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Caso Edanbank: o CEO fala sobre o imbróglio

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eduardo silva edanbank
Tempo de Leitura:15 Minuto, 15 Segundo


Na quarta-feira, 3 de julho, o NeoFeed publicou a história da M3 Securitizadora de Crédito, que abriu um processo contra o Edanbank para reaver um total de R$ 6,5 milhões.

No documento protocolado no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo na quinta-feira, 27 de junho, a empresa de médio porte que atua no Sudeste e no Nordeste do País afirma que foram feitas “supostas operações bancárias, levadas a cabo por meio de dissimulação de atividades supostamente bancárias. Ocorre que esses valores depositados pela M3 sob custódia do Edanbank não foram, até a presente data, investidos ou restituídos”.

Mais de 24 horas após a publicação da reportagem, o Edanbank encaminhou um posicionamento ao NeoFeed. E, agora, o CEO Eduardo Silva concedeu a entrevista que você lê a seguir.

No início da conversa, Silva explica que recebeu o pedido de entrevista do NeoFeed, mas estava em uma audiência no Fórum João Mendes, diante da juíza Camila de Moraes Bariani, para tentar recuperar uma garantia financeira que foi dada por Rayner Caio Andrade de Souza em uma operação de crédito que não foi paga.

Souza é o triângulo que liga a M3 ao Edanbank. Em 2022, em meio a um processo de captação com family and friends, Souza aportou R$ 10 milhões no Edanbank via Socofit, empresa da qual é sócio-administrador.

Com isso, a Socofit passou a deter 4,76% de ações do Edanbank. Com a operação, o Banking as a Service (BaaS) foi avaliado em cerca de R$ 200 milhões.

O advogado de Souza confirmou ao NeoFeed a compra da participação, mas diz que as ações adquiridas não foram entregues em sua totalidade (veja a íntegra do posicionamento após a entrevista).

Apesar de ser um sócio-investidor do negócio por meio da pessoa jurídica, Souza, acusa o CEO do Edanbank, vem causando prejuízos milionários. O Edanbank calcula um passivo de R$ 20 milhões deixado por seu sócio-investidor.

“Fizemos o processo de venda de ações para a Socofit, que se tornou acionista. Foi a hora que colocamos o pé na armadilha. A partir desse momento, nós demos para ele [Rayner] uma credencial para ele ir nos lugares e dizer: ‘olha, sou sócio do Edan’”, diz Silva.

Além do prejuízo financeiro ao Edanbank, há uma “conta aberta” com terceiros. Para atrair clientes, diz Silva, o sócio-investidor se apresentava como sócio-executivo, fazia a ponte para abertura de conta no Edanbank e colocava uma pessoa de sua confiança (que não era funcionária da fintech) para realizar a movimentação financeira.

As comunicações e assinaturas tinham a marca do Edanbank como garantia para as operações. Mas o que acontecia é que o dinheiro dos clientes da carteira de Souza eram transferidos para uma terceira empresa pertencente a ele, a G2N Telecomunicações. A partir daí, o dinheiro desaparecia. Segundo o Edanbank, eram quatro empresas.

“No decorrer dos próximos dias nós estamos entrando com um pedido de exclusão desse indivíduo da sociedade. Ele é maléfico para a corporação porque tem esse modus operandi”, diz o CEO.

A M3 é uma das quatro empresas que chegou ao Edanbank via Rayner Andrade de Souza, que colocou como “gerente” da conta sua secretária, Tereza Marigliani.

Nesta entrevista, Silva explica como o sócio-investidor foi apresentado ao Edanbank, o prejuízo que ele vem causando ao negócio, as atitudes que vem tomando e o que pensa sobre a M3, que abriu um processo contra eles e não contra o responsável pela transferência do dinheiro – que alega ter provas de que os sócios da securitizadora de crédito, Maicon e Mikael dos Santos Oliveira, deram autorização e acesso para Marigliani fazer as movimentações.

“Tanto a M3 como nós somos vítimas dele [Rayner]”, diz Antonio Pulchinelli Junior, vice-presidente comercial do Edanbank, que estava na sala de reunião onde foi realizada a entrevista com Silva.

Confira, a seguir, os principais trechos:

Como o Rayner Andrade de Souza chegou no Edanbank?
Ele frequenta um clube de charuto e um dos frequentadores é nosso amigo. Assim que nós montamos a operação, esse amigo falou assim: ‘olha, eu queria apresentar para vocês uma pessoa que diz que é do mercado financeiro, faz gestão de investimentos para famílias endinheiradas do Brasil e de fora. É representante da família Tata aqui no Brasil’. Isso remete a 2021. De vez em quando ele vinha tomar café, vinha fazendo algumas operações. A gente sempre achava ele muito cheio de história e a gente sempre refutando em fazer qualquer negócio. Tinha um histórico desse tipo de operação com o Rayner, mas até então nada que desabonasse.

Como ele fez a empresa dele ser acionista?
Em 2022, começamos a crescer e, obviamente, demanda investimento. A gente não consegue com o próprio bolso acompanhar uma empresa que cresce com os números que eu te falei. Já tínhamos feito uma captação de recursos em 2021 e faríamos outra em 2022 para reforçar o caixa da empresa para suportar esse crescimento. Era um bom motivo para buscar dinheiro no mercado. Fizemos um teaser para rodar para várias pessoas e esse indivíduo [Rayner] rapidamente se prontificou. Ele falou assim: ‘olha, eu conversei com o Raul Mehta, que é do grupo Tata.

Era verdade?
Eu vi que Raul Mehta é como José Silva, pode ser qualquer um. Mas, ok, batia o nome e havia uma empresa de sucesso na Inglaterra com produtos esportivos. Então, tudo fechava. E esse indivíduo viria com o recurso de lá para cá para fazer o investimento. Que ótimo, afinal, era um recurso de fora totalmente mapeável, de uma pessoa conhecida, referendada e apresentada por outra pessoa aqui dentro de casa. Vamos tocar.

Vocês cuidaram desse processo?
Seguindo a cartilha, não vamos nós tocar esse negócio, vamos colocar um profissional para negociar e tirar essa passionalidade. Chamamos um terceiro para tocar esse processo e fazer essa negociação toda. Num dado momento, a história mudou e ele [Rayner] fala assim: o recurso vai chegar na terça, vai chegar na quinta, vai chegar na sexta. E temos tudo aqui comprovando, nossas cobranças. Não mandou? Não, veio ordem errada. Falamos, cara, muita historinha, vamos fazer um distrato e seguimos a vida adiante? Não, peraí porque eu fiz uma operação de M&A. Ajudei um empresário a vender a empresa dele e tenho mais de R$ 10 milhões para receber. Ok, vamos esperar.

Por que desta vez o dinheiro existia?
Checamos o empresário que ele apresentou para ser cliente. O empresário, de fato, vendeu uma empresa por cerca de R$ 90 milhões e ele recebeu o recurso. Fizemos aqui uma carta TED, onde esse empresário assinou, que ele estava encaminhando os recursos para a conta da Socofit, que é a empresa do Rayner, no Edan para compra de ações do Edanbank. Ficamos tranquilos, conhecemos a origem do recurso, sabemos que se o empresário está transferindo para ele essa cifra, por mais que não tenha um contrato. Mas tem ali um acordo de bigode que está tudo escrito nessa carta TED, assinada pelo empresário, pelo Rayner.

O que aconteceu?
O recurso veio e fizemos o processo de venda de ações para a Socofit e não para o Rayner, que não é o sócio. Quem é sócio é a Socofit, que é essa empresa. Ele é o administrador da Socofit. Ele se tornou, a Socofit se tornou acionista. E aí foi a hora que colocamos o pé na armadilha.

Por que você chama de armadilha?
A partir desse momento, nós demos para ele uma credencial em que ele ia nos lugares e dizia: ‘olha, sou sócio do Edan’. Mas para uma S.A. aparece quem é sócio? Não aparece, se puxar o CNPJ está o nome dos administradores, não tem nome de Socofit, de Rayner. Então, seja lá quem foi que acreditou que ele fazia parte, que ele era um sócio com todo esse grau de influência, que ele dizia ter, que o Edan era dele, era um subterfúgio. E o Maicon [sócio da M3], aqui em reunião, disse para mim que ele fazia assim: ‘não adianta vocês ligarem lá que o Eduardo é meu arqui-inimigo e não vai confirmar’. Então ele contava uma historinha e ele já dizia para a outra ponta não ligar. E o meu telefone está disponível o tempo todo, se não atender eu retorno depois, porque é um dos princípios que temos.

Como a M3 chegou até o Edanbank?
O Rayner trouxe a M3 para dentro do Edan. Nós não sabemos quem era a M3, não conhecíamos. Trouxe a M3 dizendo assim: ‘tenho uma empresa, que eu assessoro, faço a gestão financeira deles, com a minha secretária. Eles trabalham fazendo um processo de cobrança para o BRB’. Fomos checar no Reclame Aqui quem são esses caras e, de fato, tem lá que fazem cobranças para o BRB. É uma empresa que existe, que presta serviço para o Banco Regional de Brasília, feito. A gente coloca ela aqui por ter uma atividade conhecida. E ele trouxe mais outros quatro ou cinco clientes, eu não me lembro.

Quando é que a coisa começou a se deteriorar com o Rayner?
Em outubro de 2022, ele tomou um crédito através de uma outra empresa que ele é administrador, chamada G2N. Ele precisava comprar um barco para uma atividade que ele tinha com um cliente. Ele tinha parte do capital e precisava de alguma coisa para finalizar. Fizemos uma rodada no mercado, as outras corporações não aprovaram, mas a gente tinha aqui um caixa, a garantia era boa, muito maior do que o valor. Falamos ok. Essa é uma operação que para rentabilizar o fundo nos interessa. E ele começou a perder capacidade financeira, porque talvez ele não estivesse conseguindo pedalar mais e enrolar as pessoas.

E depois disso?
No que ele começou a perder capacidade financeira, a gente entrou com processo. Primeiro uma cobrança amigável. Mas quando percebemos que isso não ia acontecer, a gente começou a cobrar legalmente este bem que está vinculado ao fundo que nós somos consultores, o Edanbank I, que estava na Reag e agora está na Planner. Vamos cobrar porque esse cara virou um devedor contumaz, não é possível. Começamos a cobrar amigavelmente em abril. Ele conseguiu dar umas pedaladas e a partir de maio não conseguiu mais. Ali começou a criar dúvida na relação.

Não houve tentativa de quitação?
Para quitar, ele disse que estava recebendo um recurso do exterior: ‘estou mandando um swift [abreviação de Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication, uma sequência de códigos com 11 caracteres para identificar instituições financeiras no mundo] de um recurso que vai para vocês’. Pegamos aquela informação e mandamos para uma corretora que é a parceira. Falamos, o cara vai receber esse swift e precisamos checar para ver se é verdade. Eles ligaram dando risada: isso aqui nem é número de swift, a quantidade é irregular, nem existe. Percebemos que o cara estava ali transformando documentos para poder empurrar cada vez mais. Na sequência disso tudo, o Maicon, da M3, me ligou: ‘queria conversar com você porque o Rayner desviou dinheiro da nossa empresa’. Eu já pensei: ‘pronto, a nossa desconfiança já começou a virar merda’.

Vocês receberam os sócios da M3?
Poucos dias depois recebemos aqui no escritório. E veio esse contexto: teve uma transferência, um desvio de recursos que vocês participaram. Falei que não tinha como a gente participar porque tecnologicamente é impossível que isso aconteça. Nós não fazemos programação, nós não temos tecnologia, está tudo absolutamente fora daqui. O que fazemos aqui é basicamente uma operação de monitoramento da transferência da tua conta para tua conta. E a partir da tua conta você faz o que quiser. Vamos levantar a informação, checar se teve falha e o que aconteceu.

O que aconteceu?
Enquanto estávamos tomando café, pedimos para que a nossa área de tesouraria levantasse junto do nosso parceiro de tecnologia, o que aconteceu. Puxar o extrato, que a gente não enxerga, e ver quem fez a movimentação, o código e o nome para identificar. Da conta para conta empresa ou pagamento quem fez foi o Maicon, e posso te falar o nome porque eu tenho a documentação aqui, e desta conta para outra, para fora, foi essa tal de Tereza, que é secretária do Rayner. O Maicon que deu autorização e cadastrou ela. Eu mostrei a foto para ele com o documento, que ele mesmo tirou, porque é assim que funciona. Se vocês quiserem o nosso apoio, se vocês quiserem detalhes, e eu não sei qual que é o tipo de relação comercial que vocês têm, mas se ela está fazendo movimentação e ela foi cadastrada com senha master dentro do sistema por um dos sócios da empresa, quem somos nós para questionar o que o sócio está fazendo?

A Teresa era a gerente das contas que o Rayner atendia?
Isso. E o que nós fizemos? A partir desse momento, nós levantamos todas as contas que tinham a Teresa lá como master, administradora ou seja lá o que for, e mandamos uma mensagem para cada um desses clientes perguntando qual era o relacionamento e por que a Tereza era a administradora dessas contas. Eram quatro empresas, além da G2N, que era do próprio Rayner, da Socofit e da M3. Essas três empresas não retornaram a mensagem e as outras todas disseram que não tinham nenhuma relação direta, que podíamos cancelar o acesso dela. E cancelamos. Agora, por que a M3 não respondeu essa correspondência até hoje? Eu não sei. A G2N e a Socofit eu sei porque não responderam.

Para cancelar a movimentação dela?
Nós cancelamos de qualquer maneira, não tem conversa. Assim como solicitamos o encerramento da conta da G2N também, mas da Socofit tinham todas as questões legais, se podíamos fazer ou não. E da M3 só não encerramos por uma determinação do nosso jurídico. Deixa essa conta aberta para podermos monitorar para ver se o modus operandi continua, se algum deles vai transferir eventualmente para alguma empresa do Rayner porque aí nós temos a comprovação de que eles eventualmente estão dissimulando para tentar entrar aqui.

E por quê?
Porque num dado momento quando o Rayner estava sem recurso financeiro para pagar, ele veio aqui com uma pseudo conversa, e eu tenho isso no WhatsApp, dizendo assim: ‘olha, aquele pessoal da M3 eles têm o interesse de se tornar também acionistas no Edanbank. Então eu vou vender uma parte das minhas ações para eles e eles vão se tornar acionistas também do Edanbank e o dinheiro vai servir para pagar o que devo para vocês’.

Vocês não aceitaram?
Quando nós olhamos, estrategicamente, não fazia sentido a gente ter alguém aqui como acionista que presta serviço para outras instituições financeiras, sabendo de tudo o que nós fazemos minimamente em uma reunião de conselho. Dissemos, desculpa, não nos interessa e dissemos que não não teve aprovação interna, do ponto de vista de compliance, por ‘n’ fatores estratégicos, não aceitaremos eles como acionista.

O que vocês estranharam?
Temos o Rayner querendo colocá-los dentro de casa, agora temos eles que nos acionam [na Justiça] em vez de acionar o Rayner, eu não estou entendendo nada. Temos toda documentação, que não foi gerada pelo Edanbank, mas por parceiros tecnológicos e por instituições financeiras que trabalhamos como banking as a service, que comprovam isso.

Qual é o próximo passo?
Sabemos que esse Rayner trará esses transtornos, que já estão conhecidos, e outros aqui contra o Edan. Estamos preparados, com bons escritórios nos assessorando para que a gente possa combater. E a gente não tem o que fazer além disso. É o tempo que vai acabar corrigindo tudo o que aconteceu. Uma vez que nós fomos impactados, é como um machucado. Vamos tratar desse machucado até recuperar dessa semi-fratura.

Você tem ideia de qual é o prejuízo que o Rayner deixou?
Para nós, esse prejuízo está passando de R$ 20 milhões.

A Socofit continua como sócia?
Desde o ano passado a gente tem trabalhado para saber os elementos para tirar. Do jeito que estamos, tem de ter fatos materializados porque você não pode falar para um sócio sair da corporação do nada. Todos esses elementos estão unidos em um processo, porque tudo neste momento está em discussão, não tem nada julgado. No decorrer dos próximos dias, estamos entrando com um pedido de exclusão desse indivíduo da sociedade, da Socofit da sociedade, dizendo que ele é maléfico para a corporação como um todo porque ele tem esse modus operandi: a Socofit tem participação, dessa participação ele fala que tem influência, abre a conta e faz desvio, entendeu?

Vocês pensam em entrar com pedido para ser uma instituição autorizada pelo Banco Central?
É um processo natural e isso não está começando agora. No ano passado nós contratamos uma consultoria, que é super reconhecida por diversas instituições, que fez um diagnóstico e estamos fazendo a lição de casa para poder elaborar isso aqui adequadamente. Agora, o que a gente está fazendo aqui é IP [Instituição de Pagamento] ou SCD [Sociedade de Crédito Direto]. Tem uma dúvida: como a gente se enquadra? Porque tem um pouco dos dois. Contratamos uma grande firma, para poder olhar o mercado como um todo, que falou: o que vocês fazem é um bicho novo. É um bicho que talvez ninguém enxergou: vocês fazem uma gestão terceirizada de tesouraria. Onde é que está enquadrado numa legislação do Banco Central? Porque ninguém enxerga e nós percebemos que tinha essa lacuna não atendida e que era uma deficiência de mercado.

Ao NeoFeed, Thiago Miller, do escritório Ruy de Mello Miller Advogados, encaminhou este posicionamento:

“Rayner Caio esclarece que a Socofit adquiriu uma participação no EDANBANK e efetuou o pagamento integral; contudo, as sócias do EDAN não entregaram a totalidade das ações adquiridas. A Socofit solicitou, por diversas vezes e através de múltiplos meios, acesso a todos os documentos contábeis do EDAN, sendo esse pedido negado sem justificativa razoável. Ingressamos com uma ação judicial para obter acesso a essa documentação.

“No que tange aos financiamentos contratados pela G2N junto ao EDAN, oferecemos as ações como forma de quitação, que, segundo avaliação do próprio EDAN, valiam significativamente mais do que as dívidas, mas as ações foram recusadas(!), o que nos causou grande surpresa e preocupação, colocando-nos em posição de alerta. Alguns clientes estão enfrentando dificuldades para reaver os valores investidos no EDAN”.





Fonte: Neofeed

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Howard Marks não vê excessos na Bolsa dos EUA, mas dá crédito para um outro investimento

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Howard Marks não vê excessos na Bolsa dos EUA, mas dá crédito para um outro investimento
Tempo de Leitura:2 Minuto, 6 Segundo


Em um ano marcado por quebra de recordes dos índices nos Estados Unidos, com as empresas de tecnologia vendo seus valuations em patamares bastante elevados, invariavelmente começam a surgir dúvidas entre investidores sobre se o mercado não estaria passando por excessos, com o surgimento de uma bolha.

Para Howard Marks, cofundador da Oaktree Capital, gestora que conta com US$ 192 bilhões em ativos sob gestão, ainda que o mercado americano esteja aquecido, e alguns setores registrem valuations e múliplos esticados, a situação não se mostra problemática.

“No momento, não vejo grandes excessos na economia americana ou nos mercados”, disse ele na quarta-feira, 24 de julho, em participação, via videoconferência, em painel no evento Avenue Connection, em São Paulo. “Não vejo excesso de otimismo, não vejo muitos setores superaquecidos na economia.”

Conhecido por ter dedicado parte da sua carreira ao estudo dos ciclos de mercado, tendo lançado um livro em 2018 sobre o tema, Marks afirmou que o P/L das bolsas americanas está “um pouco alto” em relação ao que já foi visto antes, com o múltiplo do S&P 500 cerca de 20% acima da média histórica o que, para ele, não se trata de algo preocupante.

A percepção de que o mercado americano poderia estar passando por um excesso de euforia vem do bom desempenho das empresas de tecnologia. Mas Marks destacou que, nos outros segmentos, as ações não estão com valuations muito elevados.

“Não é que as ações estão baratas, não estão, elas estão altas, mas não em um patamar que devemos nos preocupar”, afirmou.

Outro ponto que Marks busca identificar para ver se há excessos no mercado é o sentimento dos investidores e, segundo ele, o que se vê é cautela, com preocupações sobre questões geopolíticas e os rumos da economia.

Mesmo vendo as ações em patamares razoáveis, Marks entende que as principais oportunidades em termos de retorno estão no mercado de crédito. “Os retornos previstos estão nos maiores patamares vistos em tempos e em patamares satisfatórios em termos absolutos”, disse.

No momento em que os juros estão em patamares elevados, com o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) revertendo a frouxa política monetária adotada para combater a crise financeira de 2009, Marks enxerga uma série de oportunidades no mercado, desde títulos mais seguros até papéis high yield, e vê a possibilidade de retornos na casa dos dois dígitos, algo impensável há décadas atrás.

“Os retornos estão altos e podem ser conseguidos de forma relativamente tranquila”, afirmou.



Fonte: Neofeed

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“Veterana” do saneamento vai investir R$ 333 milhões e mira novas concessões

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“Veterana” do saneamento vai investir R$ 333 milhões e mira novas concessões
Tempo de Leitura:5 Minuto, 29 Segundo


À frente da Águas do Brasil, a mais antiga empresa privada de saneamento em operação no País, o presidente Claudio Abduche não hesita em revelar qual o maior desafio do grupo, fundado há 25 anos: acelerar os investimentos no Bloco 3 da concessão da Cedae, no Rio de Janeiro, que opera há dois anos em parceria com a Vinci Partners sob a marca Rio+Saneamento.

Em entrevista ao NeoFeed, Abduche revela que a Rio+Saneamento vai investir R$ 333,7 milhões este ano em tratamento de esgoto e água de 18 municípios do Rio, incluindo 24 bairros da Zona Oeste carioca, com previsão de inaugurar nove estações de tratamento esgoto e água até 2026.

O foco dos investimentos no bloco é maior na capital fluminense, onde atua numa região com forte presença de milícias e índices de universalização mais desafiadores para o grupo, que opera 15 concessões e duas unidades industriais em 32 municípios nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, atendendo 5,2 milhões de pessoas.

“O Bloco 3 é mais complexo, atuamos numa área que tinha historicamente o índice mais elevado de inadimplência da Cedae e com baixo índice de fornecimento de água”, afirma Abduche.

Segundo ele, as outras concessões do grupo têm níveis de universalização mais maduros. “Daí o investimento elevado na área operacional do Bloco 3, além de campanhas da área comercial de cadastramento dos clientes.”

O executivo assegura que o fato de a região sob concessão na capital fluminense ter forte presença da milícia não chega a impactar na prestação do serviço.

A estratégia adotada foi procurar as lideranças comunitárias e mostrar os benefícios de fornecer água tratada, trocar a rede antiga e ampliar a coleta de esgoto. “Usamos nossa experiência no setor, com diálogo e paciência estamos conseguindo avançar”, revela.

As nove Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) previstas têm recebido atenção especial do grupo. Elas estão em diversas etapas de obra, algumas em fase de licenciamento e outras já iniciadas, e vão beneficiar 2,5 milhões de pessoas, na capital e no interior.

Levantamento do Ministério das Cidades indica que, quatro anos depois da aprovação do Marco Regulatório do Saneamento, a coleta e tratamento de esgoto representam o grande gargalo para atingir as metas de universalização – 99% da população com abastecimento de água e 90% com esgotamento sanitário até 2033.

De 2019 a 2022, a proporção do esgoto tratado no País passou de 49% para 52%. Ao todo, 90 milhões de brasileiros ainda não têm acesso a coleta de esgoto, e 32 milhões a água potável. “A maior carência do Brasil hoje é a parte de coleta e tratamento de esgoto, mesmo porque a rede no Brasil foi quase inteiramente uma obra do século XIX”, diz Abduche.

Avanço com Marco

Para o executivo da Águas do Brasil, a entrada em vigor do marco regulatório causou ao menos três efeitos positivos: atraiu investimentos do mercado de capitais, obrigou as empresas estaduais de saneamento a buscarem financiamento para cumprir as metas e, o mais importante, trouxe segurança jurídica ao setor.

Mesmo assim, ele adverte que vai ser difícil para muitas estatais de saneamento conseguirem chegar perto das metas determinadas pelo marco, por causa das dificuldades financeiras do poder público num cenário de juros elevados.

Um estudo do Instituto Trata Brasil divulgado este mês prevê que a universalização do saneamento no Brasil só acontecerá em 2070, considerando o ritmo atual de melhorias no setor.

“As licitações para concessões, por exemplo, precisam avançar com mais rapidez”, adverte Abduche, lembrando que regiões com grande população – como Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina – não definiram o modelo ou seguem atuando com empresas estatais de saneamento.

Claudio Abduche, presidente da Águas do Brasil

O executivo admite que Águas do Brasil está atenta ao calendário de licitações que está sendo modelado pelo BNDES. Do ponto de vista financeiro, não há grandes restrições para a expansão da empresa. Em 2023, o grupo registrou R$ 2,5 bilhões em receita líquida. O Ebitda da companhia atingiu R$ 650 milhões, um crescimento de 16% em relação a 2022.

Em fevereiro, a Rio+Saneamento captou R$ 4,65 bilhões por meio da emissão de debêntures (títulos de dívida) e empréstimo junto ao BNDES. O montante servirá para pagar o empréstimo-ponte que permitiu quitar as duas primeiras parcelas da outorga fixa do Bloco 3 — pouco mais de R$ 1,8 bilhão do total de R$ 2,2 bilhões devidos ao governo do Rio —, mas também para investimentos na rede que administra.

Essa captação liberou a Águas do Brasil para mirar novos negócios. Sergipe, que deve anunciar licitação para concessão de saneamento em agosto, interessa ao grupo. “É o mesmo modelo da desestatização da Cedae, só que em um bloco só”, afirma executivo.

Outros estados do Nordeste, como Maranhão, Paraíba e Pernambuco, também estão avaliando com o BNDES eventuais licitações de concessão que podem atrair a Águas do Brasil. Ele também cita concessões municipais, em especial com cidades acima de 250 mil habitantes, como uma frente de oportunidades que está se abrindo.

“O mercado de concessões municipais não andou até recentemente porque havia uma queda de braço de quem é o poder concedente, estado ou o município”, afirma. Uma resolução do STF de que o poder concedente tem de ser negociado entre os dois entes, facilitou destravar essa opção.

PPPs e privatizações

Abduche diz que outros modelos de negócios não estão na agenda do grupo. “Temos restrições para parcerias público-privadas (PPP), principalmente quando a empresa estatal delega as obras para o concessionário, preferimos uma PPP onde temos um mínimo de operação comercial favorável”, diz.

Quanto às privatizações, Abduche revela que a Águas do Brasil não se interessou pelo certame da Sabesp, que adotou o formato de follow on – com concessão de uma parcela de 15% de participação acionária e manutenção da empresa estadual com 18% das ações.

“Nosso grupo entende que consegue agregar mais no modelo de concessão, entramos numa cidade onde colocamos nossa experiência de operação e da área comercial, é assim que conseguimos reverter o negócio”, diz. Mesmo assim, o executivo elogia a atuação do governador Tarcísio de Freitas em levar adiante o processo da Sabesp.

“Deve estimular outros governadores a estudarem a privatização como saída, mas o que marcou nesse caso foi estratégia de incluir a rápida obtenção da universalização de água e esgoto no contrato”, diz Abduche. “No fim, mostrou que a Sabesp, a maior empresa da América Latina, está comprometida em cumprir as metas do marco do saneamento. Não deixa de ser um alerta.”





Fonte: Neofeed

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Na bolsa americana, big techs seguem com fôlego, mas há oportunidades “embaixo da superfície”

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Na bolsa americana, big techs seguem com fôlego, mas há oportunidades “embaixo da superfície”
Tempo de Leitura:2 Minuto, 21 Segundo


Diante da expectativa de que os cortes de juros finalmente começarão a acontecer nos Estados Unidos e com os índices acionários registrando forte crescimento, muitos gestores começaram a reavaliar suas posições no mercado de renda variável americano, que, nos últimos anos, viu o setor de tecnologia ganhar bastante força.

Para Marina Valentini, estrategista de mercados globais da J.P. Morgan Asset, esse cenário abre espaço para buscar oportunidades “embaixo da superfície do S&P 500”, considerando que muitas companhias do índice estão com seus valuations perto da média histórica. Mas isso não significa necessariamente que as big techs devem perder relevância ou o interesse dos investidores.

“Muitos analistas começam a falar numa rotação para setores mais cíclicos, como indústria, energia, bancos”, disse ela na quarta-feira, 24 de julho, durante painel no evento Avenue Connection, que está sendo promovido pela corretora Avenue, em São Paulo. “A gente acha que isso vai acontecer, mas não necessariamente às custas do setor de tecnologia.”

Segundo Valentini, as chamadas Magníficas Sete – Alphabet, Amazon, Apple, Meta, Microsoft, Nvidia e Tesla – têm motivo para serem consideradas magníficas, ao representarem cerca de 33% do índice, 39% dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento e 23% do fluxo de caixa. Além de apresentarem boas perspectivas em termos de resultados, mesmo que isso possa ir desacelerando ao longo dos trimestres, com frustrações de curto prazo.

“Essas empresas têm muito dinheiro para investir e apresentam lucros muito fortes”, afirmou. “O mercado espera crescimento de 30% dos lucros, o que é muito bom.”

Ela destacou que muito da alta recente no mercado acionário americano foi puxada pelo entusiasmo com o tema da inteligência artificial, como pode ser visto nas fortes valorizações registradas pelas ações da Nvidia – somente nesse ano, os papéis da companhia acumulam alta de 177,4%. Em sua avaliação, esse é um tema de longo prazo, que ainda deve continuar tendo peso sobre o S&P 500.

Mas com o cenário ficando mais propício para a renda variável e as ações de tecnologia com valuations elevados, a estrategista da J.P. Morgan Asset começa a ver margem para um aumento de posicionamento em outros segmentos, com a tese do value ganhando força.

Em meio a uma economia americana ainda resiliente, ainda que apresente alguns indícios de desaceleração, Valentini afirmou que setores tradicionais demonstram força, com as ações podendo ter boa evolução.

A estrategista da J.P. Morgan Asset destaca que as companhias apresentam boas perspectivas de resultados. Segundo ela, depois de resultados baixos em 2023, a expectativa dos analistas é de um aumento média de 11% dos lucros, enquanto os cálculos das gestoras apontam para uma alta de cerca de 9%.

“A foto corporativa americana é sólida”, disse Valentini. “E vemos os analistas aumentando as expectativas para os lucros das empresas.”



Fonte: Neofeed

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