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O que mudará a indústria de fundos, na visão de uma gigante quantitativa

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Tempo de Leitura:11 Minuto, 40 Segundo


A inteligência artificial tem trazido grandes dúvidas e desafios para diferentes indústrias, inclusive a de gestão de recursos. As máquinas conseguem processar uma quantidade enorme de dados, refinar as pesquisas e impactar os resultados. Esse é o futuro desse mercado?

“Finanças é um problema muito complexo para ser resolvido só por máquinas. Mas certamente elas trazem um novo poder de análise que pode ser usado para ter resultados mais eficientes, ou um viés descorrelacionado do mercado”, diz Gregor Andrade, diretor e global head of institutional business development da AQR Capital Management.

A AQR tem propriedade para falar de máquinas, inteligência artificial e gestão quantitativa. Com cerca de US$ 110 bilhões sob gestão, foi uma das precursoras da gestão quantitativa no mundo, criando muitos modelos de investimento com base em pesquisas científicas. Esses modelos foram se provando uma maneira inteligente e descorrelacionada do restante do mercado para produzir alpha (retorno acima do índice de referência).

No entanto, nem mesmo a AQR, como uma das grandes defensoras do modelo quantitativos, acredita que o mundo evoluirá para apenas robôs fazerem a gestão. A gestora acredita que as novas ferramentas podem ajudar o mundo da gestão a otimizar processos, mas para tomar a decisão – ou pelo menos guiar a máquina a produzir uma decisão – será sempre um trabalho de gestores talentosos.

“Um gestor que tem uma ideia diferente e entende de fato um setor consegue gerar alpha. É raro, mas tem”, afirma Andrade. “No mundo quantitativo, a dificuldade é a mesma. É conseguir ver uma tese de investimento, um viés do mercado, que a maioria das pessoas não sabem, e assim, gerar alpha”.

Fundada em 1998 nos Estados Unidos por três acadêmicos do mercado financeiro da Universidade de Chicago e da Northwestern University (Cliff Asness, David G. Kabiller e John M. Liew), na época que a gestora começou, não havia a quantidade de dados que existem atualmente.

Mas, nesses mais de 25 anos, a indústria foi evoluindo e hoje já é cerca de 20% do mercado de fundo de ações globais. E vem crescendo no mundo desenvolvido, ganhado ainda mais tração nos últimos anos com a volta da volatilidade dos mercados.

No Brasil, a AQR tem duas estratégias: o AQR Long Biased Equities, com retorno de 47,7% (em dólar) em 12 meses, e o AQR Corporate Arbitrage, com retorno de 7,5% (em reais) em 12 meses.

“Queremos trazer mais. Mas o Brasil é um país ainda muito fechado para investimento, e os brasileiros parecem estar muito contentes com os retornos das suas taxas de juros. Além disso, falta entendimento do que é uma gestão quantitativa e o que ela pode agregar no portfólio”, diz o diretor da AQR.

Em visita recente ao Brasil, Andrade, PHD pela universidade de Chicago e há 21 anos na AQR, onde é responsável pelo crescimento e atendimento do business global, falou com exclusividade ao NeoFeed. Confira os principais trechos da entrevista:

Muito tem se falado sobre o desenvolvimento da inteligência artificial e seus impactos no mercado financeiro e na indústria de asset management: robôs poderiam fazer as vezes de analistas e até mesmo de gestores. Como vocês enxergam essa evolução?
Acredito que inteligência artificial e machine learing são técnicas quantitativas. Não vejo um mundo em que só exista gestores quantitativos, ou seja, apenas gestores que sejam de inteligência artificial. Mas há algumas funções que as máquinas fazem melhor hoje que podem vir a ser usadas por todos os gestores no futuro com a ajuda da inteligência artificial. Por exemplo, a leitura de notícias, reports, balanços… Isso até pouco tempo atrás era tarefa de um jovem analista, reunir informações e sintetizar isso. Mas agora podem ser feitos ainda melhor por tecnologia. E isso mudará o processamento de informações na indústria.

O que você está dizendo é que os modelos, com dados, cálculos e novas ideias, não podem ser substituídos inteiramente por inteligência artificial?
Finanças é algo muito complexo. Estão conseguindo usos incríveis de inteligência artificial em hard science, como biologia e outras ciências de resultados mais exatos. Os mercados financeiros mudam e evoluem de acordo com a sociedade. Os mercados são resultados de pessoas, que mudam e evoluem. São dinâmicos, ou seja, um problema mais complicado para as máquinas, que têm dificuldade em lidar com a diferença entre os ruídos e os verdadeiros sinais. E outro grande problema é que há muito menos dados no mercado financeiro do que no mundo. Isso tudo não é um bom ambiente para a IA navegar, mesmo evoluindo do que temos hoje.

“Os mercados financeiros mudam e evoluem de acordo com a sociedade. São dinâmicos, ou seja, um problema mais complicado para as máquinas”

Ferramentas de gestão usadas apenas por gestores quantitativos poderão ser usadas por gestores discricionários?
Isso sim. Acredito que, no futuro, toda a gestão de ativos terá um pouco de quantitativo em algum grau de análise, o que torna a gestão mais eficiente. Mas o alpha da gestão discricionária está mais em ver as mudanças e tendências do mercado. Coisas que as máquinas, processando dados antigos, acredito que não possam ser melhores. Elas podem competir no mercado, como muitos gestores ruins que temos e que não batem o benchmark, mas não gerarão alpha como é esperado de um bom gestor discricionário.

Tem sido cada vez mais difícil para a gestão ativa bater o benchmark. Isso também tem acontecido com a gestão quantitativa?
Os estudos acadêmicos mostram que, ao menos nos EUA e mercados desenvolvidos, sempre foi difícil para os gestores baterem o mercado, principalmente em ações. E faz sentido, porque as informações são limitadas e tem muita gente analisando as mesmas informações, o que leva a um preço justo. Mas, um gestor que tem uma ideia diferente e entende de fato um setor consegue gerar alpha. É raro, mas tem. E no mundo quantitativo, a dificuldade é a mesma. É conseguir ver uma tese de investimento, um viés do mercado, que a maioria das pessoas não sabem, e assim, gerar alpha. E depois que essas teses forem descobertas, elas param de funcionar e você precisa encontrar outras.

Isso significa que os desafios são iguais?
Sim, os desafios da gestão discricionária e quantitativa são iguais, mas a solução para os problemas é diferente. Enquanto o gestor vai procurar se especializar muito em uma área para entender qualquer mudança, no lado quantitativo iremos buscar novos dados que não são usados por outros, e outras técnicas como machine learning entre outras coisas.

Como analisa o desenvolvimento da gestão sistemática no mundo? Em que momento estamos?
Tenho algumas hipóteses do porquê o Brasil, uma indústria de asset management tão desenvolvida, ou outros países similares, ainda não desenvolveram bem os modelos quantitativos. O melhor ambiente para esse modelo é onde existem muitos ativos, muitos dados e quando há muita liquidez. Quando o mercado é menor e concentrado, às vezes o modelo não consegue trabalhar como devia. Porque existem apenas algumas empresas em um setor, ou poucas dezenas de um segmento. Como gestão de portfólio global nós fazemos trading de milhares de posições. Temos portfólios com cerca de duas mil ações, por exemplo. Temos estratégias globais que negociam centenas de ativos, long and short.

No Brasil, ela ainda não é muito conhecida ou aplicada. Por quê?
Pode ser mais difícil para um gestor local, focado em ações Brasil de fato seguir um modelo quantitativo, porque tem menos informações e menos ativos. Mas isso não significa que esse gestor não possa gerir portfólios globais. Nós não fazemos mandatos de um único país ou único setor, por exemplo. Porque sabemos que os modelos trabalham melhor com mais ativos.

“Pode ser mais difícil para um gestor local, focado em ações Brasil de fato seguir um modelo quantitativo, porque tem menos informações e menos ativos”

E o momento no mundo?
No mundo, ainda há uma restrição em relação a ativos ilíquidos. Nós gostaríamos de gerenciar quantitativamente venture capital, private equity e real estate, mas a verdade é que os dados sobre esses mercados são ruins e a falta de liquidez impede uma negociação sistemática necessária.

Quais tipos de ideias e temas vocês estão usando agora nas suas estratégias?
Posso falar dois grandes temas. Em ações, no pós-pandemia, está havendo um movimento de retorno para ações de valor. Durante a pandemia, esse tipo de ação sofreu muito e as de growth supervalorizaram sem ter exatamente fundamentos para isso. Agora, esses mercados estão se equilibrando e as ações de valor estão se valorizando.

Qual é o segundo?
Do lado macro, estamos vendo o retorno da volatilidade. Entre 2010 e 2020, os mercados ficaram muito calmos, não tinha muito movimento e era difícil negociar mercados macro quantitativamente. Mas desde o fim da pandemia houve grande mudança na taxa de juros, a inflação voltou, assim como a dispersão em diferentes mercados. Isso é muito bom para estratégias quantitativas, que usam muitos dados para perceberem disparidades nesses movimentos de volatilidade.

E qual é o diferencial da gestão quantitativa em relação a gestão tradicional?
É importante dizer que o oposto da gestão quantitativa não é a fundamentalista. Você pode fazer gestão fundamentalista pelo quantitativo. O oposto é a gestão discricionária, com a decisão partindo de uma pessoa. Na quantitativa, são os modelos que dizem o que comprar e o que vender. Nesse tipo de gestão, se perde muito tempo criando o modelo, mas depois que ele está pronto é ele que decide os ativos e a quantidade. Mas os temas que estão por trás dos investimentos podem ser os mesmos dos dois. A diferença é que na gestão discricionária será analisado por pessoas e na quantitativa é o que os analistas irão usar para criar o modelo.

“O oposto da gestão quantitativa não é a fundamentalista. Você pode fazer gestão fundamentalista pelo quantitativo. O oposto é a gestão discricionária”

Há uma forma melhor de gestão?
Deixamos bem claro que não acreditamos que a gestão sistemática ou quantitativa seja melhor que a gestão discricionária ativa, com bons gestores. Elas são complementares, porque têm abordagens diferentes. Nossa performance tem um comportamento diferente, ajudando a diversificar. É descorrelacionado do restante e, por isso, acreditamos que o investidor deva ter os dois tipos de investimento.

Mas como vocês se diferenciam?
É muito difícil a gente explicar o que fazemos, porque tem muitas coisas envolvidas. Para nós, uma posição de 1% é muito grande. Enquanto os gestores buscam estar convencidos sobre o potencial de uma empresa, nós buscamos entender os movimentos de mercado.

A decisão final de investimento é tomada por um gestor ou por uma máquina?
Existem abordagens diferentes. O modelo faz um ranking com os melhores papéis. Algumas gestoras fazem com que a decisão final sobre quem entra [na carteira] seja de um gestor. Nós, não. Acreditamos que essa interferência prejudica o resultado. Se o modelo diz que tal empresa é a mais barata, não vamos julgar isso. Isso não significa dizer que não fazemos análises qualitativas; ao contrário, isso é muito importante. Mas nós transcrevemos tudo que queremos analisar em sinais quantitativos para serem processados. De forma que o resultado já é o que queremos, sem sermos enganados por vieses externos que recebemos em um dia ou outro, ou sobre a fala de um executivo da companhia.

Nunca há intervenção humana?
Há apenas uma exceção em que, de fato, intervimos. Se aparecer uma notícia sobre uma mudança futura. Por exemplo, o governo irá sobretaxar uma companhia. O modelo não sabe lidar com isso porque lida com dados passados. Mas nós não iremos fazer uma análise própria sobre a nova perspectiva dessa empresa. O que fazemos é retirá-la do nosso universo de análise.

Existem outros exemplos?
Sim, com um fundo de emerging markets e o início da guerra na Ucrânia. O modelo não entende nada sobre guerra, não há como modelar isso. Mas sabemos que os ativos de Rússia e Ucrânia deixaram de tratar pelos seus fundamentos para seguir o risco da guerra. Então, retiramos esses ativos do nosso universo. É preciso ter clareza sobre o que o modelo sabe e o que ele não sabe.

Isso significa que há pouquíssimas pessoas trabalhando na gestora?
Não exatamente. Temos cerca 300 pessoas no time que fazem pesquisas ou monitoram os portfólios. A área de pesquisa é fundamental para ver quais são as novas tendências, as novas ideias que irão nos ajudar a melhorar o portfólio. As pessoas mais importantes no longo prazo, e é daí que conseguimos gerar alpha no longo prazo. E as pessoas que monitoram os portfólios hoje precisam garantir que os modelos estão sendo implementados. E tem uma área de gestão de risco, em que monitoramos se os modelos estão trabalhando como esperado ou se precisam de ajustes. Converter o modelo em um portfólio demanda muita gente.

Cada pessoa tem uma função específica?
Precisamos de pessoas específicas para montarem todas as nossas mais de 15 estratégias: ações single style, que só usam uma estratégia como defensiva, valor ou momentum, ou multi-style. Ou Arbitragem, macro global ou ESG, por exemplo.

O investimento em ESG depende de uma grande análise de risco e de leitura de dados nem sempre financeiros e assim menos padronizados. Como fazem esse tipo de investimento na filosofia de vocês?
Nós não buscamos intervir nas empresas e torná-las mais ESG como importantes gestoras ESG. Então, não fazemos ESG ativista, não iremos mudar o mundo. Nossas posições são sempre pequenas, por nossa natureza. O que fazemos é achar portfólios que têm boas características ESG: poluem menos, usam menos carbono, são diversas etc. Tudo isso são números que podemos usar. O que dá para mensurar nós atuamos incorporando na estratégia quantitativa. Isso torna os portfólios com os melhores ratings de ESG do mercado.

Isso torna os portfólios mais rentáveis?
A verdade é que não dá para verificar isso empiricamente ainda. Mas há investidores globais que usam esses ratings como mandatórios para investimentos, principalmente na Europa. É por isso que criamos essa estratégia. Nos EUA, há muita polêmica sobre isso, mas para ter o mercado europeu isso é mandatório.





Fonte: Neofeed

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Howard Marks não vê excessos na Bolsa dos EUA, mas dá crédito para um outro investimento

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Howard Marks não vê excessos na Bolsa dos EUA, mas dá crédito para um outro investimento
Tempo de Leitura:2 Minuto, 6 Segundo


Em um ano marcado por quebra de recordes dos índices nos Estados Unidos, com as empresas de tecnologia vendo seus valuations em patamares bastante elevados, invariavelmente começam a surgir dúvidas entre investidores sobre se o mercado não estaria passando por excessos, com o surgimento de uma bolha.

Para Howard Marks, cofundador da Oaktree Capital, gestora que conta com US$ 192 bilhões em ativos sob gestão, ainda que o mercado americano esteja aquecido, e alguns setores registrem valuations e múliplos esticados, a situação não se mostra problemática.

“No momento, não vejo grandes excessos na economia americana ou nos mercados”, disse ele na quarta-feira, 24 de julho, em participação, via videoconferência, em painel no evento Avenue Connection, em São Paulo. “Não vejo excesso de otimismo, não vejo muitos setores superaquecidos na economia.”

Conhecido por ter dedicado parte da sua carreira ao estudo dos ciclos de mercado, tendo lançado um livro em 2018 sobre o tema, Marks afirmou que o P/L das bolsas americanas está “um pouco alto” em relação ao que já foi visto antes, com o múltiplo do S&P 500 cerca de 20% acima da média histórica o que, para ele, não se trata de algo preocupante.

A percepção de que o mercado americano poderia estar passando por um excesso de euforia vem do bom desempenho das empresas de tecnologia. Mas Marks destacou que, nos outros segmentos, as ações não estão com valuations muito elevados.

“Não é que as ações estão baratas, não estão, elas estão altas, mas não em um patamar que devemos nos preocupar”, afirmou.

Outro ponto que Marks busca identificar para ver se há excessos no mercado é o sentimento dos investidores e, segundo ele, o que se vê é cautela, com preocupações sobre questões geopolíticas e os rumos da economia.

Mesmo vendo as ações em patamares razoáveis, Marks entende que as principais oportunidades em termos de retorno estão no mercado de crédito. “Os retornos previstos estão nos maiores patamares vistos em tempos e em patamares satisfatórios em termos absolutos”, disse.

No momento em que os juros estão em patamares elevados, com o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) revertendo a frouxa política monetária adotada para combater a crise financeira de 2009, Marks enxerga uma série de oportunidades no mercado, desde títulos mais seguros até papéis high yield, e vê a possibilidade de retornos na casa dos dois dígitos, algo impensável há décadas atrás.

“Os retornos estão altos e podem ser conseguidos de forma relativamente tranquila”, afirmou.



Fonte: Neofeed

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“Veterana” do saneamento vai investir R$ 333 milhões e mira novas concessões

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“Veterana” do saneamento vai investir R$ 333 milhões e mira novas concessões
Tempo de Leitura:5 Minuto, 29 Segundo


À frente da Águas do Brasil, a mais antiga empresa privada de saneamento em operação no País, o presidente Claudio Abduche não hesita em revelar qual o maior desafio do grupo, fundado há 25 anos: acelerar os investimentos no Bloco 3 da concessão da Cedae, no Rio de Janeiro, que opera há dois anos em parceria com a Vinci Partners sob a marca Rio+Saneamento.

Em entrevista ao NeoFeed, Abduche revela que a Rio+Saneamento vai investir R$ 333,7 milhões este ano em tratamento de esgoto e água de 18 municípios do Rio, incluindo 24 bairros da Zona Oeste carioca, com previsão de inaugurar nove estações de tratamento esgoto e água até 2026.

O foco dos investimentos no bloco é maior na capital fluminense, onde atua numa região com forte presença de milícias e índices de universalização mais desafiadores para o grupo, que opera 15 concessões e duas unidades industriais em 32 municípios nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, atendendo 5,2 milhões de pessoas.

“O Bloco 3 é mais complexo, atuamos numa área que tinha historicamente o índice mais elevado de inadimplência da Cedae e com baixo índice de fornecimento de água”, afirma Abduche.

Segundo ele, as outras concessões do grupo têm níveis de universalização mais maduros. “Daí o investimento elevado na área operacional do Bloco 3, além de campanhas da área comercial de cadastramento dos clientes.”

O executivo assegura que o fato de a região sob concessão na capital fluminense ter forte presença da milícia não chega a impactar na prestação do serviço.

A estratégia adotada foi procurar as lideranças comunitárias e mostrar os benefícios de fornecer água tratada, trocar a rede antiga e ampliar a coleta de esgoto. “Usamos nossa experiência no setor, com diálogo e paciência estamos conseguindo avançar”, revela.

As nove Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) previstas têm recebido atenção especial do grupo. Elas estão em diversas etapas de obra, algumas em fase de licenciamento e outras já iniciadas, e vão beneficiar 2,5 milhões de pessoas, na capital e no interior.

Levantamento do Ministério das Cidades indica que, quatro anos depois da aprovação do Marco Regulatório do Saneamento, a coleta e tratamento de esgoto representam o grande gargalo para atingir as metas de universalização – 99% da população com abastecimento de água e 90% com esgotamento sanitário até 2033.

De 2019 a 2022, a proporção do esgoto tratado no País passou de 49% para 52%. Ao todo, 90 milhões de brasileiros ainda não têm acesso a coleta de esgoto, e 32 milhões a água potável. “A maior carência do Brasil hoje é a parte de coleta e tratamento de esgoto, mesmo porque a rede no Brasil foi quase inteiramente uma obra do século XIX”, diz Abduche.

Avanço com Marco

Para o executivo da Águas do Brasil, a entrada em vigor do marco regulatório causou ao menos três efeitos positivos: atraiu investimentos do mercado de capitais, obrigou as empresas estaduais de saneamento a buscarem financiamento para cumprir as metas e, o mais importante, trouxe segurança jurídica ao setor.

Mesmo assim, ele adverte que vai ser difícil para muitas estatais de saneamento conseguirem chegar perto das metas determinadas pelo marco, por causa das dificuldades financeiras do poder público num cenário de juros elevados.

Um estudo do Instituto Trata Brasil divulgado este mês prevê que a universalização do saneamento no Brasil só acontecerá em 2070, considerando o ritmo atual de melhorias no setor.

“As licitações para concessões, por exemplo, precisam avançar com mais rapidez”, adverte Abduche, lembrando que regiões com grande população – como Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina – não definiram o modelo ou seguem atuando com empresas estatais de saneamento.

Claudio Abduche, presidente da Águas do Brasil

O executivo admite que Águas do Brasil está atenta ao calendário de licitações que está sendo modelado pelo BNDES. Do ponto de vista financeiro, não há grandes restrições para a expansão da empresa. Em 2023, o grupo registrou R$ 2,5 bilhões em receita líquida. O Ebitda da companhia atingiu R$ 650 milhões, um crescimento de 16% em relação a 2022.

Em fevereiro, a Rio+Saneamento captou R$ 4,65 bilhões por meio da emissão de debêntures (títulos de dívida) e empréstimo junto ao BNDES. O montante servirá para pagar o empréstimo-ponte que permitiu quitar as duas primeiras parcelas da outorga fixa do Bloco 3 — pouco mais de R$ 1,8 bilhão do total de R$ 2,2 bilhões devidos ao governo do Rio —, mas também para investimentos na rede que administra.

Essa captação liberou a Águas do Brasil para mirar novos negócios. Sergipe, que deve anunciar licitação para concessão de saneamento em agosto, interessa ao grupo. “É o mesmo modelo da desestatização da Cedae, só que em um bloco só”, afirma executivo.

Outros estados do Nordeste, como Maranhão, Paraíba e Pernambuco, também estão avaliando com o BNDES eventuais licitações de concessão que podem atrair a Águas do Brasil. Ele também cita concessões municipais, em especial com cidades acima de 250 mil habitantes, como uma frente de oportunidades que está se abrindo.

“O mercado de concessões municipais não andou até recentemente porque havia uma queda de braço de quem é o poder concedente, estado ou o município”, afirma. Uma resolução do STF de que o poder concedente tem de ser negociado entre os dois entes, facilitou destravar essa opção.

PPPs e privatizações

Abduche diz que outros modelos de negócios não estão na agenda do grupo. “Temos restrições para parcerias público-privadas (PPP), principalmente quando a empresa estatal delega as obras para o concessionário, preferimos uma PPP onde temos um mínimo de operação comercial favorável”, diz.

Quanto às privatizações, Abduche revela que a Águas do Brasil não se interessou pelo certame da Sabesp, que adotou o formato de follow on – com concessão de uma parcela de 15% de participação acionária e manutenção da empresa estadual com 18% das ações.

“Nosso grupo entende que consegue agregar mais no modelo de concessão, entramos numa cidade onde colocamos nossa experiência de operação e da área comercial, é assim que conseguimos reverter o negócio”, diz. Mesmo assim, o executivo elogia a atuação do governador Tarcísio de Freitas em levar adiante o processo da Sabesp.

“Deve estimular outros governadores a estudarem a privatização como saída, mas o que marcou nesse caso foi estratégia de incluir a rápida obtenção da universalização de água e esgoto no contrato”, diz Abduche. “No fim, mostrou que a Sabesp, a maior empresa da América Latina, está comprometida em cumprir as metas do marco do saneamento. Não deixa de ser um alerta.”





Fonte: Neofeed

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Na bolsa americana, big techs seguem com fôlego, mas há oportunidades “embaixo da superfície”

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Na bolsa americana, big techs seguem com fôlego, mas há oportunidades “embaixo da superfície”
Tempo de Leitura:2 Minuto, 21 Segundo


Diante da expectativa de que os cortes de juros finalmente começarão a acontecer nos Estados Unidos e com os índices acionários registrando forte crescimento, muitos gestores começaram a reavaliar suas posições no mercado de renda variável americano, que, nos últimos anos, viu o setor de tecnologia ganhar bastante força.

Para Marina Valentini, estrategista de mercados globais da J.P. Morgan Asset, esse cenário abre espaço para buscar oportunidades “embaixo da superfície do S&P 500”, considerando que muitas companhias do índice estão com seus valuations perto da média histórica. Mas isso não significa necessariamente que as big techs devem perder relevância ou o interesse dos investidores.

“Muitos analistas começam a falar numa rotação para setores mais cíclicos, como indústria, energia, bancos”, disse ela na quarta-feira, 24 de julho, durante painel no evento Avenue Connection, que está sendo promovido pela corretora Avenue, em São Paulo. “A gente acha que isso vai acontecer, mas não necessariamente às custas do setor de tecnologia.”

Segundo Valentini, as chamadas Magníficas Sete – Alphabet, Amazon, Apple, Meta, Microsoft, Nvidia e Tesla – têm motivo para serem consideradas magníficas, ao representarem cerca de 33% do índice, 39% dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento e 23% do fluxo de caixa. Além de apresentarem boas perspectivas em termos de resultados, mesmo que isso possa ir desacelerando ao longo dos trimestres, com frustrações de curto prazo.

“Essas empresas têm muito dinheiro para investir e apresentam lucros muito fortes”, afirmou. “O mercado espera crescimento de 30% dos lucros, o que é muito bom.”

Ela destacou que muito da alta recente no mercado acionário americano foi puxada pelo entusiasmo com o tema da inteligência artificial, como pode ser visto nas fortes valorizações registradas pelas ações da Nvidia – somente nesse ano, os papéis da companhia acumulam alta de 177,4%. Em sua avaliação, esse é um tema de longo prazo, que ainda deve continuar tendo peso sobre o S&P 500.

Mas com o cenário ficando mais propício para a renda variável e as ações de tecnologia com valuations elevados, a estrategista da J.P. Morgan Asset começa a ver margem para um aumento de posicionamento em outros segmentos, com a tese do value ganhando força.

Em meio a uma economia americana ainda resiliente, ainda que apresente alguns indícios de desaceleração, Valentini afirmou que setores tradicionais demonstram força, com as ações podendo ter boa evolução.

A estrategista da J.P. Morgan Asset destaca que as companhias apresentam boas perspectivas de resultados. Segundo ela, depois de resultados baixos em 2023, a expectativa dos analistas é de um aumento média de 11% dos lucros, enquanto os cálculos das gestoras apontam para uma alta de cerca de 9%.

“A foto corporativa americana é sólida”, disse Valentini. “E vemos os analistas aumentando as expectativas para os lucros das empresas.”



Fonte: Neofeed

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