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O Brasil rumo ao futuro prometido pelo hidrogênio verde

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O Brasil rumo ao futuro prometido pelo hidrogênio verde
Tempo de Leitura:6 Minuto, 42 Segundo


Santo Graal da descarbonização, combustível do futuro ou mina de ouro da transição energética — são muitos (e sempre superlativos) os títulos conferidos ao hidrogênio verde (H2V) por sua importância na luta contra a crise climática.

Até 2030, a nova tecnologia deve movimentar, globalmente, US$ 350 bilhões, em investimentos, conforme dados da consultoria Thymos Energia. Ao Brasil, cabem 8% desse total — o equivalente a US$ 28 bilhões. Pode parecer pouco, mas não é.

“O país tem um grande potencial para a produção de hidrogênio verde, pois nossas condições climáticas e geográficas nos permitem produzir energia limpa em abundância”, diz Jaques Paes, professor do MBA de ESG da Fundação Getúlio Vargas (FGV), ao NeoFeed.

Cerca de 80% da matriz elétrica brasileira vem de fontes renováveis. E energia limpa e abundante barateia o custo de fabricação do gás sustentável.

Pelas análises do instituto de pesquisas financeiras BloombergNEF, seríamos um dos poucos países capazes de oferecer, nos próximos seis anos, H2V a menos de US$ 1, o quilo — os outros são Chile e China. Segundo as estimativas mais conservadoras, no resto do mundo, a mesma quantidade do produto deve sair, por no mínimo, US$ 3.

Pois bem, o Brasil acabar de dar um passo fundamental para fazer com que o combustível do futuro deixe de ser apenas uma promessa. O Senado finalmente votou o marco legal, que regulamenta o setor, define os critérios para a produção de H2V e concede créditos para sua exploração.

Ao longo de cinco anos, entre 2028 e 2032, serão liberados R$ 18 bilhões, em incentivos fiscais. Como o texto base do projeto de lei foi alterado, o tema retorna para aval da Câmara e, em seguida, segue para sanção presidencial.

A expectativa agora é a de que, com uma regulamentação específica e o potencial brasileiro para a produção do combustível do futuro, os investidores passem a olhar com mais atenção para o país.

Os parâmetros do verde

Os critérios para definir o H2V variam mundo afora. E este foi um dos pontos de alteração do texto do projeto de lei no Senado. Segundo a versão original, o hidrogênio só poderia receber a classificação de verde se viesse de processos alimentados por energia eólica ou solar.

Quando se usa a força dos ventos e dos raios solares para a obtenção do gás, um quilo do composto lança na atmosfera, no máximo, 4 quilos de carbono. Do jeito como o marco legal foi aprovado pelos senadores, agora, admite-se também o emprego do etanol, o que praticamente dobra o seu potencial poluente da produção exatos 7 quilos de CO².

A mudança no texto do projeto de lei veio com uma emenda do senador Fernando Farias (MDB-AL) e parte da justificativa de que os critérios anteriores seriam muito rígidos.

No mundo, porém, os parâmetros são ainda mais estreitos. Para a ONG Green Hydrogen Organization, por exemplo, só é sustentável o hidrogênio extraído 100% de fontes renováveis e que libere, no máximo, 1 quilo de gases de efeito estufa (GEE) para a mesma proporção do produto.

Na União Europeia, o máximo aceitável são 4,4 quilos e na China, 4,9 quilos. Alemanha e Estados Unidos são mais rigorosos, impondo um teto de 2,8 quilos e 2 quilos, respectivamente.

Os desafios

Altamente energético, com capacidade para liberar três vezes mais energia do que a gasolina, o hidrogênio (H2) é usado para fins industriais há mais de um século. Alimenta maquinários em processos como refinamento de petróleo, produção de metanol e fabricação de compostos orgânicos. Também é útil como combustível para veículos pesados, como trens, navios e ônibus.

Pelos métodos tradicionais, a conversão do gás é feita pela queima de combustíveis fósseis.  A um custo entre US$ 0,50 e US$ 1,7, pelos levantamentos da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês), o processo é barato, mas favorece o lançamento de GEE na atmosfera, favorecendo ainda mais o aquecimento global.

As condições climáticas e geográficas do Brasil favorecem a produção de energia eólica, tida como uma das mais adequadas à produção de hidrogênio verde

No ano passado, foi inaugurada na Universidade Federal do Rio de Janeiro uma planta piloto de produção do gás, a partir de energia fotovoltaica

Pesquisadores da Universidade de São Paulo estudam como usar um subproduto da produção de cana para produzir hidrogênio

Apesar de comum, o hidrogênio não está naturalmente disponível para uso. Para obter o gás, é preciso quebrar as moléculas de água

O hidrogênio usado hoje por indústrias de todo o mundo vem 99% da queima de combustíveis fósseis, agravando o aquecimento global

Até que o H2V cumpra seu destino como Santo Graal da descarbonização, há muitos desafios a vencer, apesar dos avanços registrados nos últimos anos.

Além de encontrar formas sustentáveis de produção do gás em grande escala, a preços competitivos, é preciso investir em infraestrutura. A versão verde do hidrogênio deve ser transportada para os diferentes setores da indústria. Para longas distâncias, o produto é transformado em amônia e embarcado em navios — por ser menos denso, o composto ocupa grande volume para ser transportado na forma de gás.

Ultrapassados tais obstáculos, o H2V pode ser a chave para um mundo de emissões zero, onde o desenvolvimento não represente uma ameaça à sobrevivência de nossa espécie.

Água e energia

O mais leve dos elementos químicos, o hidrogênio é também o mais abundante do universo — as estrelas, incluindo o Sol, são formadas sobretudo por H2. Na Terra, ocorre principalmente em combinação com o oxigênio, formando a água, e com os hidrocarbonetos, grupo de substâncias compostas apenas por hidrogênio e carbono, como o petróleo.

Apesar de abundante, o gás não está  naturalmente disponível para uso.

A forma mais fácil de obtê-lo é por meio da eletrólise, processo físico-químico que utiliza a energia (de uma fonte qualquer) para a produção de substâncias ou difíceis de encontrar na natureza ou de extração complicada.

No caso, o H2 é obtido a partir da eletrólise da água — nela, a molécula, formada por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio, é quebrada, dando origem ao elemento puro. Dessa reação, sobram apenas água e energia.

Na contas da IEA, apenas 0,1% de todo o hidrogênio produzido hoje no mundo é obtido por meio de eletrólise. O restante todo vem da queima do gás natural, do cravão e de derivados de petróleo.

“Também se estudam formas de captar o gás no núcleo da Terra. Mas essas inovações ainda estão muito distantes da realidade”, afirma o professor da FGV.

Do bagaço da cana

Vários centros de pesquisas brasileiros investigam novas formas de tornar a produção de hidrogênio mais sustentável e barata. No ano passado, foi inaugurada, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, uma planta piloto para o aperfeiçoamento do uso de energia fotovoltaica no abastecimento da eletrólise da água.

Além dos ventos e do sol, nós temos também os campos de cana. Deles é possível extrair não só o etanol, mas um resíduo de sua produção, a vinhaça, altamente poluente, mais agressivo à natureza e aos homens do que, por exemplo, o esgoto doméstico.

Mas, um projeto do Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa, da Escola Politécnica, da Universidade de São Paulo, estuda como usar o subproduto para produzir hidrogênio, já que 95% de sua composição é de água.

O mesmo laboratório trabalha em mais duas pesquisas iniciativas para a produção do gás sustentável. Uma delas utiliza calor para converter etanol em hidrogênio. E a outra atua em outra via, esta eletroquímica.

“Há iniciativas também em outras partes do Brasil, como no nordeste. Muitas funcionam em hubs que combinam não só a produção como a distribuição logística do combustível”, conta Paes.

Para ele, porém, a chave para o pleno desenvolvimento do potencial brasileiro para a produção e o uso do hidrogênio verde é o investimento do governo em iniciativas privadas.

Como o professor defende: “Sem as parcerias público privadas, os projetos dificilmente irão para frente. E aí está a grande esperança com a aprovação do marco legal.”





Fonte: Neofeed

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Howard Marks não vê excessos na Bolsa dos EUA, mas dá crédito para um outro investimento

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Howard Marks não vê excessos na Bolsa dos EUA, mas dá crédito para um outro investimento
Tempo de Leitura:2 Minuto, 6 Segundo


Em um ano marcado por quebra de recordes dos índices nos Estados Unidos, com as empresas de tecnologia vendo seus valuations em patamares bastante elevados, invariavelmente começam a surgir dúvidas entre investidores sobre se o mercado não estaria passando por excessos, com o surgimento de uma bolha.

Para Howard Marks, cofundador da Oaktree Capital, gestora que conta com US$ 192 bilhões em ativos sob gestão, ainda que o mercado americano esteja aquecido, e alguns setores registrem valuations e múliplos esticados, a situação não se mostra problemática.

“No momento, não vejo grandes excessos na economia americana ou nos mercados”, disse ele na quarta-feira, 24 de julho, em participação, via videoconferência, em painel no evento Avenue Connection, em São Paulo. “Não vejo excesso de otimismo, não vejo muitos setores superaquecidos na economia.”

Conhecido por ter dedicado parte da sua carreira ao estudo dos ciclos de mercado, tendo lançado um livro em 2018 sobre o tema, Marks afirmou que o P/L das bolsas americanas está “um pouco alto” em relação ao que já foi visto antes, com o múltiplo do S&P 500 cerca de 20% acima da média histórica o que, para ele, não se trata de algo preocupante.

A percepção de que o mercado americano poderia estar passando por um excesso de euforia vem do bom desempenho das empresas de tecnologia. Mas Marks destacou que, nos outros segmentos, as ações não estão com valuations muito elevados.

“Não é que as ações estão baratas, não estão, elas estão altas, mas não em um patamar que devemos nos preocupar”, afirmou.

Outro ponto que Marks busca identificar para ver se há excessos no mercado é o sentimento dos investidores e, segundo ele, o que se vê é cautela, com preocupações sobre questões geopolíticas e os rumos da economia.

Mesmo vendo as ações em patamares razoáveis, Marks entende que as principais oportunidades em termos de retorno estão no mercado de crédito. “Os retornos previstos estão nos maiores patamares vistos em tempos e em patamares satisfatórios em termos absolutos”, disse.

No momento em que os juros estão em patamares elevados, com o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) revertendo a frouxa política monetária adotada para combater a crise financeira de 2009, Marks enxerga uma série de oportunidades no mercado, desde títulos mais seguros até papéis high yield, e vê a possibilidade de retornos na casa dos dois dígitos, algo impensável há décadas atrás.

“Os retornos estão altos e podem ser conseguidos de forma relativamente tranquila”, afirmou.



Fonte: Neofeed

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“Veterana” do saneamento vai investir R$ 333 milhões e mira novas concessões

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“Veterana” do saneamento vai investir R$ 333 milhões e mira novas concessões
Tempo de Leitura:5 Minuto, 29 Segundo


À frente da Águas do Brasil, a mais antiga empresa privada de saneamento em operação no País, o presidente Claudio Abduche não hesita em revelar qual o maior desafio do grupo, fundado há 25 anos: acelerar os investimentos no Bloco 3 da concessão da Cedae, no Rio de Janeiro, que opera há dois anos em parceria com a Vinci Partners sob a marca Rio+Saneamento.

Em entrevista ao NeoFeed, Abduche revela que a Rio+Saneamento vai investir R$ 333,7 milhões este ano em tratamento de esgoto e água de 18 municípios do Rio, incluindo 24 bairros da Zona Oeste carioca, com previsão de inaugurar nove estações de tratamento esgoto e água até 2026.

O foco dos investimentos no bloco é maior na capital fluminense, onde atua numa região com forte presença de milícias e índices de universalização mais desafiadores para o grupo, que opera 15 concessões e duas unidades industriais em 32 municípios nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, atendendo 5,2 milhões de pessoas.

“O Bloco 3 é mais complexo, atuamos numa área que tinha historicamente o índice mais elevado de inadimplência da Cedae e com baixo índice de fornecimento de água”, afirma Abduche.

Segundo ele, as outras concessões do grupo têm níveis de universalização mais maduros. “Daí o investimento elevado na área operacional do Bloco 3, além de campanhas da área comercial de cadastramento dos clientes.”

O executivo assegura que o fato de a região sob concessão na capital fluminense ter forte presença da milícia não chega a impactar na prestação do serviço.

A estratégia adotada foi procurar as lideranças comunitárias e mostrar os benefícios de fornecer água tratada, trocar a rede antiga e ampliar a coleta de esgoto. “Usamos nossa experiência no setor, com diálogo e paciência estamos conseguindo avançar”, revela.

As nove Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) previstas têm recebido atenção especial do grupo. Elas estão em diversas etapas de obra, algumas em fase de licenciamento e outras já iniciadas, e vão beneficiar 2,5 milhões de pessoas, na capital e no interior.

Levantamento do Ministério das Cidades indica que, quatro anos depois da aprovação do Marco Regulatório do Saneamento, a coleta e tratamento de esgoto representam o grande gargalo para atingir as metas de universalização – 99% da população com abastecimento de água e 90% com esgotamento sanitário até 2033.

De 2019 a 2022, a proporção do esgoto tratado no País passou de 49% para 52%. Ao todo, 90 milhões de brasileiros ainda não têm acesso a coleta de esgoto, e 32 milhões a água potável. “A maior carência do Brasil hoje é a parte de coleta e tratamento de esgoto, mesmo porque a rede no Brasil foi quase inteiramente uma obra do século XIX”, diz Abduche.

Avanço com Marco

Para o executivo da Águas do Brasil, a entrada em vigor do marco regulatório causou ao menos três efeitos positivos: atraiu investimentos do mercado de capitais, obrigou as empresas estaduais de saneamento a buscarem financiamento para cumprir as metas e, o mais importante, trouxe segurança jurídica ao setor.

Mesmo assim, ele adverte que vai ser difícil para muitas estatais de saneamento conseguirem chegar perto das metas determinadas pelo marco, por causa das dificuldades financeiras do poder público num cenário de juros elevados.

Um estudo do Instituto Trata Brasil divulgado este mês prevê que a universalização do saneamento no Brasil só acontecerá em 2070, considerando o ritmo atual de melhorias no setor.

“As licitações para concessões, por exemplo, precisam avançar com mais rapidez”, adverte Abduche, lembrando que regiões com grande população – como Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina – não definiram o modelo ou seguem atuando com empresas estatais de saneamento.

Claudio Abduche, presidente da Águas do Brasil

O executivo admite que Águas do Brasil está atenta ao calendário de licitações que está sendo modelado pelo BNDES. Do ponto de vista financeiro, não há grandes restrições para a expansão da empresa. Em 2023, o grupo registrou R$ 2,5 bilhões em receita líquida. O Ebitda da companhia atingiu R$ 650 milhões, um crescimento de 16% em relação a 2022.

Em fevereiro, a Rio+Saneamento captou R$ 4,65 bilhões por meio da emissão de debêntures (títulos de dívida) e empréstimo junto ao BNDES. O montante servirá para pagar o empréstimo-ponte que permitiu quitar as duas primeiras parcelas da outorga fixa do Bloco 3 — pouco mais de R$ 1,8 bilhão do total de R$ 2,2 bilhões devidos ao governo do Rio —, mas também para investimentos na rede que administra.

Essa captação liberou a Águas do Brasil para mirar novos negócios. Sergipe, que deve anunciar licitação para concessão de saneamento em agosto, interessa ao grupo. “É o mesmo modelo da desestatização da Cedae, só que em um bloco só”, afirma executivo.

Outros estados do Nordeste, como Maranhão, Paraíba e Pernambuco, também estão avaliando com o BNDES eventuais licitações de concessão que podem atrair a Águas do Brasil. Ele também cita concessões municipais, em especial com cidades acima de 250 mil habitantes, como uma frente de oportunidades que está se abrindo.

“O mercado de concessões municipais não andou até recentemente porque havia uma queda de braço de quem é o poder concedente, estado ou o município”, afirma. Uma resolução do STF de que o poder concedente tem de ser negociado entre os dois entes, facilitou destravar essa opção.

PPPs e privatizações

Abduche diz que outros modelos de negócios não estão na agenda do grupo. “Temos restrições para parcerias público-privadas (PPP), principalmente quando a empresa estatal delega as obras para o concessionário, preferimos uma PPP onde temos um mínimo de operação comercial favorável”, diz.

Quanto às privatizações, Abduche revela que a Águas do Brasil não se interessou pelo certame da Sabesp, que adotou o formato de follow on – com concessão de uma parcela de 15% de participação acionária e manutenção da empresa estadual com 18% das ações.

“Nosso grupo entende que consegue agregar mais no modelo de concessão, entramos numa cidade onde colocamos nossa experiência de operação e da área comercial, é assim que conseguimos reverter o negócio”, diz. Mesmo assim, o executivo elogia a atuação do governador Tarcísio de Freitas em levar adiante o processo da Sabesp.

“Deve estimular outros governadores a estudarem a privatização como saída, mas o que marcou nesse caso foi estratégia de incluir a rápida obtenção da universalização de água e esgoto no contrato”, diz Abduche. “No fim, mostrou que a Sabesp, a maior empresa da América Latina, está comprometida em cumprir as metas do marco do saneamento. Não deixa de ser um alerta.”





Fonte: Neofeed

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Na bolsa americana, big techs seguem com fôlego, mas há oportunidades “embaixo da superfície”

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Na bolsa americana, big techs seguem com fôlego, mas há oportunidades “embaixo da superfície”
Tempo de Leitura:2 Minuto, 21 Segundo


Diante da expectativa de que os cortes de juros finalmente começarão a acontecer nos Estados Unidos e com os índices acionários registrando forte crescimento, muitos gestores começaram a reavaliar suas posições no mercado de renda variável americano, que, nos últimos anos, viu o setor de tecnologia ganhar bastante força.

Para Marina Valentini, estrategista de mercados globais da J.P. Morgan Asset, esse cenário abre espaço para buscar oportunidades “embaixo da superfície do S&P 500”, considerando que muitas companhias do índice estão com seus valuations perto da média histórica. Mas isso não significa necessariamente que as big techs devem perder relevância ou o interesse dos investidores.

“Muitos analistas começam a falar numa rotação para setores mais cíclicos, como indústria, energia, bancos”, disse ela na quarta-feira, 24 de julho, durante painel no evento Avenue Connection, que está sendo promovido pela corretora Avenue, em São Paulo. “A gente acha que isso vai acontecer, mas não necessariamente às custas do setor de tecnologia.”

Segundo Valentini, as chamadas Magníficas Sete – Alphabet, Amazon, Apple, Meta, Microsoft, Nvidia e Tesla – têm motivo para serem consideradas magníficas, ao representarem cerca de 33% do índice, 39% dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento e 23% do fluxo de caixa. Além de apresentarem boas perspectivas em termos de resultados, mesmo que isso possa ir desacelerando ao longo dos trimestres, com frustrações de curto prazo.

“Essas empresas têm muito dinheiro para investir e apresentam lucros muito fortes”, afirmou. “O mercado espera crescimento de 30% dos lucros, o que é muito bom.”

Ela destacou que muito da alta recente no mercado acionário americano foi puxada pelo entusiasmo com o tema da inteligência artificial, como pode ser visto nas fortes valorizações registradas pelas ações da Nvidia – somente nesse ano, os papéis da companhia acumulam alta de 177,4%. Em sua avaliação, esse é um tema de longo prazo, que ainda deve continuar tendo peso sobre o S&P 500.

Mas com o cenário ficando mais propício para a renda variável e as ações de tecnologia com valuations elevados, a estrategista da J.P. Morgan Asset começa a ver margem para um aumento de posicionamento em outros segmentos, com a tese do value ganhando força.

Em meio a uma economia americana ainda resiliente, ainda que apresente alguns indícios de desaceleração, Valentini afirmou que setores tradicionais demonstram força, com as ações podendo ter boa evolução.

A estrategista da J.P. Morgan Asset destaca que as companhias apresentam boas perspectivas de resultados. Segundo ela, depois de resultados baixos em 2023, a expectativa dos analistas é de um aumento média de 11% dos lucros, enquanto os cálculos das gestoras apontam para uma alta de cerca de 9%.

“A foto corporativa americana é sólida”, disse Valentini. “E vemos os analistas aumentando as expectativas para os lucros das empresas.”



Fonte: Neofeed

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