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Da pasta de dente aos carros elétricos, os minérios moldam o nosso presente e pautam o nosso futuro

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Da pasta de dente aos carros elétricos, os minérios moldam o nosso presente e pautam o nosso futuro
Tempo de Leitura:6 Minuto, 38 Segundo


Do momento em que o cobre foi descoberto, cerca de 8 mil anos antes de Cristo, a mineração ajudou a moldar a história da evolução humana. E segue assim até hoje. Nós podemos até não perceber, mas quase tudo em nosso cotidiano tem minerais ou minérios — ou ambos.

Direta ou indiretamente, eles fazem parte de nossa alimentação, saúde, transporte, habitação, lazer, comunicação…

Contidos nas pastas de dente, o carbonato de cálcio e o óxido de silício (também chamado de sílica) revolucionaram a higiene bucal e, consequentemente, a saúde. O vidro é feito de calcário e óxido de minerais, entre outros compostos.

Nas lâmpadas incandescentes, está o cobre, que também se faz presente nos fios elétricos, nas peças dos carros e dos aviões, nos computadores, nos celulares, nos instrumentos médicos, nas moedas… e até em bijuterias e objetos de decoração.

O ferro está nos vergalhões que sustentam as casas e os edifícios, nos fogões e na grelha das churrasqueiras…. O níquel, nos botões das roupas, nos relógios, nos cosméticos, nas próteses ortopédicas, nos aparelhos ortodônticos… e por aí vai, impossível pensar a vida sem esses elementos.

Avaliada em US$ 2,2 trilhões, a indústria minerária deve chegar a US$ 2,8 trilhões até 2028.

Agora, frente aos desafios impostos pela crise climática, a mineração é, mais uma vez, peça-chave em um momento decisivo para a humanidade — a transição energética, rumo a um mundo mais sustentável.

Na busca por diminuir a dependência dos combustíveis fósseis, alguns compostos se revelam imprescindíveis para a descarbonização da economia. Os chamados minerais críticos, como lítio, cobalto, níquel, manganês, cobre, platina e elementos de terras raras, estão na base das novas tecnologias de energia limpa.

“Com alta capacidade de condução e propriedades específicas, como maleabilidade e resistência à corrosão, eles se mostram eficientíssimos nos painéis fotovoltaicos, nas turbinas eólicas, nas baterias dos carros elétricos, nos supercondutores e nas lâmpadas LED, entre outras áreas”, diz a engenheira Samara Santos, em conversa com o NeoFeed. Formada pela Universidade de Brasília, ela é especializada em energia renováveis e presta consultoria para a WWF-Brasil.

Sem lítio, por exemplo, as baterias dos veículos elétricos e os aerogeradores eólicos não funcionam. Sem as terras raras as células solares não produzem energia. E não há supercondutor se não houver alumínio e estanho.

E a demanda aumenta

Com a ampliação no uso das tecnologias limpas, a demanda pelos minerais críticos, naturalmente, aumenta. Entre 2017 e 2022, a procura por lítio triplicou, por cobalto cresceu 70% e por níquel, 40%. Nas projeções da Agência Internacional de Energia (IAE, na sigla em inglês), até 2030, a busca pelos minerais críticos elementos deve dobrar.

Conforme o estudo Global Critical Minerals Outlook 2024, também da IAE, o mercado global de minerais críticos deve chegar a US$ 770 bilhões, em 2040.

Se, em 2020, um em cada 25 carros vendidos no mundo era elétrico; atualmente, essa relação é de um em cinco. Em 2023, a capacidade de energia renovável adicionada aos sistemas globais cresceu 50%, atingindo quase 510 gigawatts (GW) — com a solar fotovoltaica respondendo por cerca de três quartos das adições.

No próximo ano, as energias renováveis devem ultrapassar o carvão como a maior fonte de eletricidade do planeta, apontam os analistas da IAE, no relatório World Energy Outlook 2023.

O Brasil no cenário global

Atualmente, os minerais críticos estão concentrados na Ásia, sobretudo na China. Mas há reservas importantes também na Europa, na África e na América Latina, incluindo o Brasil.

Nos últimos meses, o governo brasileiro tem colocado o tema mineração e sustentabilidade em pauta, em uma série de eventos sobre o assunto. Em fevereiro, Brasília sediou o evento  Mineração e Transformação Mineral de Minerais Estratégicos para a Transição Energética, organizado pelo Ministério de Minas e Energia (MME).

No mês seguinte, Rodrigo Cota, diretor do Departamento de Transformação e Tecnologia Mineral do MME, representou a pasta durante o evento Brazil-Canada Mining Brunch, realizado em Toronto. Lá ele apresentou o Guia Para o Investidor Estrangeiro em Minerais Críticos para a Transição Energética no Brasil.

“O Brasil tem um cenário favorável. Se os demais países estão mesmo comprometidos com a transição energética, devem investir no Brasil e na cadeia da transformação dos minerais estratégicos para transição energética pensando, entre outros objetivos, na fabricação de baterias para carros elétricos”, defendeu ele, na ocasião.

O País possui cerca de 2% das reservas globais de lítio e um quinto das de grafite, níquel, manganês e elementos de terras raras. Em termos de produção, porém,  detém 0,2% da de elementos de terras raras e 7% de grafite.

Novas soluções

O futuro, como se vê, exige do presente inovações radicais e alternativas para garantir o fornecimento sustentável não só dos minerais críticos como de todos os produtos minerários — uma espécie de transição dentro da transição.

E, várias companhias já vêm trabalhando para adaptar a mineração aos novos tempos. Entre as medidas estão, por exemplo, a eletrificação das frotas  e a substituição das fontes de eletricidade por energia renovável.

Uma outra estratégia, apontada como eficaz pelos analistas, é a adoção dos preceitos da circularidade, ao longo de toda a cadeia de produção.

No documento Global Critical Minerals Outlook 2024, a IAE  dá a dimensão da importância da prática para o setor:

“Intensificar os esforços para reciclar, inovar e incentivar a mudança comportamental é vital para aliviar potenciais tensões na oferta. Serão necessários cerca de US$ 800 bilhões de investimentos na mineração entre agora e 2040 para se avançar rumo a um cenário de 1,5 °C [de aumento da temperatura do planeta até o final do século, em comparação aos níveis pré-industriais]. Sem a forte adesão à reciclagem e reutilização, os requisitos de capital precisarão ser um terço mais elevados”.

Desde 8 mil ans antes de Cristo, a mineração pauta a história da evolução humana

Em 2020, um em cada 25 carros vendidos no mundo era elétrico. Hoje, a relação é de um para cinco

Entre 2017 e 2022, a procura por lítio triplicou, impulsionada pelas novas tecnologias

No ano passado, a capacidade de energia renovável adicionada aos sistemas globais cresceu 50%, com a solar fotovoltaica respondendo por cerca de três quartos das adições, em todo o mundo.

O Brasil detém um quinto das reservas globais de elementos de terras raras

Um estudo encomendado pelo WWF ao Sintef, instituto global de pesquisa, sediado na Noruega, indica que a demanda pelos minerais críticos pode ser reduzida em 58% até 2050 com novas tecnologias, modelos de economia circular e reciclagem.

No relatório The Future is Circular — Circular Economy and Critical Minerals for the Green Transition, os pesquisadores do Sintef sugerem que muitos minerais críticos, como o cobalto, podem ser recuperados como subprodutos do processamento de outros minerais, como o cobre e o níquel.

Resultados promissores

Aos poucos, os efeitos dos investimentos na chamada mineração verde começam a surgir. Pesquisadores da empresa de análise de mercado GlobalData avaliaram 85 mineradoras, de todo o mundo, para as quais havia dados disponíveis. Delas, 42%  registraram uma queda de 14,3% nas emissões de gases de efeito estufa (GEE), ao longo de cinco anos, entre 2018 e 2022.

As reduções aconteceram no âmbito dos escopos 1 e 2. As primeiras referem-se aos GEE lançados na atmosfera como resultado direto das operações da própria companhia. E as segundas estão associadas ao consumo de eletricidade e energia.

Na busca por modelos mais sustentáveis, a colaboração entre governos, empresas, academia e startups tem se revelado fundamental. As soluções desenvolvidas em hubs de inovação se revelam promissoras.

O uso de inteligência artificial (IA) e drones, equipados com câmeras multiespectrais, refinam a busca por depósitos minerais; modelos 3D levam para a tela do computador simulações dos depósitos minerais e projetos de minas, e robôs, integrados a sistemas de geolocalização, tornam as perfurações mais precisas.

Esses são apenas alguns dos exemplos de como a mineração pode não apenas se renovar como levar a humanidade (e o planeta) ao próximo estágio de evolução.





Fonte: Neofeed

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Os “botecos” onde vinho toma o lugar da cerveja no happy hour

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Destinados a quem sabe muito ou a quem não conhece absolutamente nada, os bares de vinho são a nova onda da noite paulistana. De um mês para cá, só na rua dos Pinheiros, na zona oeste, foram inaugurados dois: o Saída de Emergência e o Vinho no Boteco. E um terceiro está prometido para outubro.

O primeiro tem uma seleção criteriosa com várias faixas de preço. O segundo aposta na democratização do consumo e, como diz o nome, atrai quem quer pagar por uma taça de vinho o preço de um chopp. Quem é do ramo estima que existem aproximadamente 20 bares de vinho na capital paulista.

Sem contar, é claro, aqueles instalados dentro das importadoras — mais antigos, se restringem aos rótulos trazidos pelas empresas. Aí cada uma tem o seu ou os seus, em diferentes lugares da cidade, visando a públicos distintos. Os mais conhecidos são Mistral, Grand Cru, Evino, Decanter e Cellar. Há ainda os bares das próprias vinícolas brasileiras, caso da Salton, Campestre e outras.

As pioneiras nos bares de vinho independentes são as somellières Daniela Bravin e Cássia Campos. Em 2018, elas fundaram o Sede 261, numa rua estreita de Pinheiros, para vender vinhos em taça. O bar físico foi uma consequência do clube de vinhos por assinatura criado em 2015, depois de anos de experiência trabalhando para diversos restaurantes.

O espaço da Sede 261 é pequeno, com apenas dez lugares na parte interna. Em compensação, a clientela ocupa a calçada onde arma até 40 cadeiras de praia. Lá não há comida, mas liberdade para cada um pedir o delivery que quiser.

Não é raro ver uma mesa com um grupo comendo pizza e outra, ao lado, com cozinha japonesa. “Os deliveries melhoraram muito durante a pandemia”, diz Daniela, eleita diversas vezes a melhor sommelier do ano, em conversa com o NeoFeed.

O local é uma festa e Cássia atribui essa procura, entre outros motivos, ao aumento do consumo do vinho, que vem ocupando cada vez mais o espaço da cerveja nos encontros de happy hour.

Para a dupla, o que faz do Sede 261 um lugar tão especial é a rotatividade dos rótulos, que mudam a cada semana, quando são introduzidos ao menos 40 novos, e o fato de o lugar ter uma frequência transgeracional. “Aqui vem os avós, os pais, os filhos. Essa bagunça, essa mistureba, é o que dá calor para o bar”, afirma Daniela.

Vinhos de baixa intervenção

Para não entrar na disputa de um mercado já segmentado, o advogado Renan Scapim, de 35 anos, e o administrador de empresas Raphael Lucente, 34 anos, escolheram um recorte próprio: o primeiro bar de vinhos de baixa intervenção da região dos Jardins.

Assim nasceu o Baco Dvino, no fim do ano passado, com mesas na calçada e proposta informal, como devem ser os empreendimentos do tipo. Estreantes no ramo, os dois resolveram fazer alguns cursos antes de abrir. Renan na Le Cordon Bleu e Raphael, no Senac.

Com o Sede 261, inaugurado em 2018, as somellières Daniela Bravin e Cássia Campos foram as pioneiras (Crédito: Divulgação)

O bar de vinho Saída de Emergência oferece garrafas a partir de R$ 80 e taça cujo preço começa em R$ 20. Na faixa acima de R$ 800 há entre 30 e 40 opções (Crédito: Divulgação)

“Fico feliz ao ver que há uma mesa com taças de espumante a R$ 40 e outras, ao lado, consumindo vinhos caros”, diz o restaurateur Guilherme Mora, dono do bar Saída de Emergência (Crédito: Divulgação)

A ideia da dupla de focar em vinhos biodinâmicos, orgânicos e naturais surgiu de uma viagem a Napa Valley, na Califórnia. “Somos outsiders, mas nos preparamos. Visitamos quase todos os bares de vinho de São Paulo, olhando as taças, os guardanapos, as louças”, conta Renan.

O Baco Dvino tem um ambiente aconchegante e despojado e no final há um lounge com sofá e tapete. “Quero que as pessoas se sintam como se estivem na sala de casa”, diz o empresário.

O investimento total foi de R$350 mil. A carta tem 56 rótulos entre R$ 27 (um malbec argentino) e R$ 195 (um tinto da região do vulcão Etna, na Sicília) e brancos a partir de R$ 33 (um chardonnay da Patagônia). Há comidinhas, bruschettas e pizzas com massa de fermentação natural.

Consumo democratizado

Apesar de também ser um apaixonado por vinhos naturais, o restaurateur Guilherme Mora colocou rótulos variados no Saída de Emergência. Proprietário de restaurantes especializados em carne como Osso, Cór e Incêndio, que possuem boas cartas de vinho, ele decidiu se lançar num novo voo.

“De todos os meus projetos, este é o mais pessoal. Aqui estou atrás do balcão, o sommelier entre aspas sou eu” diz Mora. “Na verdade, sou um bêbado profissional”, completa, rindo.

O Saída de Emergência ocupa um espaço que estava subaproveitado no primeiro andar do restaurante Incêndio. A expertise na gastronomia e o contato com as importadoras facilitaram tudo.

Agora, Guilherme vai começar a fazer algumas importações diretas, apenas de vinhos de alta gama, para os quais vai oferecer um preço muito mais convidativo do que o praticado pelo mercado, mas para rótulos que só podem ser consumidos ali.

“Em apenas quatro semanas de funcionamento já tenho gente indo para tomar vinhos raros a partir de R$ 1,2 mil. Consigo vender por R$ 1,6 mil a garrafa que no mercado custa R$ 5 mil”, conta.

Os outros vinhos, que não fazem parte desse pacote, podem ser levados para casa com um desconto de 15%. O Saída de Emergência tem garrafas a partir de R$ 80 e taças cujo preço começa em R$ 20. Na faixa acima de R$ 800 há entre 30 e 40 opções.

A proposta do Saída de Emergência é atrair público de várias faixas de renda. “Fico feliz ao ver que há uma mesa com taças de espumante a R$ 40 e outras, ao lado, consumindo vinhos caros”, afirma Mora.

A democratização do consumo, sem dúvida, é o que está levando cada vez mais gente aos bares de vinho e como consequência a um maior conhecimento sobre a bebida. Mas, apesar das boas intenções, vinho exige um atendimento profissional. Descomplicar requer alguma competência.





Fonte: Neofeed

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Gustavo Diógenes, o “Hopper do sertão”

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Gustavo Diógenes, o
Tempo de Leitura:5 Minuto, 51 Segundo


Na noite escura, ninguém na rua, apenas uma moto estacionada. Uma luz, que deve vir de um poste fora da cena, ilumina o veículo e projeta uma sombra comprida. Ao fundo, a igreja de fachada branca e simples brilha iluminada. Essa cena está retratada na tela Ronda Noturna, assinada por Gustavo Diógenes.

A obra está entre as 11 telas apresentadas pela galeria Leonardo Leal na terceira edição da ArPa, a feira de arte contemporânea realizada em junho, na capital paulista. Nove delas e mais duas que estavam guardadas foram vendidas em apenas cinco dias de evento.

Diógenes dividia o estande com o artista Thadeu Dias, ambos cearenses. E a mostra foi batizada  Chiaroscuro sob o sol. “Eu quis trazer para a feira algo que está fora do que está sendo visto”, conta o galerista Leonardo, em conversa com o NeoFeed. Era como o yin e o yang.

As obras de Dias representavam o mar, as praias, a luz do sol a pino, enquanto as de Diógenes traziam o oposto: a rota rumo ao sertão. A solidão e os ambientes vazios, como ruas, bares e postos de gasolina, são temas constantes na pintura desse artista de 40 anos.

O trabalho de Diógenes traz imediatamente à lembrança o americano Edward Hopper (1882-1967). “Gosto do trabalho dele, do enquadramento, de como ele usa a perspectiva, a noção de planos”, diz, em entrevista ao NeoFeed. “Acho que a comparação com o meu trabalho tem mais a ver com a sensação de isolamento. É ótimo ser comparado com um grande artista.”

Na obra de Hopper, o predomínio é da luz diurna e a pintura, muito cuidadosa, lisa, em que a marca do pincel praticamente não aparece, destaca Diógenes.

Em seu trabalho, o desenho da pincelada fica um pouco mais evidente, o que não o impede de atingir a atmosfera metafísica do pintor americano. Diógenes adora road movies brasileiros, como O Céu de Suely, de Karim Aïmouz, e Viajo porque preciso, volto porque te amo, de Aïmouz e Marcelo Gomes. Essas são suas verdadeiras referências estéticas, que trazem também um quê de lembrança afetiva.

As viagens de carro com a família, pelo interior do estado, estão vívidas em suas memórias. Além de Fortaleza, onde mora atualmente, devido ao trabalho do pai na Companhia Energética do Ceará, na infância, o artista viveu em cidades como Limoeiro do Norte e Quixadá, a cerca de 200 e 170 quilômetros da capital Fortaleza, respectivamente.

Os bares de beira de estrada

O gosto pela estrada, contudo, prevaleceu na vida adulta. Para abastecer seu repertório de imagens, Diógenes gosta de se lançar na estrada, sem muito destino certo, de ônibus ou de carro.

“O sertão cearense eu conheço bem”, afirma. “Durante essas viagens, surgem ideias, e eu saio fotografando tudo o que me interessa.”

O que lhe chama atenção são rodoviárias, bares de beira de estrada com cadeiras de plástico, postes iluminando ruas escuras, bois perdidos no meio de uma rodovia e motos estacionadas em locais desertos.

“Tenho muito apreço por esses ambientes populares. Quando vejo um bar meio inóspito na beira da estrada, sempre paro para tomar uma cerveja ou uma cachaça”, conta. “Esses locais me enchem de uma energia que eu não sei explicar exatamente. São lugares que me atraem de uma forma que não consigo definir.”

Diógenes leva a energia desses espaços para suas telas. A partir da memória ou da fotografia, ele usa suas habilidades como ex-diretor de arte no mercado publicitário para dar cor e um pouco mais de tensão e mistério a esses cenários.

“Tenho muito apreço por esses ambientes populares. Quando vejo um bar meio inóspito na beira da estrada, sempre paro para tomar uma cerveja ou uma cachaça”, conta Diógenes (Crédito: Flavia Almeida)

Para o pintor cearense, a comparação de sua obra com a do americano Edward Hopper vem sobretudo da “sensação de isolamento”, que o estilo de ambos transmite. Na imagem a tela “Nigthhawks”, pintada pelo americano em 1942 (Crédito: Reprodução artic.edu)

Diferente das telas de Hopper, nas pinturas de Diógenes, as pinceladas são evidentes — tela “Anoitecer na matriz” (Crédito: Divulgação)

As viagens de carro com a família, pelo interior do Ceará, estão vívidas nas lembranças de Diógenes — tela “Paisagem noturna em São Gonçalo do Amarante ” (Crédito: Divulgação)

Diógenes chegou a trabalhar em agência de publicidade, mas a arte era seu destino — obra “Sem título”, da ´serie “Fogo fátuo” (Crédito: Divulgação)

Um dos “road movies” brasileiros que inspiram Diógenes é “Viajo porque preciso, volto porque te amo”, de Karim Aïmouz e Marcelo Gomes (Crédito: Reprodução themoviedb.org)

Sua vida como artista em tempo integral é relativamente recente. Até cerca de dois anos atrás, dividia a carreira em agência com o desejo de se dedicar apenas à arte.

Criativo e com talento para desenho, foi aconselhado pelo pai a cursar publicidade. Logo na faculdade, porém, descobriu que não era aquilo que queria para sua vida. Diógenes era colega da filha do pintor Cláudio César e, quando visitou a casa da amiga, não teve dúvidas: a pintura era seu destino.

“Eu me apaixonei pelo estilo de vida mesmo. Aquela casa cheia de esculturas, cerâmicas, pinturas, tintas, pincéis… Foi algo que me absorveu”, diz. Aproveitou o encontro com o artista e perguntou o que poderia fazer para se tornar um. César recomendou que buscasse uma técnica para se dedicar.

A ausência que indica presença

Diógenes procurou um professor de pintura que lhe deu as primeiras aulas. Como bom discípulo, estudou os grandes mestres. Entre seus escolhidos estavam os barrocos italianos Caravaggio (1573-1610) e Tintoretto (1518-1594).

Ele lembra de não se preocupar muito com o autor, mas sim com o tema e com a forma. “Eu realmente gostava muito de evoluir como pintor, e fiquei durante uma época meio aprisionado, com uma ideia fixa de buscar um formalismo técnico”, lembra.

Estudar gravura foi o caminho encontrado para se soltar e treinar outras habilidades. “A gravura mostrou que dá para trabalhar a imagem com manchas de cor e outros traços interessantes”, ressalta. Diógenes também foi estudar artes no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), onde está concluindo neste ano a licenciatura.

Até começar o curso no IFCE, Diógenes se dizia um “pintor aprisionado”. “Eu executava muito bem uma pintura, mas era só aquilo. Não havia mais nada para apreciar, não havia sentido poético”, diz.

Ao estudar história da arte e arte contemporânea, Diógenes entendeu que sua pintura também poderia refletir um pensamento, uma estética própria e seu olhar sobre o mundo.

As pinturas dos lugares que fazem parte da rotina surgiram então em suas telas, como um bar que frequenta desde muito jovem.

Na imagem, o ambiente aparece sem as pessoas que costumam se encontrar lá. Há apenas uma cadeira na calçada, como se estivesse à espera de alguém. A pintura, de 2019, chama-se Duas doses de saudade.

“Foi quando eu entendi que a ausência também indica uma presença”, reflete. “Quando há mistério, vemos mais coisas do que se colocarmos uma figura humana.”





Fonte: Neofeed

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Depois de frustração com International Paper, Suzano adquire fábricas nos EUA por US$ 110 milhões

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Depois de frustração com International Paper, Suzano adquire fábricas nos EUA por US$ 110 milhões
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Apesar de ter desistido da aquisição da International Paper (IP) há quase duas semanas, a Suzano não diminuiu seu apetite por aquisições que possam internacionalizar suas operações.

Nesta sexta-feira, 12 de julho, a maior produtora mundial de celulose de eucalipto anunciou que fechou um acordo com a Pactiv Evergreen para aquisição dos ativos que compõem de fábricas integradas de fabricação de papelcartão voltado para embalagens, nos Estados Unidos, por US$ 110 milhões.

Segundo a Suzano, o valor será pago em dinheiro, à vista, no fechamento da operação, sujeito a ajustes de preços e ao cumprimento de condições precedentes, previstas para ocorrerem até o fim deste ano.

Localizadas nas cidades de Pine Bluff, no estado de Arkansas, e Waynesville, na Carolina do Norte, as fábricas possuem capacidade total integrada de produzir aproximadamente 420 mil toneladas por ano de papelcartão.

A operação prevê ainda que a Suzano e a Pactiv vão fechar acordos de serviços de transição, na qual a Pactiv prestará serviços para a Suzano nos ativos adquiridos, e de fornecimento de longo prazo, com a Suzano fornecendo para a Pactiv os produtos produzidos em Pine Bluff e consumidos pela Pactiv.

A aquisição marca a entrada da Suzano no mercado americano de embalagens para consumo e food service, com as fábricas produzindo papelcartão revestido e não revestido, utilizados na produção de embalagens de líquidos e copos de papel.

A Suzano é a maior fornecedora de celulose de fibra curta da América do Norte, possui escritório em Fort Lauderdale, na Flórida, e um centro de tecnologia próximo a Vancouver, no Canadá.

“Estamos ingressando no mercado da América do Norte como um produtor competitivo de papelcartão, com ativos em localização geográfica privilegiada do ponto de vista operacional e logístico, que abre inclusive novas oportunidades para crescimento”, afirma, em nota, o vice-presidente executivo de papel e embalagens da Suzano, Fabio Almeida.

A operação representa mais um passo no projeto de internacionalização da Suzano e diversificação das atividades. Em junho, a companhia anunciou a aquisição de 15% da austríaca Lenzing, empresa global especializada na produção de fibras de celulose à base de madeira.

Em evento com jornalistas no começo do ano, o ex-CEO da Suzano, Walter Schalka, disse que a internacionalização seria o próximo passo depois da conclusão do Projeto Cerrado, foco da companhia desde 2021.

Para isso, duas questões precedentes fundamentais precisam ser cumpridas. A primeira é que a companhia tem de ter diferenciação competitiva, não entrando em mercado em que não possa se destacar em termos operacionais e financeiros. A segunda é escala, com a Suzano não tendo interesse em investir para ter operações de pequeno porte.

Um dos principais movimentos desse processo, porém, acabou frustrado depois que a IP rejeitou uma oferta da brasileira. Segundo a agência de notícias Reuters, a proposta girava em torno de US$ 15 bilhões.

Caso seguisse adiante, a aquisição de poderia resultar em uma empresa de valor de mercado de quase US$ 44 bilhões, com um Ebitda entre US$ 7 bilhões e US$ 7,5 bilhões, segundo cálculos do Itaú BBA.

A proposta pela IP acabou sofrendo críticas de investidores, considerando o tamanho da operação, num momento em que a alavancagem financeira atingiu o limite estabelecido na política de investimentos para ciclos de investimentos – a relação entre a dívida líquida e o Ebitda em dólar alcançou 3,5 vezes nos primeiros três meses do ano.

Mas diante da irredutibilidade da IP, e para não descumprir com o compromisso assumido com a disciplina de capital, a Suzano acabou desistindo da aquisição.

As ações da Suzano fecharam o dia com queda de 1,15%, a R$ 52,40. No ano, elas acumulam queda de 5,8%, levando o valor de mercado a R$ 67,3 bilhões.



Fonte: Neofeed

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