Connect with us

Negócios

O Brasil ainda ouve os sons (e os pensamentos) de Tom Jobim

Prublicadas

sobre

O Brasil ainda ouve os sons (e os pensamentos) de Tom Jobim
Tempo de Leitura:6 Minuto, 54 Segundo


Ruy Castro tem um dos mais saborosos textos das crônicas de jornais em atividade na imprensa brasileira — uma vez que Luís Fernando Veríssimo se afastou desse ofício faz algum tempo. Ruy, claro, é também um dos grandes biógrafos do Brasil, aquele que elevou o gênero a um patamar de profundidade e excelência que tem feito história, mas que continua insuperável.

Em seus projetos de contar vidas, ele bem poderia ter feito um livro sobre o maestro Tom Jobim, autor das obras-primas Chega de Saudade e Garota de Ipanema, em parceria com Vinicius de Moraes. Afinal, é o biógrafo definitivo do movimento que o consagrou, a bossa nova, no livro Chega de Saudade, de 1990.

Mas eis que ele acaba de lançar O ouvidor do Brasil – 99 vezes Tom Jobim, uma reunião de crônicas que vai deixar os fãs do maestro e os apreciadores de bons textos satisfeitos. O livro marca os 30 anos da morte do compositor.

Em entrevista exclusiva ao NeoFeed, ao ser perguntado sobre o que o leitor pode encontrar de surpresa neste volume, após tantos livros sobre a bossa nova, ele responde. “Depois dos grandes painéis, é como se agora eu estivesse vendo Tom por um microscópio — o lado menos visível dele, as preferências pessoais, os hábitos, as amizades, as manias e principalmente sua dedicação à causa do ambiente, antes que o Brasil fizesse disso uma causa.”

O autor diz que nunca pensou em escrever uma biografia de Tom ou mesmo chegou a começar porque, já tendo escrito Chega de saudade, teria de passar de novo por muitos dos trechos que tinha contado — “pelo mesmo motivo, agradeci e recusei vários pedidos das filhas do Vinicius para fazer uma biografia dele”. Além disso, “Tom não teve uma vida de altos e baixos — praticamente só teve altos, e isso inviabiliza uma biografia”.

No dia seguinte à morte dele, revela Ruy, uma editora americana ligou para Luiz Schwarcz, então dono da editora Companhia das Letras, e lhe pediu uma biografia de Tom escrita por Ruy, para ser entregue dali a seis meses.

“Eu disse ao Luiz que, tão rápido assim, pareceria uma coisa de abutre. Além disso, naqueles primeiros meses, talvez anos, Tom não teria um defeito no mundo para meus informantes. Ele concordou comigo.”

E qual teria sido o papel do maestro e compositor na bossa nova? O autor responde: “Acho que, sem João Gilberto, Tom teria chegado à bossa nova do mesmo jeito. Não seria como esta que conhecemos, mas seria sempre uma bossa nova. Da maneira como aconteceu, Tom, que já vinha naquele processo de modernização melódica e harmônica, acoplou-o à batida do violão por João Gilberto e aí saíram aquelas maravilhas.”

A antologia é dividida em quatro partes: “O ouvidor do Brasil”, “As boas histórias”, “Anos dourados” e “Vou te contar”. A primeira tem a ver com sua militância de ambientalista. Ruy justifica o título a partir de um verbete que definiu em um dicionário fictício, que talvez ainda venha a escrever um dia.

“Ouvidor. S. m. Do latim auditor, -oris; auditor, ouvinte. Aquele que ouve. Atento aos valores ambientais, urbanos, vegetais, animais, humanos e culturais, e de prontidão para defendê-los. Que ouve os sons do país, venham da floresta ou da cidade. Exemplo: Antonio Carlos Jobim”.

“Um homem em alerta”

Os textos escolhidos foram publicados originalmente entre 2007 e 2023, na sua coluna na página 2 da Folha de S. Paulo. Como o autor explica, todos tratam de Tom, o homem e o artista, e do mundo que girou tendo-o como centro. “Em alguns, a presença de Tom poderá parecer de passagem. Mas não é assim — tudo neste livro só aconteceu ou está aqui porque um dia ele existiu.”

Em 16 anos, a um ritmo de três e depois quatro textos por semana, Ruy produziu cerca de 3,5 mil crônicas para o jornal paulistano. Destas, recolhidas por sua assistente Flavia Leite, 120 falavam de Tom. Foram reduzidas a noventa, atualizadas, reescritas, dispostas em ordem mais temática do que cronológica e acrescidas de nove feitas exclusivamente para o livro.

Com 295 páginas, o livro custa R$ 69,90 (impresso) e R$ 39,90 (e-book) (Crédito: Companhia das Letras)

Ruy afirma que possíveis ecos entre uma e outra significam apenas que elas se complementam e se completam. “Tom era muitos, mas o autor é um só.”

Em textos curtos, reuniu informações e histórias de bastidores, conta como Tom mudou a história da música brasileira com a bossa nova e suas canções, juntamente como João Gilberto, que influenciaram pelo menos duas gerações de compositores. E levou o gênero para o mundo, o que a maioria dos leitores deve saber.

O que ele traz é o artista humanizado, por vezes inesperado e desconhecido, que tem como fio condutor sua relação com o Brasil, sua preocupação quanto à preservação da natureza, quando esse assunto interessava a poucos. Claro que não podiam faltar fatos inéditos, histórias de bastidores, mitos, desmentidos e informações sobre os grandes personagens da cena musical nos anos 1950 e 1960.

Difícil escolher o que citar do livro aqui. Como esta apresentação: “Escrevi certa vez que, sempre que Tom Jobim abria o piano, o mundo melhorava. De seu piano saíam mares, rios, matas, serras, montanhas, peixes, aves, formando um corpo de beleza e de eternidade em forma de canção. Era como se seu teclado estivesse sujeito aos ventos e às marés.”

Na maior parte do tempo, escreve Ruy, Tom “era um homem em alerta por cada centímetro e cada habitante, bípede, quadrúpede ou multípede da Mata Atlântica. De seu posto de observação, ele via as cidades sucumbindo ao concreto, impermeabilizadas pelo asfalto, e as matas cortadas por estradas para a passagem de um bicho predador, com carapaça de divulgação metal e sangue de gasolina”.

Tom não se queixava do Brasil, lembrou o cronista. “É o único país do mundo com nome de árvore. E não tem mais essa árvore”. Queixava-se do brasileiro, “que acorda todo dia para destruir o Brasil”. E por ter tão pouca autoestima: “O Japão é um país paupérrimo, com vocação para a riqueza. Nós somos um país riquíssimo, com vocação para a pobreza”.

O músico era um poeta-filósofo, sem dúvida. E ele se dizia tudo, menos saudosista: “De que adianta eu sentir saudade do Brasil se ninguém mais sente?”. Sem saber, sem querer e sem poder evitar, diz Ruy, Tom era um homem em permanente estado de assembleia com o Brasil.

Assim, o cronista também o descreve: “Tom foi, antes de muitos, um ouvidor do Brasil, um ombudsman por conta própria. Ninguém o contratou ou escalou para isso — ao contrário, era um voluntário da pátria.” Ruy acredita que o maestro não morreu, “e a qualquer hora dessas vamos cruzar com ele, aflito, à sombra de alguma árvore que já não está mais lá”.

Doce balanço

Ruy localizou a primeira vez que seu nome apareceu na imprensa, quando tinha sete anos e seu pai lhe dedicou um poema nas páginas da revista O Malho.

“Acho que, sem João Gilberto, Tom teria chegado à bossa nova do mesmo jeito”, diz Ruy Castro (Reprodução Instagram @companhiadasletras)

E não faltam histórias maravilhosas de bastidores, como a gravação com Frank Sinatra, que pediu a Tom para acompanhá-lo ao violão em dez faixas, para ira de João Gilberto, que explodiu contra o amigo porque não o convidou para participar do disco.

Esse disco, de 1967, aliás, rendeu outra crônica em que Ruy conta que o comprou num leilão em edição americana e autografado pelo músico. Há um texto com a lista dos que abandonaram o barquinho da bossa. Até João Gilberto, que dizia cantar sambas. Menos Tom.

Não faltam também desmentidos, como a falsa história de que Garota de Ipanema foi feita em minutos, depois de ele e Vinicius viram Helô Pinheiro passar, requebrando, cheia de graça, rumo à praia. Eles realmente precisaram de tempo para estruturar os versos de algo tão mágico e que se tornaria uma das canções do século 20.

Cada frase que Ruy Castro dedicou a Tom Jobim em suas crônicas parece versos e melodias em perfeita sintonia. Tudo é bem redondo, enxuto, com arremates arrebatadores no final. Foram escritos com o coração, sem dúvida, como uma declaração de amor sem limites.





Fonte: Neofeed

Negócios

Howard Marks não vê excessos na Bolsa dos EUA, mas dá crédito para um outro investimento

Prublicadas

sobre

Howard Marks não vê excessos na Bolsa dos EUA, mas dá crédito para um outro investimento
Tempo de Leitura:2 Minuto, 6 Segundo


Em um ano marcado por quebra de recordes dos índices nos Estados Unidos, com as empresas de tecnologia vendo seus valuations em patamares bastante elevados, invariavelmente começam a surgir dúvidas entre investidores sobre se o mercado não estaria passando por excessos, com o surgimento de uma bolha.

Para Howard Marks, cofundador da Oaktree Capital, gestora que conta com US$ 192 bilhões em ativos sob gestão, ainda que o mercado americano esteja aquecido, e alguns setores registrem valuations e múliplos esticados, a situação não se mostra problemática.

“No momento, não vejo grandes excessos na economia americana ou nos mercados”, disse ele na quarta-feira, 24 de julho, em participação, via videoconferência, em painel no evento Avenue Connection, em São Paulo. “Não vejo excesso de otimismo, não vejo muitos setores superaquecidos na economia.”

Conhecido por ter dedicado parte da sua carreira ao estudo dos ciclos de mercado, tendo lançado um livro em 2018 sobre o tema, Marks afirmou que o P/L das bolsas americanas está “um pouco alto” em relação ao que já foi visto antes, com o múltiplo do S&P 500 cerca de 20% acima da média histórica o que, para ele, não se trata de algo preocupante.

A percepção de que o mercado americano poderia estar passando por um excesso de euforia vem do bom desempenho das empresas de tecnologia. Mas Marks destacou que, nos outros segmentos, as ações não estão com valuations muito elevados.

“Não é que as ações estão baratas, não estão, elas estão altas, mas não em um patamar que devemos nos preocupar”, afirmou.

Outro ponto que Marks busca identificar para ver se há excessos no mercado é o sentimento dos investidores e, segundo ele, o que se vê é cautela, com preocupações sobre questões geopolíticas e os rumos da economia.

Mesmo vendo as ações em patamares razoáveis, Marks entende que as principais oportunidades em termos de retorno estão no mercado de crédito. “Os retornos previstos estão nos maiores patamares vistos em tempos e em patamares satisfatórios em termos absolutos”, disse.

No momento em que os juros estão em patamares elevados, com o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) revertendo a frouxa política monetária adotada para combater a crise financeira de 2009, Marks enxerga uma série de oportunidades no mercado, desde títulos mais seguros até papéis high yield, e vê a possibilidade de retornos na casa dos dois dígitos, algo impensável há décadas atrás.

“Os retornos estão altos e podem ser conseguidos de forma relativamente tranquila”, afirmou.



Fonte: Neofeed

Continue Lendo

Negócios

“Veterana” do saneamento vai investir R$ 333 milhões e mira novas concessões

Prublicadas

sobre

“Veterana” do saneamento vai investir R$ 333 milhões e mira novas concessões
Tempo de Leitura:5 Minuto, 29 Segundo


À frente da Águas do Brasil, a mais antiga empresa privada de saneamento em operação no País, o presidente Claudio Abduche não hesita em revelar qual o maior desafio do grupo, fundado há 25 anos: acelerar os investimentos no Bloco 3 da concessão da Cedae, no Rio de Janeiro, que opera há dois anos em parceria com a Vinci Partners sob a marca Rio+Saneamento.

Em entrevista ao NeoFeed, Abduche revela que a Rio+Saneamento vai investir R$ 333,7 milhões este ano em tratamento de esgoto e água de 18 municípios do Rio, incluindo 24 bairros da Zona Oeste carioca, com previsão de inaugurar nove estações de tratamento esgoto e água até 2026.

O foco dos investimentos no bloco é maior na capital fluminense, onde atua numa região com forte presença de milícias e índices de universalização mais desafiadores para o grupo, que opera 15 concessões e duas unidades industriais em 32 municípios nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, atendendo 5,2 milhões de pessoas.

“O Bloco 3 é mais complexo, atuamos numa área que tinha historicamente o índice mais elevado de inadimplência da Cedae e com baixo índice de fornecimento de água”, afirma Abduche.

Segundo ele, as outras concessões do grupo têm níveis de universalização mais maduros. “Daí o investimento elevado na área operacional do Bloco 3, além de campanhas da área comercial de cadastramento dos clientes.”

O executivo assegura que o fato de a região sob concessão na capital fluminense ter forte presença da milícia não chega a impactar na prestação do serviço.

A estratégia adotada foi procurar as lideranças comunitárias e mostrar os benefícios de fornecer água tratada, trocar a rede antiga e ampliar a coleta de esgoto. “Usamos nossa experiência no setor, com diálogo e paciência estamos conseguindo avançar”, revela.

As nove Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) previstas têm recebido atenção especial do grupo. Elas estão em diversas etapas de obra, algumas em fase de licenciamento e outras já iniciadas, e vão beneficiar 2,5 milhões de pessoas, na capital e no interior.

Levantamento do Ministério das Cidades indica que, quatro anos depois da aprovação do Marco Regulatório do Saneamento, a coleta e tratamento de esgoto representam o grande gargalo para atingir as metas de universalização – 99% da população com abastecimento de água e 90% com esgotamento sanitário até 2033.

De 2019 a 2022, a proporção do esgoto tratado no País passou de 49% para 52%. Ao todo, 90 milhões de brasileiros ainda não têm acesso a coleta de esgoto, e 32 milhões a água potável. “A maior carência do Brasil hoje é a parte de coleta e tratamento de esgoto, mesmo porque a rede no Brasil foi quase inteiramente uma obra do século XIX”, diz Abduche.

Avanço com Marco

Para o executivo da Águas do Brasil, a entrada em vigor do marco regulatório causou ao menos três efeitos positivos: atraiu investimentos do mercado de capitais, obrigou as empresas estaduais de saneamento a buscarem financiamento para cumprir as metas e, o mais importante, trouxe segurança jurídica ao setor.

Mesmo assim, ele adverte que vai ser difícil para muitas estatais de saneamento conseguirem chegar perto das metas determinadas pelo marco, por causa das dificuldades financeiras do poder público num cenário de juros elevados.

Um estudo do Instituto Trata Brasil divulgado este mês prevê que a universalização do saneamento no Brasil só acontecerá em 2070, considerando o ritmo atual de melhorias no setor.

“As licitações para concessões, por exemplo, precisam avançar com mais rapidez”, adverte Abduche, lembrando que regiões com grande população – como Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina – não definiram o modelo ou seguem atuando com empresas estatais de saneamento.

Claudio Abduche, presidente da Águas do Brasil

O executivo admite que Águas do Brasil está atenta ao calendário de licitações que está sendo modelado pelo BNDES. Do ponto de vista financeiro, não há grandes restrições para a expansão da empresa. Em 2023, o grupo registrou R$ 2,5 bilhões em receita líquida. O Ebitda da companhia atingiu R$ 650 milhões, um crescimento de 16% em relação a 2022.

Em fevereiro, a Rio+Saneamento captou R$ 4,65 bilhões por meio da emissão de debêntures (títulos de dívida) e empréstimo junto ao BNDES. O montante servirá para pagar o empréstimo-ponte que permitiu quitar as duas primeiras parcelas da outorga fixa do Bloco 3 — pouco mais de R$ 1,8 bilhão do total de R$ 2,2 bilhões devidos ao governo do Rio —, mas também para investimentos na rede que administra.

Essa captação liberou a Águas do Brasil para mirar novos negócios. Sergipe, que deve anunciar licitação para concessão de saneamento em agosto, interessa ao grupo. “É o mesmo modelo da desestatização da Cedae, só que em um bloco só”, afirma executivo.

Outros estados do Nordeste, como Maranhão, Paraíba e Pernambuco, também estão avaliando com o BNDES eventuais licitações de concessão que podem atrair a Águas do Brasil. Ele também cita concessões municipais, em especial com cidades acima de 250 mil habitantes, como uma frente de oportunidades que está se abrindo.

“O mercado de concessões municipais não andou até recentemente porque havia uma queda de braço de quem é o poder concedente, estado ou o município”, afirma. Uma resolução do STF de que o poder concedente tem de ser negociado entre os dois entes, facilitou destravar essa opção.

PPPs e privatizações

Abduche diz que outros modelos de negócios não estão na agenda do grupo. “Temos restrições para parcerias público-privadas (PPP), principalmente quando a empresa estatal delega as obras para o concessionário, preferimos uma PPP onde temos um mínimo de operação comercial favorável”, diz.

Quanto às privatizações, Abduche revela que a Águas do Brasil não se interessou pelo certame da Sabesp, que adotou o formato de follow on – com concessão de uma parcela de 15% de participação acionária e manutenção da empresa estadual com 18% das ações.

“Nosso grupo entende que consegue agregar mais no modelo de concessão, entramos numa cidade onde colocamos nossa experiência de operação e da área comercial, é assim que conseguimos reverter o negócio”, diz. Mesmo assim, o executivo elogia a atuação do governador Tarcísio de Freitas em levar adiante o processo da Sabesp.

“Deve estimular outros governadores a estudarem a privatização como saída, mas o que marcou nesse caso foi estratégia de incluir a rápida obtenção da universalização de água e esgoto no contrato”, diz Abduche. “No fim, mostrou que a Sabesp, a maior empresa da América Latina, está comprometida em cumprir as metas do marco do saneamento. Não deixa de ser um alerta.”





Fonte: Neofeed

Continue Lendo

Negócios

Na bolsa americana, big techs seguem com fôlego, mas há oportunidades “embaixo da superfície”

Prublicadas

sobre

Na bolsa americana, big techs seguem com fôlego, mas há oportunidades “embaixo da superfície”
Tempo de Leitura:2 Minuto, 21 Segundo


Diante da expectativa de que os cortes de juros finalmente começarão a acontecer nos Estados Unidos e com os índices acionários registrando forte crescimento, muitos gestores começaram a reavaliar suas posições no mercado de renda variável americano, que, nos últimos anos, viu o setor de tecnologia ganhar bastante força.

Para Marina Valentini, estrategista de mercados globais da J.P. Morgan Asset, esse cenário abre espaço para buscar oportunidades “embaixo da superfície do S&P 500”, considerando que muitas companhias do índice estão com seus valuations perto da média histórica. Mas isso não significa necessariamente que as big techs devem perder relevância ou o interesse dos investidores.

“Muitos analistas começam a falar numa rotação para setores mais cíclicos, como indústria, energia, bancos”, disse ela na quarta-feira, 24 de julho, durante painel no evento Avenue Connection, que está sendo promovido pela corretora Avenue, em São Paulo. “A gente acha que isso vai acontecer, mas não necessariamente às custas do setor de tecnologia.”

Segundo Valentini, as chamadas Magníficas Sete – Alphabet, Amazon, Apple, Meta, Microsoft, Nvidia e Tesla – têm motivo para serem consideradas magníficas, ao representarem cerca de 33% do índice, 39% dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento e 23% do fluxo de caixa. Além de apresentarem boas perspectivas em termos de resultados, mesmo que isso possa ir desacelerando ao longo dos trimestres, com frustrações de curto prazo.

“Essas empresas têm muito dinheiro para investir e apresentam lucros muito fortes”, afirmou. “O mercado espera crescimento de 30% dos lucros, o que é muito bom.”

Ela destacou que muito da alta recente no mercado acionário americano foi puxada pelo entusiasmo com o tema da inteligência artificial, como pode ser visto nas fortes valorizações registradas pelas ações da Nvidia – somente nesse ano, os papéis da companhia acumulam alta de 177,4%. Em sua avaliação, esse é um tema de longo prazo, que ainda deve continuar tendo peso sobre o S&P 500.

Mas com o cenário ficando mais propício para a renda variável e as ações de tecnologia com valuations elevados, a estrategista da J.P. Morgan Asset começa a ver margem para um aumento de posicionamento em outros segmentos, com a tese do value ganhando força.

Em meio a uma economia americana ainda resiliente, ainda que apresente alguns indícios de desaceleração, Valentini afirmou que setores tradicionais demonstram força, com as ações podendo ter boa evolução.

A estrategista da J.P. Morgan Asset destaca que as companhias apresentam boas perspectivas de resultados. Segundo ela, depois de resultados baixos em 2023, a expectativa dos analistas é de um aumento média de 11% dos lucros, enquanto os cálculos das gestoras apontam para uma alta de cerca de 9%.

“A foto corporativa americana é sólida”, disse Valentini. “E vemos os analistas aumentando as expectativas para os lucros das empresas.”



Fonte: Neofeed

Continue Lendo

Popular