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Ennui, a emoção “blasé” do filme “Divertida Mente 2”, reacende o debate sobre tédio e mídias digitais

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Ennui, a emoção
Tempo de Leitura:9 Minuto, 16 Segundo


Letárgica e indiferente, ela está sempre largada no sofá. Raras situações são interessantes o bastante para fazê-la desviar a atenção do celular. E, quando se digna a levantar a cabeça, revira os olhos, boceja e responde com piadas sarcásticas e críticas ácidas; quando não, com irritação.

Seu nome vem do francês — Ennui, tédio. E ela é uma das quatro novas emoções do filme Divertida Mente 2, em cartaz nos cinemas brasileiros. Junto com a Ansiedade, a Vergonha e a Inveja, marca a chegada da menina Riley à adolescência.

Com a silhueta inspirada em um fio de espaguete amolecido, moletom e meias, fisionomia e postura de quem está profundamente aborrecida, a personagem da Pixar reacende o debate sobre a relação entre o tédio e as mídias digitais — e vice-versa.

E uma das vozes mais ativas da nova ciência sobre o sentir-se enfadado é Tina Kendall, professora associada de cinema, mídias e estudos da comunicação na Universidade Anglia Ruskin, em Cambridge, na Inglaterra, e PhD em teoria da crítica pela Universidade da Califórnia, em Davis, nos Estados Unidos.

“Embora o entretenimento em rede seja amplamente promovido como uma ‘cura’ para o tédio, as últimas pesquisas mostram que quanto mais usamos essas tecnologias para nos distrairmos, mais entediados corremos o risco de ficar”, diz ela, em conversa com o NeoFeed. “É o tédio que alimenta e sustenta nosso envolvimento com essas plataformas e aplicativos.”

Não à toa Ennui vive grudada em seu smartphone.

Enquanto todas as outras emoções devem ir até o “centro de comando”, instalado no cérebro de Riley, a apática Ennui, com o dom de não dar a mínima, faz tudo de seu aparelho, rolando o feed sem parar.

“O tédio prospera com a repetição”, defende Tina. “A estimulação da repetição pode criar um ciclo de feedback negativo de tédio cada vez mais superficial — uma forma de tédio que continua ressurgindo, mas, que nunca cria raízes o suficiente para ‘amadurecer’ em reflexão ativa.”

Apesar de sua atitude blasé (e por causa dela), Ennui protege Riley. Ajuda a baixar a intensidade (sempre elevada) das emoções típicas da vida aos 13 anos. E procura manter a adolescente distante de tudo o que não vale seu tempo e sua energia ou que possa lhe causar embaraço — inclusive de seus pais.

“O paradoxo é que, embora o entretenimento em rede seja amplamente promovido como uma “cura” para o tédio, o tédio permeia toda a cultura digital”, diz a professora Tina Kendall

No livro “Out of My Skull: The Psychology of Boredom”, de 2020, os psicólogos John Eastwood e James Danckert defendem que o tédio serve como uma espécie de alerta de que o que quer que estejamos fazendo não está funcionando. Que estamos falhando em satisfazer nossa necessidade psicológica básica de nos sentirmos engajados e eficazes (Crédito: Reprodução psychwire.com e jamesdanckert.com)

O psicanalista britânico Adam Phillips classifica o tédio como “aquele estado de animação suspensa em que as coisas começam e nada começa, o clima de inquietação que contém o desejo mais absurdo e paradoxal, o desejo de um desejo” (Crédito: Reprodução thebrick.keble.net)

A escritora e ensaísta americana Susan Sontag (1933-2004) defendia: “A vida de uma pessoa criativa é conduzida e controlada pelo tédio. Evitá-lo é um dos objetivos mais vitais para nós” (Crédito: Reprodução britannica.com)

Para o poeta português Fernando Pessoa (1888-1935), “não é o tédio a doença do aborrecimento de nada ter que fazer, mas a doença maior de se sentir que não vale a pena fazer nada (Crédito: Reprodução wikimidia.org)

Como um dos primeiros pensadores a refletir sobre a vida moderna, o sociólogo alemão Georg Simmel (1858-1918), dizia que o tédio não era uma “questão pessoal, mas um sintoma moderno, enraizado na industrialização” e que a atitude “blasé” funcionava como uma espécie de proteção contra o frenesi da vida na cidade (Crédito: Reprodução ringmar.net)

“Não admira, pois, que o mundo vá de mal a pior e que os males aumentem cada vez mais (…) o tédio é a raiz de todo o mal (…) Os deuses estavam entediados, pelo que criaram o homem. Adão estava entediado por estar sozinho, e por isso foi criada Eva. Assim o tédio entrou no mundo e aumentou na proporção do aumento da população”, defendia o filósofo dinamarquês Søren Kierkegaard, no século 19 (Crédito: Reprodução wikimidia.org)

No filme da Pixar, a atriz francesa Adèle Exarchoupolos, de 31 anos, dubla Ennui, para dar ao tédio um ar mais “cool” (Crédito: Reprodução Instagram @adèleexarchoupolos)

O homem antigo não se entediava — talvez, a nobreza e o clero, em momentos muito específicos, deflagrados por causas evidentes. O tédio existencial, aquele “de se sentir que não vale a pena fazer nada”, como definia o poeta português Fernando Pessoa… esse tédio nasce como conceito no início do século 19, na efervescência das descobertas e invenções que embasariam os avanços tecnológicos do século 20.

Desde então, pensadores de todas as áreas do conhecimento debatem o papel do sentimento no desenvolvimento humano (veja nas imagens acima o que alguns deles disseram a respeito do tema).  A crença predominante hoje em dia é a de que o tédio pode ser tanto positivo quanto negativo.

E aqui a definição do psicanalista britânico Adam Phillips dá a dimensão das possibilidades abertas por “aquele estado de ânimo suspenso (…) o clima de inquietação difusa que contém o desejo mais absurdo e paradoxal, o desejo de um desejo”.

O “desejo de um desejo” que não sabemos qual é e muito menos como satisfazê-lo.

“O tédio pode levar a comportamentos prejudiciais, como a ‘rolagem compulsiva’ das telas e o tempo perdido nessa atividade, ou servir como um apelo à ação, para que nos engajemos mais ou para que tentemos algo diferente”, diz Tina.

Veja a seguir, os principais trechos da entrevista da pesquisadora da Universidade Anglia Ruskin ao NeoFeed:

Como o tédio modula o conteúdo e o uso das novas mídias?
Na minha próxima monografia, Entertained or Else: Boredom and Networked Media, a ser publicada em 2025, avalio como o tédio vem sendo cada vez mais instrumentalizado para impulsionar o envolvimento das pessoas com o entretenimento em rede. Foco, sobretudo, em como o tédio foi direcionado em dois níveis: o discursivo e o técnico.

Como se dá o nível discursivo?
A cultura de rede coloca o tédio como uma ameaça oculta e apresenta o streaming de entretenimento e as plataformas de mídia social como ferramentas para ajudar os indivíduos a “administrar” o “problema do tédio”. Constantemente nos informam que, se baixarmos o software e os aplicativos certos e se seguirmos os feeds indicados, nunca mais ficaremos entediados.

E o que acontece do ponto de vista técnico?
Essas plataformas e programas foram projetados para automatizar nossos gestos — para que cliquemos ou deslizemos as telas antes que tenhamos tempo de perceber que estamos entediados. O tempo necessário entre o tédio se transformar em uma reflexão consciente e a tomada de decisão tem sido significativamente reduzido.

Ou seja, quanto mais entediados nós nos sentimos, melhor para as empresas de tecnologia.
Claro! O paradoxo é que, embora o entretenimento em rede seja amplamente promovido como uma “cura” para o tédio, o tédio permeia toda a cultura digital. O tédio é o sentimento que alimenta e sustenta nosso envolvimento com as plataformas e os aplicativos, nos entediando ainda mais e produzindo receita para as corporações de mídia social e de streaming.

Você pode dar um exemplo de como esse processo funciona na prática?
Veja o que aconteceu durante a pandemia do novo coronavírus. O TikTok capitalizou explicitamente a ameaça do tédio durante o isolamento social — o que alimentou a ascensão meteórica da plataforma. Com o desafio #BoredInTheHouse, o TikTok conseguiu consolidar uma conexão forte com os usuários. O tédio foi e é até hoje um fator chave no sucesso da plataforma.

Devemos levar o tédio a sério, como um instrumento para nos abrirmos a novos desejos, novas experiência e novos futuros

Como o entretenimento em rede aumenta ainda mais o tédio?
O tédio prospera com a repetição. Veja, para sair do tédio, é preciso uma mudança, algo novo que nos faça pensar, ser ou fazer de modo diferente. A estimulação da repetição pode criar um
ciclo de feedback negativo de tédio cada vez mais superficial — uma forma de tédio que continua ressurgindo, mas, que nunca cria raízes o suficiente para “amadurecer” em reflexão ativa. O tédio está, portanto, ligado a experiências mais amplas daquilo que Tung-Hui Hu [escritor americano] chama “letargia digital”: sentimentos de exaustão, decepção, falta de objetivo e dissociação que as plataformas digitais podem produzir.

Mas, afinal, quais são especificamente os perigos do tédio?
Todos nós sentimos tédio em nossas vidas cotidianas. Muitas vezes vivenciamos esse sentimento como uma experiência desagradável — não saber o que fazer ou não poder fazer o que queremos nos dá a sensação de que estamos presos no momento. O tédio crônico, porém, pode se transformar em um problema sério. Os estudos mais recentes sugerem uma forte correlação entre a tendência ao tédio e os comportamentos de risco, como o vício em jogos de azar.

E quais são os aspectos positivos?
O tédio desempenha um papel importante em nosso desenvolvimento, nos dando o tempo necessário para descobrirmos o que desejamos e o espaço para experimentemos fazer as coisas de outra forma. Por isso, o tédio é apontado por muitos como a porta de entrada para a criatividade. Devemos levá-lo a sério, como um instrumento para nos abrirmos a novos desejos, novas experiências e novos futuros. É muito fácil presumir que as tecnologias digitais colonizaram completamente o tempo e o espaço que costumávamos ter para o tédio. Meu trabalho tenta mostrar como os sentimentos de tédio se relacionam com as mídias sociais, nem todas negativas.

Não?
Um método que eu costumo adotar é rastrear hashtags e descritores com temas relacionados ao tédio em plataformas de mídia social, como YouTube e TikTok. E, olhando para os comportamentos e expressões que essas hashtags incentivam, vemos como o tédio pode de fato encorajar as pessoas a experimentar criativamente novas formas de fazer, ser e viver —mesmo que essas mudanças sejam fortemente influenciadas pelas tendências e normas das plataformas. Os tutoriais do Youtube sobre “o que que fazer quando você está entediado”, por exemplo. Graças a iniciativas como essa, foram criados espaços de intimidade e solidariedade para que os jovens compartilhem seus desejos e frustrações.

Como você avalia o sotaque francês da personagem Ennui, em Divertida Mente 2?
Também acho curioso! Tem havido muita discussão em fóruns da internet sobre porque Ennui tem sotaque francês. Claramente a escolha da atriz francesa Adèle Exarchoupolos, para dublar a personagem, segue a decisão da Pixar de usar a palavra “ennui” em vez do termo em inglês “boredom”. A palavra francesa carrega conotações de cansaço e aborrecimento com o mundo. O termo em francês tem ainda uma espécie de prestígio cultural. Ennui  exala o que os franceses chamam de “je m’em foutisme”, a arte de não dar a mínima. E essa indiferença, digamos, cool, ajuda a modular as outras emoções da adolescente, estabelecendo, quando necessário, uma distância entre ela e o mundo.





Fonte: Neofeed

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Howard Marks não vê excessos na Bolsa dos EUA, mas dá crédito para um outro investimento

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Howard Marks não vê excessos na Bolsa dos EUA, mas dá crédito para um outro investimento
Tempo de Leitura:2 Minuto, 6 Segundo


Em um ano marcado por quebra de recordes dos índices nos Estados Unidos, com as empresas de tecnologia vendo seus valuations em patamares bastante elevados, invariavelmente começam a surgir dúvidas entre investidores sobre se o mercado não estaria passando por excessos, com o surgimento de uma bolha.

Para Howard Marks, cofundador da Oaktree Capital, gestora que conta com US$ 192 bilhões em ativos sob gestão, ainda que o mercado americano esteja aquecido, e alguns setores registrem valuations e múliplos esticados, a situação não se mostra problemática.

“No momento, não vejo grandes excessos na economia americana ou nos mercados”, disse ele na quarta-feira, 24 de julho, em participação, via videoconferência, em painel no evento Avenue Connection, em São Paulo. “Não vejo excesso de otimismo, não vejo muitos setores superaquecidos na economia.”

Conhecido por ter dedicado parte da sua carreira ao estudo dos ciclos de mercado, tendo lançado um livro em 2018 sobre o tema, Marks afirmou que o P/L das bolsas americanas está “um pouco alto” em relação ao que já foi visto antes, com o múltiplo do S&P 500 cerca de 20% acima da média histórica o que, para ele, não se trata de algo preocupante.

A percepção de que o mercado americano poderia estar passando por um excesso de euforia vem do bom desempenho das empresas de tecnologia. Mas Marks destacou que, nos outros segmentos, as ações não estão com valuations muito elevados.

“Não é que as ações estão baratas, não estão, elas estão altas, mas não em um patamar que devemos nos preocupar”, afirmou.

Outro ponto que Marks busca identificar para ver se há excessos no mercado é o sentimento dos investidores e, segundo ele, o que se vê é cautela, com preocupações sobre questões geopolíticas e os rumos da economia.

Mesmo vendo as ações em patamares razoáveis, Marks entende que as principais oportunidades em termos de retorno estão no mercado de crédito. “Os retornos previstos estão nos maiores patamares vistos em tempos e em patamares satisfatórios em termos absolutos”, disse.

No momento em que os juros estão em patamares elevados, com o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) revertendo a frouxa política monetária adotada para combater a crise financeira de 2009, Marks enxerga uma série de oportunidades no mercado, desde títulos mais seguros até papéis high yield, e vê a possibilidade de retornos na casa dos dois dígitos, algo impensável há décadas atrás.

“Os retornos estão altos e podem ser conseguidos de forma relativamente tranquila”, afirmou.



Fonte: Neofeed

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“Veterana” do saneamento vai investir R$ 333 milhões e mira novas concessões

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“Veterana” do saneamento vai investir R$ 333 milhões e mira novas concessões
Tempo de Leitura:5 Minuto, 29 Segundo


À frente da Águas do Brasil, a mais antiga empresa privada de saneamento em operação no País, o presidente Claudio Abduche não hesita em revelar qual o maior desafio do grupo, fundado há 25 anos: acelerar os investimentos no Bloco 3 da concessão da Cedae, no Rio de Janeiro, que opera há dois anos em parceria com a Vinci Partners sob a marca Rio+Saneamento.

Em entrevista ao NeoFeed, Abduche revela que a Rio+Saneamento vai investir R$ 333,7 milhões este ano em tratamento de esgoto e água de 18 municípios do Rio, incluindo 24 bairros da Zona Oeste carioca, com previsão de inaugurar nove estações de tratamento esgoto e água até 2026.

O foco dos investimentos no bloco é maior na capital fluminense, onde atua numa região com forte presença de milícias e índices de universalização mais desafiadores para o grupo, que opera 15 concessões e duas unidades industriais em 32 municípios nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, atendendo 5,2 milhões de pessoas.

“O Bloco 3 é mais complexo, atuamos numa área que tinha historicamente o índice mais elevado de inadimplência da Cedae e com baixo índice de fornecimento de água”, afirma Abduche.

Segundo ele, as outras concessões do grupo têm níveis de universalização mais maduros. “Daí o investimento elevado na área operacional do Bloco 3, além de campanhas da área comercial de cadastramento dos clientes.”

O executivo assegura que o fato de a região sob concessão na capital fluminense ter forte presença da milícia não chega a impactar na prestação do serviço.

A estratégia adotada foi procurar as lideranças comunitárias e mostrar os benefícios de fornecer água tratada, trocar a rede antiga e ampliar a coleta de esgoto. “Usamos nossa experiência no setor, com diálogo e paciência estamos conseguindo avançar”, revela.

As nove Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) previstas têm recebido atenção especial do grupo. Elas estão em diversas etapas de obra, algumas em fase de licenciamento e outras já iniciadas, e vão beneficiar 2,5 milhões de pessoas, na capital e no interior.

Levantamento do Ministério das Cidades indica que, quatro anos depois da aprovação do Marco Regulatório do Saneamento, a coleta e tratamento de esgoto representam o grande gargalo para atingir as metas de universalização – 99% da população com abastecimento de água e 90% com esgotamento sanitário até 2033.

De 2019 a 2022, a proporção do esgoto tratado no País passou de 49% para 52%. Ao todo, 90 milhões de brasileiros ainda não têm acesso a coleta de esgoto, e 32 milhões a água potável. “A maior carência do Brasil hoje é a parte de coleta e tratamento de esgoto, mesmo porque a rede no Brasil foi quase inteiramente uma obra do século XIX”, diz Abduche.

Avanço com Marco

Para o executivo da Águas do Brasil, a entrada em vigor do marco regulatório causou ao menos três efeitos positivos: atraiu investimentos do mercado de capitais, obrigou as empresas estaduais de saneamento a buscarem financiamento para cumprir as metas e, o mais importante, trouxe segurança jurídica ao setor.

Mesmo assim, ele adverte que vai ser difícil para muitas estatais de saneamento conseguirem chegar perto das metas determinadas pelo marco, por causa das dificuldades financeiras do poder público num cenário de juros elevados.

Um estudo do Instituto Trata Brasil divulgado este mês prevê que a universalização do saneamento no Brasil só acontecerá em 2070, considerando o ritmo atual de melhorias no setor.

“As licitações para concessões, por exemplo, precisam avançar com mais rapidez”, adverte Abduche, lembrando que regiões com grande população – como Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina – não definiram o modelo ou seguem atuando com empresas estatais de saneamento.

Claudio Abduche, presidente da Águas do Brasil

O executivo admite que Águas do Brasil está atenta ao calendário de licitações que está sendo modelado pelo BNDES. Do ponto de vista financeiro, não há grandes restrições para a expansão da empresa. Em 2023, o grupo registrou R$ 2,5 bilhões em receita líquida. O Ebitda da companhia atingiu R$ 650 milhões, um crescimento de 16% em relação a 2022.

Em fevereiro, a Rio+Saneamento captou R$ 4,65 bilhões por meio da emissão de debêntures (títulos de dívida) e empréstimo junto ao BNDES. O montante servirá para pagar o empréstimo-ponte que permitiu quitar as duas primeiras parcelas da outorga fixa do Bloco 3 — pouco mais de R$ 1,8 bilhão do total de R$ 2,2 bilhões devidos ao governo do Rio —, mas também para investimentos na rede que administra.

Essa captação liberou a Águas do Brasil para mirar novos negócios. Sergipe, que deve anunciar licitação para concessão de saneamento em agosto, interessa ao grupo. “É o mesmo modelo da desestatização da Cedae, só que em um bloco só”, afirma executivo.

Outros estados do Nordeste, como Maranhão, Paraíba e Pernambuco, também estão avaliando com o BNDES eventuais licitações de concessão que podem atrair a Águas do Brasil. Ele também cita concessões municipais, em especial com cidades acima de 250 mil habitantes, como uma frente de oportunidades que está se abrindo.

“O mercado de concessões municipais não andou até recentemente porque havia uma queda de braço de quem é o poder concedente, estado ou o município”, afirma. Uma resolução do STF de que o poder concedente tem de ser negociado entre os dois entes, facilitou destravar essa opção.

PPPs e privatizações

Abduche diz que outros modelos de negócios não estão na agenda do grupo. “Temos restrições para parcerias público-privadas (PPP), principalmente quando a empresa estatal delega as obras para o concessionário, preferimos uma PPP onde temos um mínimo de operação comercial favorável”, diz.

Quanto às privatizações, Abduche revela que a Águas do Brasil não se interessou pelo certame da Sabesp, que adotou o formato de follow on – com concessão de uma parcela de 15% de participação acionária e manutenção da empresa estadual com 18% das ações.

“Nosso grupo entende que consegue agregar mais no modelo de concessão, entramos numa cidade onde colocamos nossa experiência de operação e da área comercial, é assim que conseguimos reverter o negócio”, diz. Mesmo assim, o executivo elogia a atuação do governador Tarcísio de Freitas em levar adiante o processo da Sabesp.

“Deve estimular outros governadores a estudarem a privatização como saída, mas o que marcou nesse caso foi estratégia de incluir a rápida obtenção da universalização de água e esgoto no contrato”, diz Abduche. “No fim, mostrou que a Sabesp, a maior empresa da América Latina, está comprometida em cumprir as metas do marco do saneamento. Não deixa de ser um alerta.”





Fonte: Neofeed

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Na bolsa americana, big techs seguem com fôlego, mas há oportunidades “embaixo da superfície”

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Na bolsa americana, big techs seguem com fôlego, mas há oportunidades “embaixo da superfície”
Tempo de Leitura:2 Minuto, 21 Segundo


Diante da expectativa de que os cortes de juros finalmente começarão a acontecer nos Estados Unidos e com os índices acionários registrando forte crescimento, muitos gestores começaram a reavaliar suas posições no mercado de renda variável americano, que, nos últimos anos, viu o setor de tecnologia ganhar bastante força.

Para Marina Valentini, estrategista de mercados globais da J.P. Morgan Asset, esse cenário abre espaço para buscar oportunidades “embaixo da superfície do S&P 500”, considerando que muitas companhias do índice estão com seus valuations perto da média histórica. Mas isso não significa necessariamente que as big techs devem perder relevância ou o interesse dos investidores.

“Muitos analistas começam a falar numa rotação para setores mais cíclicos, como indústria, energia, bancos”, disse ela na quarta-feira, 24 de julho, durante painel no evento Avenue Connection, que está sendo promovido pela corretora Avenue, em São Paulo. “A gente acha que isso vai acontecer, mas não necessariamente às custas do setor de tecnologia.”

Segundo Valentini, as chamadas Magníficas Sete – Alphabet, Amazon, Apple, Meta, Microsoft, Nvidia e Tesla – têm motivo para serem consideradas magníficas, ao representarem cerca de 33% do índice, 39% dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento e 23% do fluxo de caixa. Além de apresentarem boas perspectivas em termos de resultados, mesmo que isso possa ir desacelerando ao longo dos trimestres, com frustrações de curto prazo.

“Essas empresas têm muito dinheiro para investir e apresentam lucros muito fortes”, afirmou. “O mercado espera crescimento de 30% dos lucros, o que é muito bom.”

Ela destacou que muito da alta recente no mercado acionário americano foi puxada pelo entusiasmo com o tema da inteligência artificial, como pode ser visto nas fortes valorizações registradas pelas ações da Nvidia – somente nesse ano, os papéis da companhia acumulam alta de 177,4%. Em sua avaliação, esse é um tema de longo prazo, que ainda deve continuar tendo peso sobre o S&P 500.

Mas com o cenário ficando mais propício para a renda variável e as ações de tecnologia com valuations elevados, a estrategista da J.P. Morgan Asset começa a ver margem para um aumento de posicionamento em outros segmentos, com a tese do value ganhando força.

Em meio a uma economia americana ainda resiliente, ainda que apresente alguns indícios de desaceleração, Valentini afirmou que setores tradicionais demonstram força, com as ações podendo ter boa evolução.

A estrategista da J.P. Morgan Asset destaca que as companhias apresentam boas perspectivas de resultados. Segundo ela, depois de resultados baixos em 2023, a expectativa dos analistas é de um aumento média de 11% dos lucros, enquanto os cálculos das gestoras apontam para uma alta de cerca de 9%.

“A foto corporativa americana é sólida”, disse Valentini. “E vemos os analistas aumentando as expectativas para os lucros das empresas.”



Fonte: Neofeed

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