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“Je suis” Atacadão. Carrefour Brasil exporta seu atacarejo para a França

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“Je suis” Atacadão. Carrefour Brasil exporta seu atacarejo para a França
Tempo de Leitura:6 Minuto, 45 Segundo


Com uma fatia de quase 70% das vendas do Carrefour Brasil, o Atacadão é, há tempos, o carro-chefe da varejista no País. E esse status não se restringe ao mercado local. A cada trimestre, a marca de atacarejo vem merecendo cada vez mais menções nas divulgações dos resultados globais do grupo francês.

Tal posição de destaque é o passaporte para outra fronteira que o Atacadão vai começar a desbravar no “mapa-múndi” do Carrefour: a exportação do seu modelo tropical de cash & carry, a partir da inauguração da primeira loja da rede na França.

A pequena Aulnay-sous-Bois, cidade de pouco mais de 83 mil habitantes nos arredores de Paris foi o local escolhido para esse desembarque. Fruto de uma conversão de um hipermercado Carrefour, a unidade reabre suas portas, rebatizada, nesta quinta-feira, 20 de junho.

“É um orgulho ter o Atacadão como piloto de um modelo que a França e a Europa não conhecem”, diz Stéphane Maquaire, CEO do Carrefour Brasil, ao NeoFeed. “É cedo para dizer que vamos a todo vapor, mas é um primeiro passo. Essa loja abre as portas para a nossa expansão internacional.”

Antes de cumprir esse trajeto, o Atacadão acelerou em sua expansão nos últimos anos, especialmente com as conversões de lojas na trilha da aquisição do Big, anunciada pelo Carrefour Brasil em 2021. Hoje, a rede de atacarejo tem 366 lojas no País, que somam mais de 1,8 milhão de metros quadrados.

O projeto francês adiciona 10 mil metros quadrados (m²) a essa conta. Maquaire não revela o investimento na unidade, mas ressalta que o valor se equipara ao aporte feito em conversões dessa magnitude no Brasil. Conforme apurou o NeoFeed, nessa base, o montante é de aproximadamente R$ 30 milhões.

Essa cifra não marca a estreia do Atacadão fora do Brasil. Mas traduz a primeira incursão com suas “próprias pernas” no exterior. A rede chegou ao Marrocos em 2014, por meio da LabelVie. A parceira responde, porém, por todos os aportes e pela concepção e gestão das 15 franquias da bandeira no país.

A LabelVie também vai operar, no dia a dia, essa primeira unidade na França. Mas, nesse caso, além dos recursos investidos, o projeto foi 100% desenvolvido pelo Carrefour e está sendo supervisionado por Noel Prioux, que comandou a operação brasileira do grupo entre 2017 e 2021.

Sob os olhos atentos do antecessor de Maquaire, o projeto francês começou a ser gestado há 18 meses. Na época, Alexandre Bompard, CEO global do Carrefour, elegeu a iniciativa como um dos pilares do plano estratégico do grupo para o período de 2022 a 2026.

Saída à francesa

Com visitas periódicas de executivos da matriz ao Brasil, a varejista previa inaugurar a loja francesa em 2023. Mas alguns obstáculos obrigaram o grupo a recalcular esse roteiro. A começar pela transferência do projeto da cidade de Sevran, também na Grande Paris, para Aulnay-sous-Bois.

Houve resistência nos dois casos. Em abaixo-assinados, moradores e políticos locais alegaram, entre outros pontos, que a loja traria um mix menos diversificado e prejudicaria o comércio local. A iniciativa só recebeu o sinal verde quando foi encampada por Bruno Beschizza, prefeito de Aulnay-sous-Bois.

“Eu entendo esse receio. Nós convertemos um hipermercado para uma marca desconhecida e, na Europa, há uma percepção de que o modelo de cash & carry oferece menos qualidade”, diz Maquaire. “Nós fizemos pequenos ajustes, mas para o consumidor francês e não para o prefeito da cidade.”

Parte da primeira loja do Atacadão na França

Um dos ingredientes que diferem o Atacadão francês é a área de 10 mil metros quadrados. No Brasil, as unidades podem chegar, em boa parte dos casos, a um espaço máximo de 6 mil metros quadrados. O sortimento também é mais amplo. Nessa largada, serão 13 mil SKUs, contra os habituais 9 mil.

“Desse total, 4 mil serão produtos específicos desse modelo. Os 9 mil restantes envolvem itens que já ofertávamos”, afirma Maquaire. “Os produtos frescos, por exemplo, têm muito mais relevância para o consumidor francês do que para o cliente brasileiro.”

Nesse balanço, cerca de 70% dos produtos alimentares serão de origem francesa. Os itens de marca própria terão uma faria de 25% no mix da loja, que, em sua operação, incluindo centros de distribuição, empregará 400 funcionários, um volume similar ao hipermercado que funcionava no mesmo endereço.

No rastro da inflação

Apesar desses ajustes, a abertura da loja vem embalada por um discurso que já foi validado no avanço recente das redes de atacarejo no Brasil, ocupando parte do espaço dos hipermercados. E que, na visão do Carrefour, dialoga com um contexto similar vivido atualmente pelo consumidor francês.

“Como muitos países, a França está sofrendo com uma inflação alta, que está corroendo o poder de compra dos consumidores”, diz Maquaire. “Vemos o Atacadão como uma boa resposta a esse contexto e, assim como fazemos no Brasil, vamos oferecer preços de 10% a 15% menores que o varejo local.”

Com esse conceito, os atacarejos começaram a ganhar mais corpo no Brasil a partir da crise de 2015. Da oferta antes voltada a pequenos comerciantes, o modelo evoluiu como uma opção também para os consumidores, que passaram a buscar alternativas que coubessem em seus orçamentos mais restritos.

Nesse contexto, players como Atacadão e Assaí investiram em melhorias na apresentação das lojas e na ampliação do mix, sem perder de vista o mantra de eficiência e preço. E avançaram além das zonas periféricas, onde o formato se popularizou, para regiões mais adensadas e centrais das grandes cidades.

O fato de atender tanto os consumidores como clientes B2B foi um dos elementos que diferenciaram o atacarejo brasileiro das lojas de descontos, formato que inspirou o cash & carry tropical e que foi difundido, em diferentes versões, na Europa e nos Estados Unidos.

Nessa primeira investida do Atacadão na França, já na largada, o Carrefour estruturou um time de dez profissionais com experiência no trade-in para atender o B2B e desenvolver uma base de clientes também entre os restaurantes, cafés, bares, pequenos mercados e afins.

“No Brasil, uma loja do Atacadão leva, em média, três anos para atingir sua maturidade de vendas”, diz Maquaire. “Nossa ideia não é ficar nesse piloto. Em setembro já teremos uma primeira luz do que precisamos ajustar para abrir outras lojas. Primeiro na França. Depois, veremos os próximos passos.”

Nessa provável expansão, o Atacadão pode encontrar pela frente diversos varejistas cujos modelos apostam em variações do formato de descontos agressivos. Entre elas, a francesa Leclerc e as alemãs Aldi e Lidl.

“O atacarejo é uma invenção brasileira e pode, sim, funcionar na Europa”, diz Alberto Serrentino, sócio da consultoria Varese Retail. “O Carrefour tem um domínio grande desse modelo, pela curva de aprendizado com o Atacadão, e consegue replicar as premissas que deram certo no Brasil.”

Ele aponta, porém, algumas pedras no caminho para que a rede ganhe escala na França. Além da resistência das comunidades locais, a regulamentação bastante complexa para obter licenças em novos projetos desse porte, que exigem grandes áreas, é um dos entraves a serem superados.

“Entretanto, se o modelo se mostrar, de fato, assertivo, uma saída é a conversão de hipermercados de baixo desempenho e baixo crescimento do grupo”, afirma Serrentino. “Essa mesma estratégia já foi aplicada no Brasil pelo próprio Carrefour e também pelo Assaí.”

Na França, o parque potencial de hipermercados do Carrefour à disposição para eventuais conversões não é pequeno. Atualmente, essa rede compreende 253 unidades. Na Europa, são 469 lojas do grupo nesse espaço.

Com esse e outros formatos, o Carrefour reportou vendas totais de € 22,1 bilhões no primeiro trimestre de 2024, alta anual de 13,5%. A América Latina registrou um crescimento de 48% no período nesse indicador, para € 6 bilhões. O grupo está avaliado em € 9,8 bilhões.

Avaliada em R$ 19 bilhões, a operação brasileira do Carrefour apurou vendas líquidas de R$ 24,8 bilhões entre janeiro e março, um crescimento de 1,8%. No período, as vendas do Atacadão avançaram 5,4%, para R$ 17,1 bilhões.





Fonte: Neofeed

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Howard Marks não vê excessos na Bolsa dos EUA, mas dá crédito para um outro investimento

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Howard Marks não vê excessos na Bolsa dos EUA, mas dá crédito para um outro investimento
Tempo de Leitura:2 Minuto, 6 Segundo


Em um ano marcado por quebra de recordes dos índices nos Estados Unidos, com as empresas de tecnologia vendo seus valuations em patamares bastante elevados, invariavelmente começam a surgir dúvidas entre investidores sobre se o mercado não estaria passando por excessos, com o surgimento de uma bolha.

Para Howard Marks, cofundador da Oaktree Capital, gestora que conta com US$ 192 bilhões em ativos sob gestão, ainda que o mercado americano esteja aquecido, e alguns setores registrem valuations e múliplos esticados, a situação não se mostra problemática.

“No momento, não vejo grandes excessos na economia americana ou nos mercados”, disse ele na quarta-feira, 24 de julho, em participação, via videoconferência, em painel no evento Avenue Connection, em São Paulo. “Não vejo excesso de otimismo, não vejo muitos setores superaquecidos na economia.”

Conhecido por ter dedicado parte da sua carreira ao estudo dos ciclos de mercado, tendo lançado um livro em 2018 sobre o tema, Marks afirmou que o P/L das bolsas americanas está “um pouco alto” em relação ao que já foi visto antes, com o múltiplo do S&P 500 cerca de 20% acima da média histórica o que, para ele, não se trata de algo preocupante.

A percepção de que o mercado americano poderia estar passando por um excesso de euforia vem do bom desempenho das empresas de tecnologia. Mas Marks destacou que, nos outros segmentos, as ações não estão com valuations muito elevados.

“Não é que as ações estão baratas, não estão, elas estão altas, mas não em um patamar que devemos nos preocupar”, afirmou.

Outro ponto que Marks busca identificar para ver se há excessos no mercado é o sentimento dos investidores e, segundo ele, o que se vê é cautela, com preocupações sobre questões geopolíticas e os rumos da economia.

Mesmo vendo as ações em patamares razoáveis, Marks entende que as principais oportunidades em termos de retorno estão no mercado de crédito. “Os retornos previstos estão nos maiores patamares vistos em tempos e em patamares satisfatórios em termos absolutos”, disse.

No momento em que os juros estão em patamares elevados, com o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) revertendo a frouxa política monetária adotada para combater a crise financeira de 2009, Marks enxerga uma série de oportunidades no mercado, desde títulos mais seguros até papéis high yield, e vê a possibilidade de retornos na casa dos dois dígitos, algo impensável há décadas atrás.

“Os retornos estão altos e podem ser conseguidos de forma relativamente tranquila”, afirmou.



Fonte: Neofeed

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“Veterana” do saneamento vai investir R$ 333 milhões e mira novas concessões

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“Veterana” do saneamento vai investir R$ 333 milhões e mira novas concessões
Tempo de Leitura:5 Minuto, 29 Segundo


À frente da Águas do Brasil, a mais antiga empresa privada de saneamento em operação no País, o presidente Claudio Abduche não hesita em revelar qual o maior desafio do grupo, fundado há 25 anos: acelerar os investimentos no Bloco 3 da concessão da Cedae, no Rio de Janeiro, que opera há dois anos em parceria com a Vinci Partners sob a marca Rio+Saneamento.

Em entrevista ao NeoFeed, Abduche revela que a Rio+Saneamento vai investir R$ 333,7 milhões este ano em tratamento de esgoto e água de 18 municípios do Rio, incluindo 24 bairros da Zona Oeste carioca, com previsão de inaugurar nove estações de tratamento esgoto e água até 2026.

O foco dos investimentos no bloco é maior na capital fluminense, onde atua numa região com forte presença de milícias e índices de universalização mais desafiadores para o grupo, que opera 15 concessões e duas unidades industriais em 32 municípios nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, atendendo 5,2 milhões de pessoas.

“O Bloco 3 é mais complexo, atuamos numa área que tinha historicamente o índice mais elevado de inadimplência da Cedae e com baixo índice de fornecimento de água”, afirma Abduche.

Segundo ele, as outras concessões do grupo têm níveis de universalização mais maduros. “Daí o investimento elevado na área operacional do Bloco 3, além de campanhas da área comercial de cadastramento dos clientes.”

O executivo assegura que o fato de a região sob concessão na capital fluminense ter forte presença da milícia não chega a impactar na prestação do serviço.

A estratégia adotada foi procurar as lideranças comunitárias e mostrar os benefícios de fornecer água tratada, trocar a rede antiga e ampliar a coleta de esgoto. “Usamos nossa experiência no setor, com diálogo e paciência estamos conseguindo avançar”, revela.

As nove Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) previstas têm recebido atenção especial do grupo. Elas estão em diversas etapas de obra, algumas em fase de licenciamento e outras já iniciadas, e vão beneficiar 2,5 milhões de pessoas, na capital e no interior.

Levantamento do Ministério das Cidades indica que, quatro anos depois da aprovação do Marco Regulatório do Saneamento, a coleta e tratamento de esgoto representam o grande gargalo para atingir as metas de universalização – 99% da população com abastecimento de água e 90% com esgotamento sanitário até 2033.

De 2019 a 2022, a proporção do esgoto tratado no País passou de 49% para 52%. Ao todo, 90 milhões de brasileiros ainda não têm acesso a coleta de esgoto, e 32 milhões a água potável. “A maior carência do Brasil hoje é a parte de coleta e tratamento de esgoto, mesmo porque a rede no Brasil foi quase inteiramente uma obra do século XIX”, diz Abduche.

Avanço com Marco

Para o executivo da Águas do Brasil, a entrada em vigor do marco regulatório causou ao menos três efeitos positivos: atraiu investimentos do mercado de capitais, obrigou as empresas estaduais de saneamento a buscarem financiamento para cumprir as metas e, o mais importante, trouxe segurança jurídica ao setor.

Mesmo assim, ele adverte que vai ser difícil para muitas estatais de saneamento conseguirem chegar perto das metas determinadas pelo marco, por causa das dificuldades financeiras do poder público num cenário de juros elevados.

Um estudo do Instituto Trata Brasil divulgado este mês prevê que a universalização do saneamento no Brasil só acontecerá em 2070, considerando o ritmo atual de melhorias no setor.

“As licitações para concessões, por exemplo, precisam avançar com mais rapidez”, adverte Abduche, lembrando que regiões com grande população – como Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina – não definiram o modelo ou seguem atuando com empresas estatais de saneamento.

Claudio Abduche, presidente da Águas do Brasil

O executivo admite que Águas do Brasil está atenta ao calendário de licitações que está sendo modelado pelo BNDES. Do ponto de vista financeiro, não há grandes restrições para a expansão da empresa. Em 2023, o grupo registrou R$ 2,5 bilhões em receita líquida. O Ebitda da companhia atingiu R$ 650 milhões, um crescimento de 16% em relação a 2022.

Em fevereiro, a Rio+Saneamento captou R$ 4,65 bilhões por meio da emissão de debêntures (títulos de dívida) e empréstimo junto ao BNDES. O montante servirá para pagar o empréstimo-ponte que permitiu quitar as duas primeiras parcelas da outorga fixa do Bloco 3 — pouco mais de R$ 1,8 bilhão do total de R$ 2,2 bilhões devidos ao governo do Rio —, mas também para investimentos na rede que administra.

Essa captação liberou a Águas do Brasil para mirar novos negócios. Sergipe, que deve anunciar licitação para concessão de saneamento em agosto, interessa ao grupo. “É o mesmo modelo da desestatização da Cedae, só que em um bloco só”, afirma executivo.

Outros estados do Nordeste, como Maranhão, Paraíba e Pernambuco, também estão avaliando com o BNDES eventuais licitações de concessão que podem atrair a Águas do Brasil. Ele também cita concessões municipais, em especial com cidades acima de 250 mil habitantes, como uma frente de oportunidades que está se abrindo.

“O mercado de concessões municipais não andou até recentemente porque havia uma queda de braço de quem é o poder concedente, estado ou o município”, afirma. Uma resolução do STF de que o poder concedente tem de ser negociado entre os dois entes, facilitou destravar essa opção.

PPPs e privatizações

Abduche diz que outros modelos de negócios não estão na agenda do grupo. “Temos restrições para parcerias público-privadas (PPP), principalmente quando a empresa estatal delega as obras para o concessionário, preferimos uma PPP onde temos um mínimo de operação comercial favorável”, diz.

Quanto às privatizações, Abduche revela que a Águas do Brasil não se interessou pelo certame da Sabesp, que adotou o formato de follow on – com concessão de uma parcela de 15% de participação acionária e manutenção da empresa estadual com 18% das ações.

“Nosso grupo entende que consegue agregar mais no modelo de concessão, entramos numa cidade onde colocamos nossa experiência de operação e da área comercial, é assim que conseguimos reverter o negócio”, diz. Mesmo assim, o executivo elogia a atuação do governador Tarcísio de Freitas em levar adiante o processo da Sabesp.

“Deve estimular outros governadores a estudarem a privatização como saída, mas o que marcou nesse caso foi estratégia de incluir a rápida obtenção da universalização de água e esgoto no contrato”, diz Abduche. “No fim, mostrou que a Sabesp, a maior empresa da América Latina, está comprometida em cumprir as metas do marco do saneamento. Não deixa de ser um alerta.”





Fonte: Neofeed

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Na bolsa americana, big techs seguem com fôlego, mas há oportunidades “embaixo da superfície”

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Na bolsa americana, big techs seguem com fôlego, mas há oportunidades “embaixo da superfície”
Tempo de Leitura:2 Minuto, 21 Segundo


Diante da expectativa de que os cortes de juros finalmente começarão a acontecer nos Estados Unidos e com os índices acionários registrando forte crescimento, muitos gestores começaram a reavaliar suas posições no mercado de renda variável americano, que, nos últimos anos, viu o setor de tecnologia ganhar bastante força.

Para Marina Valentini, estrategista de mercados globais da J.P. Morgan Asset, esse cenário abre espaço para buscar oportunidades “embaixo da superfície do S&P 500”, considerando que muitas companhias do índice estão com seus valuations perto da média histórica. Mas isso não significa necessariamente que as big techs devem perder relevância ou o interesse dos investidores.

“Muitos analistas começam a falar numa rotação para setores mais cíclicos, como indústria, energia, bancos”, disse ela na quarta-feira, 24 de julho, durante painel no evento Avenue Connection, que está sendo promovido pela corretora Avenue, em São Paulo. “A gente acha que isso vai acontecer, mas não necessariamente às custas do setor de tecnologia.”

Segundo Valentini, as chamadas Magníficas Sete – Alphabet, Amazon, Apple, Meta, Microsoft, Nvidia e Tesla – têm motivo para serem consideradas magníficas, ao representarem cerca de 33% do índice, 39% dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento e 23% do fluxo de caixa. Além de apresentarem boas perspectivas em termos de resultados, mesmo que isso possa ir desacelerando ao longo dos trimestres, com frustrações de curto prazo.

“Essas empresas têm muito dinheiro para investir e apresentam lucros muito fortes”, afirmou. “O mercado espera crescimento de 30% dos lucros, o que é muito bom.”

Ela destacou que muito da alta recente no mercado acionário americano foi puxada pelo entusiasmo com o tema da inteligência artificial, como pode ser visto nas fortes valorizações registradas pelas ações da Nvidia – somente nesse ano, os papéis da companhia acumulam alta de 177,4%. Em sua avaliação, esse é um tema de longo prazo, que ainda deve continuar tendo peso sobre o S&P 500.

Mas com o cenário ficando mais propício para a renda variável e as ações de tecnologia com valuations elevados, a estrategista da J.P. Morgan Asset começa a ver margem para um aumento de posicionamento em outros segmentos, com a tese do value ganhando força.

Em meio a uma economia americana ainda resiliente, ainda que apresente alguns indícios de desaceleração, Valentini afirmou que setores tradicionais demonstram força, com as ações podendo ter boa evolução.

A estrategista da J.P. Morgan Asset destaca que as companhias apresentam boas perspectivas de resultados. Segundo ela, depois de resultados baixos em 2023, a expectativa dos analistas é de um aumento média de 11% dos lucros, enquanto os cálculos das gestoras apontam para uma alta de cerca de 9%.

“A foto corporativa americana é sólida”, disse Valentini. “E vemos os analistas aumentando as expectativas para os lucros das empresas.”



Fonte: Neofeed

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