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Para que servem as consultorias? Um livro debate essa questão

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Para que servem as consultorias? Um livro debate essa questão
Tempo de Leitura:5 Minuto, 8 Segundo


Para a premiada economista italiana Mariana Mazzucato, superar os grandes desafios do nosso tempo requer o que ela chama de ambição e destreza. Todos os tipos de organização nas economias do mundo, afirma ela, têm de ser guiados por experiência, conhecimento técnico e profissionais de gestão de projetos.

Com tais competências, as empresas, os governos e as organizações da sociedade civil podem, então, trabalhar em conjunto para atender às necessidades sociais, econômicas e ambientais coletivas. Mas não tem sido assim nas últimas cinco décadas: a má gestão de empresas e do Estado privilegiou o curto prazo em detrimento dos investimentos necessários ao progresso.

“Essas tendências esgotaram o conhecimento, as habilidades e a visão das organizações”, defende. E aqui entra um grupo de agentes que tira proveito desse modelo de capitalismo e do enfraquecimento subjacente das competências, faturando quantias colossais no processo: a indústria da consultoria.

Mariana lança essa provocação no livro “A grande falácia — Como a indústria da consultoria enfraquece as empresas, infantiliza governos e distorce a economia”, escrito em parceria com a também economista Rosie Collington. Recém-chegada ao Brasil, a obra é reveladora da força das consultorias.

“É comum que governos contratem consultorias para ajudar no desempenho de funções essenciais, como elaborar estratégias de adaptação ao clima, implementar programas de vacinação e prestar serviços na área de bem-estar social”, escrevem, citando as “Big Three” do setor de estratégia (McKinsey, Boston Consulting Group e Bain & Company) e as “Big Four”, da contabilidade (PwC, Deloitte, KPMG e Ernst & Young).

Já, quando são contratadas por empresas, dizem Mariana e Rosie, as incumbências que recebem às vezes estão relacionadas à estratégia corporativa, às vezes à gestão e execução de um determinado projeto ou a uma capacidade específica, como TI ou planejamento financeiro.

Hoje, o tamanho da indústria de consultoria é espantoso, dizem as economistas. E seu crescimento não dá sinais de arrefecer. Para se ter uma ideia, em 2021, citam as autoras, as estimativas do mercado global de serviços de consultoria variaram entre quase US$ 700 bilhões e mais de US$ 900 bilhões, embora esses números não reflitam todo o panorama das atividades desse modelo de empresa. “A onipresença de consultores no ramo da economia é assombrosa”, afirmam.

Um exemplo aconteceu durante os dois primeiros anos da pandemia de Covid-19, entre 2020 e 2021, quando governos gastaram quantias fabulosas na contratação das grandes consultorias. Em julho de 2020, a McKinsey havia assegurado mais de US$ 100 milhões do governo dos Estados Unidos para empreendimentos relacionados à crise sanitária.

Em 2021, no Reino Unido, a Deloitte recebeu, no mínimo, £ 279,5 milhões de libras do governo (mais de R$ 1,9 bilhão). Na Itália, a McKinsey foi contratada para ajudar a alocar € 191,5 bilhões, correspondentes à parcela do país no fundo da União Europeia para a recuperação da pandemia.

Nos bastidores, com transparência

Mariana e Rosie destacam a presença de consultores à mesa das grandes decisões durante muitas das comoções econômicas globais da década passada.

“Desde a crise da dívida da zona do euro até a recuperação de Porto Rico, depois do furacão Maria”, ocorrido em 2017 e que matou mais de 3 mil pessoas.

Com 336 páginas, o livro impresso custa R$ 149,90 e o digital, R$ 49,90 (Crédito: Portfolio-Penguin)

Nas últimas décadas, cita o livro, as Big Three e as Big Four também foram contratadas para ajudar a projetar cidades inteligentes, formular estratégias nacionais de emissão líquida zero de carbono, propor reformas no ensino, assessorar exércitos, administrar a construção de hospitais, redigir códigos de ética médica, elaborar legislação fiscal, supervisionar a privatização de empresas estatais, administrar fusões entre farmacêuticas e governar a infraestrutura digital de inúmeras organizações.

Para as autoras, “os contratos de consultoria abrangem cadeias de valor e setores em vários países e continentes, afetando todos os níveis da sociedade”.

Mas, afinal, isso é bom ou ruim? Mariana e Rosie defendem que a contratação em peso das consultorias enfraquece empresas e esvazia a capacidade do Estado. Segundo elas, boa parte dos contratos são estabelecidos com pouca transparência e sem a exigência de indicadores claros ou transferência de conhecimento.

Dizem que as consultorias podem, sim, desempenhar um papel relevante nas economias, mas nos bastidores e de modo transparente, não no centro das decisões. A dupla baseia sua tese em estudos realizados em vários países, relatórios históricos de políticas econômicas, investigações jornalísticas e entrevistas com consultores.

Aos 56 anos, a economista italiana Mariana Mazzucato está entre os grandes pensadores sobre o futuro do capitalismo (Foto: Tania Cristofari)

A inglesa Rosie Collington era orientanda de doutorado de Mariana Mazzucato, quando ajudou a escrever “A grande falácia”. Hoje, ela é aluna do pós-doutorado em Economia Política Internacional, na Copenhagen Business (Reprodução rosiecollington.work)

Entre os muitos questionamentos que as autoras se propõem a responder está por que tantas pessoas bem-intencionadas e inteligentes escolhem trabalhar em consultorias assim que recebem seu diploma da universidade. E o que isso diz sobre o capitalismo contemporâneo.

“Quisemos desvendar o que acontece com o cérebro de uma organização quando ela não aprende fazendo porque tem alguém fazendo para ela”, explicam.

Para explorar essas questões, as economistas conversaram com líderes de governos, funcionários públicos, executivos de empresas, empregados de ambos os lados dos contratos de consultoria e colegas e amigos que compartilharam suas histórias. “Com eles, aprendemos não só a respeito dos desafios atuais, mas também sobre possíveis alternativas”, dizem.

Elas esperam que o livro seja mais do que o ponto de partida para uma conversa sobre os problemas de gestão dos governos e empresas da atualidade e que também forneça algumas ferramentas e inspiração para que, no futuro, eles se norteiem pelo propósito público.

Mariana e Rosie também perguntam se devemos nos preocupar com o tema. Afinal de contas, os consultores não estão simplesmente ajudando a tornar seus clientes mais eficientes, fazendo o que eles não são capazes de fazer?

E elas próprias respondem: “Este livro mostra por que o crescimento nos contratos de consultoria, o modelo de negócios das grandes consultorias, os conflitos fundamentais de interesse e a falta de transparência têm uma importância tremenda”. Está proposta a reflexão.



Fonte: Neofeed

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Empresas de luxo perdem o brilho. E Kinea vê perspectivas nebulosas no horizonte

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Empresas de luxo perdem o brilho. E Kinea vê perspectivas nebulosas no horizonte
Tempo de Leitura:3 Minuto, 8 Segundo


O mercado de luxo sentiu um verdadeiro baque na segunda-feira, 15 de julho, depois que a Burberry divulgou vendas fracas e alertou para a possibilidade de apresentar prejuízo na primeira metade de 2024, o que resultou na decisão de suspender o pagamento de dividendos.

A notícia derrubou as ações da companhia de 168 anos, que fecharam o dia com queda de 16,1%, levando consigo seus pares, como Kering, cujos papéis recuaram 5,2%, e a gigante LVMH, que terminou com baixa de 2,6%, diante da impressão de que o mercado de luxo, visto como um porto seguro para qualquer tipo de momento econômico, poderia estar “perdendo o brilho”.

Para a Kinea Investimentos, não se trata de uma impressão. A expectativa é de que, no curto prazo, o setor passe por um processo de ajuste, com uma revisão negativa dos lucros diante da tendência de normalização no ritmo de crescimento e nas margens das companhias.

“A indústria de luxo é atrativa, com crescimento em torno de 6% ao ano e mostrando resiliência em ciclos de queda econômica”, diz trecho do estudo da gestora obtido pelo NeoFeed. “Entretanto, o curto prazo ainda parece um pouco nebuloso.”

De acordo com o braço de investimentos alternativos do Itaú Unibanco, o mercado deve continuar revisando para baixo as perspectivas das companhias de luxo, o que pode impactar diretamente o preço das ações.

A correção é consequência da forte expansão que o setor experimentou na pandemia e nos anos subsequentes. Graças aos auxílios dados pelos governos e à falta de opções para gastos em serviços devido aos lockdowns, o setor de luxo teve um forte aumento de demanda entre 2020 e começo de 2023.

O segmento se beneficiou principalmente do gosto do mercado chinês pelo luxo. Segundo a Kinea, historicamente, os consumidores do gigante asiático se aproveitavam de viagens para a Europa para comprar produtos de marca. Com os lockdowns, as empresas começaram a vender na China, o que permitiu praticarem preços maiores.

O estudo traz um levantamento do Morgan Stanley em que a diferença de preços praticados pela LVMH na França e na China, em junho, era de 22%, uma situação que também se via na pandemia. Nos Estados Unidos, a diferença de preços chegava a 25%.

“Com toda essa maior demanda por luxo, as empresas aproveitaram para repassar preços como nunca e – juntamente com a alavancagem operacional (receita crescendo mais do que despesas) – viram suas margens atingirem os maiores patamares históricos, que vem sendo perpetuados pelo consenso de mercado”, diz outro trecho do estudo da Kinea.

Com o fim às restrições para circulação, as pessoas voltaram a comprar na Europa durante viagens, onde os preços são menores, quando comparados a outras localidades. “Este maior crescimento do turismo e compras na Europa tende a ser negativo para crescimento e margens, dado o menor preço médio”, informa o relatório.

A situação foi vista na Burberry. A empresa informou que as vendas na Ásia e nas Américas, regiões em que China e Estados Unidos têm peso significativo, caíram 23% em relação ao mesmo período de 2023.

O resultado, inclusive, fez com que a Burberry substituísse seu CEO, Jonathan Akeroyd, por Joshua Schulman, ex-presidente da Michael Kors, Coach e Jimmy Choo.

Apesar da expectativa de revisões negativas de lucros, a Kinea aponta que os valuations do setor ainda estão próximas às médias dos últimos anos e acima do nível histórico.

“Na nossa visão, temos uma assimetria aqui: poderemos observar uma maior correção nesses valores com a desaceleração de crescimento e compressão de margens no curto prazo”, diz um trecho do relatório. “Com isso, apesar de toda a força das empresas de luxo, temos uma visão menos construtiva para o curto prazo do setor.”





Fonte: Neofeed

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Maior bolha da história está chegando ao pico, alerta gestor símbolo de fundos “cisne negro”

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Maior bolha da história está chegando ao pico, alerta gestor símbolo de fundos “cisne negro”
Tempo de Leitura:3 Minuto, 30 Segundo


Fundador e diretor da Universa Investments, Mark Spitznagel não é o primeiro nem será o último gestor a prever o estouro da bolha do mercado de ações nos Estados Unidos, que vive um rally de valorização em meio à expectativa de queda dos juros pelo Federal Reserve, o banco central dos EUA.

Spitznagel, porém, tem autoridade para falar do assunto. Seu fundo de hedge com US$ 16 bilhões sob gestão é especializado em mitigar o risco de um evento raro e devastador no mercado de ações conhecido como cisne negro – termo cunhado pelo gestor Nicholas Taleb, autor do best-seller de 2007 “O Cisne Negro”. Taleb, mentor de Spitznagel, hoje é consultor da Universa.

Os fundos que apostam na estratégia de risco de cauda – concebida para lucrar com oscilações muito raras dos preços dos ativos – se apoderaram da imaginação dos investidores durante a crise de 2008, ao gerar grandes lucros, enquanto os mercados caíam fragorosamente. Essa percepção foi reforçada durante os primeiros dias do surto de coronavírus em 2020, quando os mercados estavam extremamente caóticos e alguns fundos, incluindo o Universa, saíram-se como grandes vencedores.

Em seu currículo, Spitznagel coleciona resultados espetaculares desde a criação de seu fundo de hedge, em 2008, inclusive ganhando US$ 1 bilhão em um único dia, com uma forma de atuação de mão dupla. Uma delas é apostar na estratégia de risco de cauda, o que já gerou um retorno de mais de 4.000% para os investidores. A outra é ignorar solenemente visões de curto prazo para adotá-la.

Dito isso, o gestor vê agora uma grande liquidação se aproximando, na qual prevê que as ações tendem a perder mais da metade de seu valor. “Acho que estamos a caminho de algo muito, muito ruim, a maior bolha da história humana – mas é claro que eu diria isso”, brincou Spitznagel em uma entrevista ao The Wall Street Journal, ironizando o fato de seus lucros se viabilizarem em épocas de tombos do mercado acionário.

O objetivo básico da proteção que a Universa vende é deixar os gestores de fundos profissionais confortáveis em assumir esse risco e, em seguida, fornecer-lhes dinheiro extra quando surgirem pechinchas. “Permanecer com investimento passivo em ações é a melhor estratégia de longo prazo,” aconselha.

Questionado como os meros mortais sem acesso a coberturas de risco de cauda devem responder à sua previsão de estouro da bolha, Spitznagel é direto: “Provavelmente sem fazer nada.”

Sem resgate

Segundo ele, o elevado endividamento público dos EUA e as seguidas valorizações das ações – o S&P 500 bateu mais de 30 recordes este ano – tornam mais difícil a ocorrência de um resgate liderado pelo governo americano, como aconteceu em 2008.

A despeito da desaceleração benigna da inflação, mantendo baixo o índice de desemprego e a atividade econômica em bom ritmo, Spitznagel despreza a crença no chamado “pouso suave” (redução da inflação com baixo custo para a sociedade) e diz que a economia dos EUA poderá entrar em recessão até o fim do ano.

No entanto, prever, mesmo que aproximadamente, quando o mercado irá quebrar é muito mais difícil do que proteger uma carteira contra esse tombo. Spitznagel acredita que o rally continuará por meses e ficará ainda mais violento, porque o mercado está numa “fase cachinhos dourados” – crescimento econômico moderado e baixa inflação – e a tendência otimista dos investidores impulsiona o rally.

Spitznagel vê alguns sinais da crise se aproximando, observando que os cortes nas taxas de juros, esperados para terem início em setembro, são muitas vezes o ponto de partida para grandes reversões no mercado. Outro indício é a resistência na comunidade de investidores quanto a uma queda iminente.

“Você não pode se sentir um tolo por apresentar um argumento pessimista”, diz Spitznagel. Mas na prática esse pessimismo tem um preço. Gestores de fundos que não aderiram ao movimento da IA, que impulsionou a valorização das ações das empresas de tecnologia este ano, perderam o emprego, como Mike Wilson, que deixou seu posto no comitê global do Morgan Stanley, e Marko Kolanovic, do J.P.Morgan.

“Cassandras são péssimos investidores”, ironiza Spitznagel, referindo-se a gestores que fazem profecias certeiras nas quais ninguém acredita.



Fonte: Neofeed

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A desconhecida empresa de cibersegurança que deu um “strike” em empresas e ganhou “fama” global

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A desconhecida empresa de cibersegurança que deu um
Tempo de Leitura:5 Minuto, 3 Segundo


A pane global de sistemas que vem afetando empresas dos mais variados setores nesta sexta-feira, 19 de julho, colocou, de forma nada favorável, a Microsoft nas manchetes em todo o mundo. Mas outro nome, antes mais restrito aos círculos de tecnologia e segurança, também está sob os holofotes.

Americana, assim como a gigante de Redmond, a empresa de cibersegurança Crowdstrike deixou os bastidores e ganhou fama mundial em poucas horas, ao ser apontada como a origem da falha por trás desse apagão, em função de uma atualização em seu software que, por sua vez, impactou os sistemas e serviços da Microsoft.

No rastro desses impactos em escala global, as ações da companhia chegaram a recuar quase 12% nas negociações do pre-market da Nasdaq na manhã desta sexta-feira. Por volta das 13h15 (horário local), os papéis registravam uma queda de 11,12%, avaliando a empresa em US$ 74,1 bilhões.

Esse efeito inicial fez com que a CrowdStrike perdesse mais de US$ 9 bilhões em valor de mercado desde o fim do pregão na quinta-feira, 18 de julho. E, além das operações de companhias ao redor do globo, interrompeu uma escalada nas ações da empresa.

Até o fechamento das negociações de ontem, os papéis da Crowdstrike registravam uma valorização de 34,3% em 2024. Com essa mesma referência, nos últimos doze meses, as ações acumulavam uma alta de 124,2%.

Fundada em 2011 por George Kurtz e Dmitri Alperovitch, ex-executivos da McAfee, e sediada em Austin, no Texas, a companhia captou, desde então, mais de US$ 1,2 bilhão em nove rodadas junto a investidores como a Ark Investment Management, Accel e General Atlantic.

Já em junho de 2019, a CrowdStrike iniciou sua trajetória como companhia aberta, ao tocar a campainha na Nasdaq. Na oferta, com preço inicial da ação fixado em US$ 34, a empresa levantou US$ 612 milhões e foi avaliada em US$ 6,6 bilhões.

A trajetória da empresa não foi marcada apenas por essas captações, mas também, por uma coleção de inclusões em destaques em listas de publicações, órgãos e empresas como Forbes, CBNC, MIT Tech Review e Fórum Econômico Mundial.

Já em junho desse ano, a CrowdStrike passou a integrar o S&P 500. Na oportunidade, a companhia ressaltou o fato de ter sido a empresa de cibersegurança que alcançou, em menor tempo, a inclusão no índice das bolsas americanas.

Em outros números que dão uma dimensão do seu alcance, a empresa diz atender 298 empresas da lista da Fortune 500, oito das dez maiores instituições financeiras, oito das dez principais montadoras e seis dos dez maiores provedores de saúde do mundo.

Mesmo com essa escala, a empresa ainda é pouco conhecida além do mercado de tecnologia. Mas já teve seu nome destacado em outras ocasiões. A companhia foi responsável, por exemplo, por rastrear os hackers responsáveis por um ataque que teve com alvo a Sony Pictures, em 2014.

A CrowdStrike também foi responsável pela investigação dos ataques contra o Comitê Nacional Democrata dos Estados Unidos, durante a eleição presidencial de 2016, em um processo que também se estendeu a um caso de vazamento de e-mails dessa frente.

Com presença em mais de 170 países, incluindo o Brasil, e um mais de 7,9 mil funcionários, a CrowdStrike fechou seu primeiro trimestre fiscal, em 30 de abril, com uma receita de US$ 921 milhões, alta de 33%.

Os Estados Unidos concentraram quase 70% da receita da empresa no período. Na divulgação do balanço, a companhia também divulgou seu guidance para o ano fiscal e projetou, entre outros números, uma receita entre US$ 3,9 bilhões e US$ 4 bilhões.

A trilha para registrar esses feitos e encorpar essas cifras nos últimos anos foi construída, desde a fundação da companhia, com um discurso de reinvenção da segurança digital com foco na era da computação em nuvem.

Como parte dessa orientação, a empresa justificava essa abordagem com a tese de que esse novo contexto traria, além de vantagens para as empresas, uma série de mudanças no plano das ameaças e brechas de segurança digital.

A companhia concentra sua atuação na Falcon, uma plataforma de “segurança inteligente”, 100% em nuvem, com 28 módulos entregues via software como serviço. E que, segundo a empresa, é capaz de identificar e impedir violações em uma série de dispositivos – de laptops a servidores – em tempo real.

Na prática, esse portfólio monitora ininterruptamente as máquinas em busca de atividades suspeitas nesses ambientes. E tem recursos para suspender automaticamente os sistemas dos clientes no caso de alguma ameaça, o que ajuda a explicar o impacto gerado nessa sexta-feira.

Nos últimos anos, a empresa tem reforçado e ampliado essa oferta com recursos como inteligência artificial generativa. Uma das vias para consolidar essa estratégia são os M&As. Desde o IPO, a companhia fechou sete aquisições com esse viés.

Com esse modelo e esse portfólio, a CrowdStrike tem uma carteira de aproximadamente 29 mil clientes em todo o mundo. A lista inclui companhias como Alphabet, Amazon, Target e o governo dos Estados Unidos.

No mercado de segurança, a companhia tem como algumas de suas principais rivais nomes como Palo Alto Networks e Fortinet. Nessa sexta-feira, as ações das duas empresas subiam, respectivamente, 1,57% e 0,71% na Nasdaq por volta das 13h15 (horário local).

Em uma postagem nas primeiras horas dessa sexta-feira no X, George Kurtz, cofundador e CEO da CrowdStrike afirmou que a empresa estava trabalhando ativamente com clientes afetados por uma “única atualização” referente ao sistema operacional Windows, da Microsoft.

Mais tarde, ele voltou à rede social para ressaltar que não se tratava de um “incidente de segurança” e que os clientes da companhia permaneciam totalmente protegidos. Kurtz observou que uma correção já havia sido implantada e acrescentou:

“Compreendemos a gravidade da situação e lamentamos profundamente o transtorno e a perturbação. Estamos trabalhando com todos os clientes afetados para garantir que os sistemas estejam funcionando e que possam fornecer os serviços com os quais seus clientes contam”.



Fonte: Neofeed

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