagens, nos Estados Unidos, por US$ 110 milhões.

Segundo a Suzano, o valor será pago em dinheiro, à vista, no fechamento da operação, sujeito a ajustes de preços e ao cumprimento de condições precedentes, previstas para ocorrerem até o fim deste ano.

Localizadas nas cidades de Pine Bluff, no estado de Arkansas, e Waynesville, na Carolina do Norte, as fábricas possuem capacidade total integrada de produzir aproximadamente 420 mil toneladas por ano de papelcartão.

A operação prevê ainda que a Suzano e a Pactiv vão fechar acordos de serviços de transição, na qual a Pactiv prestará serviços para a Suzano nos ativos adquiridos, e de fornecimento de longo prazo, com a Suzano fornecendo para a Pactiv os produtos produzidos em Pine Bluff e consumidos pela Pactiv.

A aquisição marca a entrada da Suzano no mercado americano de embalagens para consumo e food service, com as fábricas produzindo papelcartão revestido e não revestido, utilizados na produção de embalagens de líquidos e copos de papel.

A Suzano é a maior fornecedora de celulose de fibra curta da América do Norte, possui escritório em Fort Lauderdale, na Flórida, e um centro de tecnologia próximo a Vancouver, no Canadá.

“Estamos ingressando no mercado da América do Norte como um produtor competitivo de papelcartão, com ativos em localização geográfica privilegiada do ponto de vista operacional e logístico, que abre inclusive novas oportunidades para crescimento”, afirma, em nota, o vice-presidente executivo de papel e embalagens da Suzano, Fabio Almeida.

A operação representa mais um passo no projeto de internacionalização da Suzano e diversificação das atividades. Em junho, a companhia anunciou a aquisição de 15% da austríaca Lenzing, empresa global especializada na produção de fibras de celulose à base de madeira.

Em evento com jornalistas no começo do ano, o ex-CEO da Suzano, Walter Schalka, disse que a internacionalização seria o próximo passo depois da conclusão do Projeto Cerrado, foco da companhia desde 2021.

Para isso, duas questões precedentes fundamentais precisam ser cumpridas. A primeira é que a companhia tem de ter diferenciação competitiva, não entrando em mercado em que não possa se destacar em termos operacionais e financeiros. A segunda é escala, com a Suzano não tendo interesse em investir para ter operações de pequeno porte.

Um dos principais movimentos desse processo, porém, acabou frustrado depois que a IP rejeitou uma oferta da brasileira. Segundo a agência de notícias Reuters, a proposta girava em torno de US$ 15 bilhões.

Caso seguisse adiante, a aquisição de poderia resultar em uma empresa de valor de mercado de quase US$ 44 bilhões, com um Ebitda entre US$ 7 bilhões e US$ 7,5 bilhões, segundo cálculos do Itaú BBA.

A proposta pela IP acabou sofrendo críticas de investidores, considerando o tamanho da operação, num momento em que a alavancagem financeira atingiu o limite estabelecido na política de investimentos para ciclos de investimentos – a relação entre a dívida líquida e o Ebitda em dólar alcançou 3,5 vezes nos primeiros três meses do ano.

Mas diante da irredutibilidade da IP, e para não descumprir com o compromisso assumido com a disciplina de capital, a Suzano acabou desistindo da aquisição.

As ações da Suzano fecharam o dia com queda de 1,15%, a R$ 52,40. No ano, elas acumulam queda de 5,8%, levando o valor de mercado a R$ 67,3 bilhões.



Fonte: Neofeed

Continue Lendo

Popular