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Dívida pública dos EUA explode. Há motivos para se preocupar?

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Dívida pública dos EUA explode. Há motivos para se preocupar?
Tempo de Leitura:5 Minuto, 17 Segundo


A cena tem se repetido com frequência nos últimos anos nos Estados Unidos. Toda vez que o Gabinete de Orçamento do Congresso (CBO, na sigla em inglês), órgão do Legislativo americano, solta uma atualização da dívida pública dos EUA, a primeira reação é de espanto, seguida de um certo conformismo.

O espanto é pelo crescimento da dívida. O conformismo é atribuído à certeza de que o déficit vai continuar a crescer, no entanto sem causar a mesma preocupação que o tema costuma gerar em outros países, inclusive do Primeiro Mundo.

Foi exatamente o que ocorreu esta semana, quando o CBO anunciou a previsão de que a dívida pública dos EUA vai aumentar 64% nos próximos dez anos, um crescimento inédito e surpreendente. Hoje em US$ 34 trilhões, o déficit americano deverá subir para US$ 56,9 trilhões nas contas do CBO, engordando em US$ 3 trilhões por ano até 2034.

Para se ter uma ideia do salto, o déficit do atual ano fiscal (que acaba em 30 de setembro) é de US$ 1,9 trilhão, equivalente a 6% do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA.

O anúncio evidentemente causou preocupação, ainda mais num país com juros elevados. Mas a possibilidade de o déficit em elevação ameaçar o domínio do dólar como moeda de reserva ou causar um colapso na maior economia do planeta é muito pequena.

Nem mesmo a divulgação de outro indicador, o aumento da relação dívida/PIB, causou comoção. Esse dado indica quanto o país deve versus o que produz e, portanto, até que ponto é capaz de pagar por essa dívida.

O déficit público  dos EUA vai fechar 2024 em 99% do PIB, índice que vai aumentar para 122% do PIB em 2034 – ultrapassando o seu anterior máximo, de 106% do PIB em 1946, no final da Segunda Guerra.

Mesmo com esses números superlativos, as campanhas presidenciais de Joe Biden e de Donald Trump não chegam a tocar no tema do endividamento em suas plataformas de governo. Por isso, não surpreende que, das três grandes agências de risco, duas rebaixaram o AAA, nota máxima de crédito de dívida dos EUA.

Impulso

Para Luis Otavio Leal, economista-chefe da gestora G5 Partners, vários fatores explicam esse conformismo. Um deles é a política fiscal expansionista de boa parte dos países para impulsionar a economia interna no pós-pandemia.

“O fato é que a pandemia quebrou o termômetro da economia global, todos os países se endividaram e os mercados ficaram mais lenientes com isso”, diz Leal, citando o exemplo da França, que elevou bastante sua dívida em relação ao PIB se comparado com a Alemanha, outro país da zona do euro.

No caso dos EUA, nem mesmo o crescimento exponencial da dívida pública ameaça impactar a fortaleza do dólar como moeda de referência global.

Segundo Leal, a moeda americana já vinha perdendo força nos últimos anos por motivos geopolíticos – com o congelamento dos ativos russos por causa da Guerra da Ucrânia, países na mira de sanções dos EUA começaram a correr para outros ativos.

“O dólar, que respondia por 80% das reservas mundiais, hoje caiu para 65%, mas as alternativas disponíveis não são seguras”, afirma o economista. Ele cita a China, que tenta emplacar o yuan, mas o governo aumentou o controle estatal sobre a moeda e, a rigor, o país nunca foi um exemplo confiável para o mercado global trocar o dólar pela moeda.

“O euro tem um pecado original que o impede de servir de referência – o bloco europeu tem união monetária, mas não fiscal -, a libra esterlina, atualmente, simplesmente não dá, então sobra o dólar mesmo”, diz Leal.

O impacto da dívida pública americana na economia interna, de acordo com o economista da G5 Partners, também é limitado. Uma parte pode até ajudar a alimentar inflação, mas o que pesa mais no aumento de preços é a política fiscal expansionista do pós-pandemia, que levou a inflação a 9%, índice elevadíssimo para os padrões americanos.

“A crise de 2008, por exemplo, que não teve expansão fiscal, não gerou inflação, aliás, nem todo esse endividamento se deve a isso, os gastos militares maiores também estão contribuindo”, afirma Leal.

O efeito no curto prazo mais preocupante desse endividamento é político: em janeiro de 2025, vence o prazo para o Congresso americano renegociar o teto da dívida.

Em janeiro de 2023, quando venceu o prazo anterior, a divisão no Congresso arrastou a disputa por cinco meses, a ponto de o Tesouro americano ficar ameaçado por falta de liquidez. Mesmo assim, o acordo acabou sendo fechado e a economia seguiu seu curso, sem maiores impactos.

Alerta

Algumas vozes importantes da elite americana, porém, têm demonstrado preocupação com o aumento do déficit e exortado as autoridades a lançarem medidas de contenção – ou pelo menos que estabeleçam um plano sobre como irão reduzir as despesas no futuro.

Entre eles estão o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, o CEO do J.P. Morgan, Jamie Dimon, e o ex-presidente da Câmara Paul Ryan. No início deste ano, num evento no Centro de Política Bipartidária, Ryan descreveu a espiral da dívida como a “crise mais previsível que alguma vez tivemos”, com a qual Dimon concordou veementemente.

Já o CBO advertiu esta semana que os gastos federais de Segurança Social e do Medicare devem crescer mais rapidamente do que a população em geral no próximos anos, agravando o déficit público.

Para Leal, porém, o problema do endividamento público elevado nos EUA acaba sendo neutralizado por uma certeza. “A economia americana é diferenciada, não cansa de surpreender positivamente” diz, lembrando da crise financeira de 2008, em que se esperava uma grande recessão e o país praticamente retomou o nível normal em um ano.

O mesmo aconteceu no pós-pandemia. Mesmo com inflação, dívida e juros elevados, o mercado de ações bate seguidos recordes, puxados pela valorização das empresas tech.

“A expansão da inteligência artificial está levando os EUA a um mundo inexplorado”, afirma Leal. “A S&P 500 agora começa a registrar altas de ações de empresas de outro segmento, de utilities, por causa da demanda por mais energia que os data centers para processar dados de IA vão gerar.”

Em resumo: enquanto a economia dos EUA continuar em ascensão, a impressão é que a questão da dívida será empurrada para debaixo do tapete.



Fonte: Neofeed

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Ex-profissionais de BTG, Credit Suisse, Porto Seguro e XP se unem em nova assessoria em busca de R$ 1,5 bi

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Ex-profissionais de BTG, Credit Suisse, Porto Seguro e XP se unem em nova assessoria em busca de R$ 1,5 bi
Tempo de Leitura:2 Minuto, 21 Segundo


Nos últimos 10 anos, o mercado de assessoria de investimentos viveu um boom. Diversos executivos de grandes bancos apostaram em uma carreira empreendedora para fundar o seu próprio business e surfar a onda de desbancarização no Brasil.

Apesar da desaceleração e recente consolidação dessa indústria, novos players ainda apostam nessa tese. É o caso da Astra Capital, nova assessoria de investimentos plugada ao BTG Pactual, que acaba de ser lançada.

Ela é composta por um time de executivos com larga experiência no setor. A CEO e fundadora Thaissa Braz tem 17 anos de experiência em wealth management, que inclui uma vivência de sete anos em Zurique, na Suíça, pelo Credit Suisse, e também passagens pelos private banks do Banco Safra e da XP.

O time de sócios fundadores é composto por mais quatro profissionais. Andreas Serpa passou pela tesouraria do Safra e foi estrategista e head de produtos na XP. Gabriel Godeghesi é ex-BTG Pactual; Arthur Costa, ex-XP Private; e Victor Souza, ex-Porto Seguro Corporate.

“Ao contrário do que muitos pensam, que é um mercado já saturado, ainda há muito espaço no mercado de assessoria. Além de toda a consolidação que vai seguir acontecendo entre os players, ainda observamos uma fatia muito grande dos investidores nos grandes bancos, que deve sair. Brinco com os meus sócios que vamos olhar para trás em 10 anos e vamos pensar: em 2024 ainda era tudo mato”, diz Thaissa, ao NeoFeed.

Neste momento, a equipe é composta por oito pessoas. Com o relacionamento dos sócios e bankers, a Astra pretende tombar uma carteira de cerca de R$ 500 milhões até o fim deste ano. A meta é chegar a R$ 1,5 bilhão até o fim de 2025, com a contratação de mais gente no time comercial.

A proposta é dar um atendimento mais private aos clientes, tanto para pessoas físicas como jurídicas, com uma abordagem personalizada e diversificada na gestão de investimentos, incluindo planejamento financeiro e consultoria de seguros. O público-alvo são clientes com pelo menos R$ 1 milhão em liquidez, mas também há uma mesa digital para tíquetes menores.

A Astra Capital acredita que o mercado de assessoria deve passar por uma grande transformação a partir de novembro com a entrada em vigor de regras de transparência da CVM, que vão mostrar o diferencial de trabalho de assessores mais qualificados e que têm de fato experiencia em wealth management, e não apenas na venda de produtos.

“Tenho certeza de que muitos clientes ficarão frustrados quando entenderem que seus assessores indicam produtos que não fazem sentido para a carteira, somente para o bolso dos próprios assessores. Acreditamos que isso será uma oportunidade, pois estaremos de braços abertos para receber esses clientes e fazer o correto para o patrimônio deles”, afirma Thaissa.



Fonte: Neofeed

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As “barbeiragens” dos carros sem motorista colocam o mercado em xeque

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A General Motors anunciou, nesta terça-feira, 23 de julho, que está adiando indefinidamente a produção de seu veículo autônomo Origin, que vinha sendo utilizado como táxis-robôs pela unidade Cruise da fabricante americana.

O anúncio não surpreendeu, pois a empresa já havia interrompido temporariamente a produção do Origin em novembro, para investigar um acidente ocorrido em São Francisco, no qual um pedestre foi arrastado por seis metros por um táxi-robô depois de ter sido atropelado por outro veículo.

A montadora anunciou que a unidade Cruise vai se concentrar agora nos testes de táxis-robôs produzidos a partir de uma a nova geração do Chevrolet Bolt – marca que havia sido descontinuada, mas que a Cruise tem usado há vários anos para o desenvolvimento de veículos autônomos.

A CEO da GM, Mary Barra, que preside o conselho da Cruise, disse em uma carta aos acionistas que a mudança reduzirá os custos da unidade e “abordará a incerteza regulatória” em torno da falta de controles manuais dos veículos, como volante ou pedais.

Uma investigação terceirizada sobre o incidente de outubro do ano passado descobriu que questões culturais, inépcia e má liderança alimentaram descuidos que levaram ao acidente. O estudo também investigou as alegações de encobrimento por parte da liderança de Cruise, mas não foram encontradas provas que apoiassem essas alegações.

Desde então, a GM demitiu cerca de um quarto dos funcionários da Cruise, criou uma posição de diretor de segurança e trouxe novos executivos para comandar a divisão. Além disso, reiniciou os testes de táxis-robôs do Bolt em Dallas, Houston e Phoenix.

A Cruise, uma startup sediada em São Francisco adquirida pela GM em 2016, perdeu a licença dos reguladores da Califórnia para usar os táxis-robôs no estado. A CEO havia dito anteriormente que a Cruise poderia gerar US$ 50 bilhões em receita anual até 2030. A empresa, que recebeu participação minoritária da Honda, acumula prejuízos de mais de US$ 8 bilhões desde 2017.

Avanço lento

O anúncio da GM reforça a percepção do avanço lento no desenvolvimento de carros autônomos, que movimentaram US$ 1 trilhão de investimentos, com resultados ainda insatisfatórios.

Após testes bem-sucedidos em 2019 e entrada em operação em 2020, os veículos autônomos estavam sendo aclamados como o futuro dos transportes. Desde o ano passado, acidentes, ações judiciais, demissões, falhas de software, carros parados nas estradas e um fluxo constante de más relações públicas afetaram o segmento.

A força motriz por trás dos veículos autônomos é a inteligência artificial (IA), mas os algoritmos atuais carecem da compreensão e do raciocínio humanos necessários para o contexto durante a condução.

De acordo com especialistas, estes veículos devem ser capazes de raciocínio contrafactual – avaliando cenários hipotéticos e prevendo resultados potenciais. Boa parte dos acidentes expõe essa falha, principalmente em condições com iluminação variável (nem clara nem escura), no nascer ou no pôr do sol.

Hoje, as três empresas que disputam o mercado de veículos autônomos – Waymo, Cruise e Tesla – estão sob investigação por questões de segurança. Todas vêm enfrentando dificuldades que estão arranhando sua imagem.

A Waymo, empresa da holdig Alphabet, controladora do Google, opera um serviço de táxis-robôs em São Francisco, Phoenix e Los Angeles equipados com sensores e software que controlam a direção. Embora seus carros não tenham contribuído para quaisquer acidentes fatais conhecidos, os reguladores dos EUA continuam investigando a sua condução por vezes errática.

Em meio aos pequenos acidentes provocados em São Francisco, o fato de os veículos autônomos não terem motorista tem gerado atos de vandalismo contra a crescente frota de táxis-robôs da Waymo.

Este mês, a empresa do Vale do Silício entrou com duas ações judiciais, exigindo indenizações por danos causados por supostos vândalos. Num deles, uma mulher, Ronaile Burton, foi acusada de cortar intencionalmente os pneus de 19 veículos Waymo – incluindo alguns que estavam ocupados por passageiros – ao longo de três dias no fim do mês passado em São Francisco.

A Tesla está sob escrutínio após um recall de 2 milhões de veículos nos EUA devido a preocupações com a função de piloto automático de seus modelos elétricos, que não são autônomos. O piloto automático foi criado para ajudar o motorista em manobras como direção e aceleração.

A falha levantou dúvidas sobre os avanços da Tesla no segmento de carros autônomos. Desde 2020, o CEO da companhia, Elon Musk, vem prometendo lançar táxis-robôs, mas os anúncios acabam sendo adiados. No início deste ano, Musk prometeu apresentar o robo-táxi da Tesla em 8 de agosto, mas sinalizou, na semana passada, que a montadora levaria mais tempo para incorporar uma mudança de design.

Os testes com o mais recente modelo de veículo autônomo desenvolvido pela montadora – a nova versão Beta 12.4 do FSD (Full Self-Driving, “Direção Totalmente Autônoma”, em português) – apresentou avanços, mas expôs uma folha constrangedora: o software baseado em câmera nem sempre consegue evitar o veículo autônomo de trafegar na contramão.



Fonte: Neofeed

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Wiz “esnoba” oferta de US$ 23 bilhões de dona do Google

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Tempo de Leitura:2 Minuto, 29 Segundo


Recusar uma oferta de compra de US$ 23 bilhões proveniente da Alphabet, controladora do Google, não é das decisões mais fáceis de se tomar. Mas foi isso o que a startup de cibersegurança nova-iorquina Wiz fez.

Do lado do Google, a aquisição seria a maior de sua história e deveria complementar sua oferta de segurança, em uma longa tentativa de alcançar a Microsoft e a Amazon no concorrido mercado de serviços em nuvem. Nesse cenário, a Wiz se uniria a Mandiant, que foi adquirida pela Alphabet há dois anos por US$ 5,4 bilhões, como um reforço nesta vertente.

A oferta que o Google fez à Wiz quase dobrou a avaliação da última rodada de captação da startup, que havia elevado o seu valuation para US$ 12 bilhões. Em maio, a companhia atraiu investidores como Andreessen Horowitz, Lightspeed Venture Partners e Thrive Capital e levantou US$ 1 bilhão.

Porém, a startup, que escaneia dados guardados nos sistemas de armazenamento, buscando e removendo riscos à segurança dessas informações, achou que poderia valer mais se seguisse por outro caminho, o do IPO.

“Recusar ofertas tão significativas é difícil, mas com nossa equipe excepcional, sinto confiança ao fazer essa escolha”, disse Assaf Rappaport, CEO da Wiz, em um memorando acessado pela Bloomberg News.

Além de mirar um valuation “melhor”, a companhia mostrou preocupações com um possível processo regulatório de aprovação demorado. A falta de acordo sobre a permanência da Wiz como uma unidade separada dentro do Google ou integrada ao seu negócio de nuvem também foi um problema, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg e pelo The Wall Street Journal.

O empreendedor ainda afirmou que os próximos passos da empresa são alcançar US$ 1 bilhão em receita no próximo ano e então abrir seu capital na bolsa de valores. A startup teria atingido uma receita de US$ 500 milhões em 2023.

“A validação vista após a notícia chegar ao mercado apenas reforça nosso objetivo de criar uma plataforma que tanto equipes de segurança quanto de desenvolvimento amam”, disse o CEO da Wiz no memorando.

Fundada em 2020, a Wiz levou pouco tempo para se tornar uma das empresas mais promissoras no segmento de segurança para computação em nuvem. Na visão de especialistas e investidores, o crescimento acelerado da companhia se deve ao nicho escolhido, que ainda é pouco explorado e conta com uma base de clientes afortunados.

Esta é a segunda aquisição frustrada da Alphabet em menos de seis meses. No início deste ano, o Google estava examinando a compra da empresa de software HubSpot, avaliada em cerca de US$ 25 bilhões. Diferentemente da história com a Wiz, o Google tomou a decisão de não seguir com o negócio, devido a preocupações regulatórias.

Apesar dos acordos não concluídos, a empresa está mostrando sinais de crescimento de sua unidade de nuvem e reportou lucro no segmento pela primeira vez em 2023. E parece que a compra da Mandiant ajudou a chegar nesses números.



Fonte: Neofeed

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