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SAF não existe para dar lucro, mas para criar valor, diz Pedro Mesquita, da Exa Capital

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pedro mesquita paulista de jundiaí
Tempo de Leitura:12 Minuto, 47 Segundo


A criação da Lei da Sociedade Anônima de Futebol (SAF), em 2021, trouxe à tona um novo modelo societário para adequar os clubes brasileiros, a maioria endividado e gerido de forma amadora, aos desafios mercadológicos e financeiros de um negócio que movimenta R$ 53 bilhões na economia do País, de acordo com a consultoria EY.

Em três anos, os clubes geridos por SAF já começam a ocupar espaço relevante na elite do futebol nacional. Oito dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, o mais rentável, adotaram esse modelo: América (MG), Atlético (MG), Bahia, Botafogo, Cruzeiro, Cuiabá, Fortaleza e Vasco da Gama, além do Red Bull Bragantino, que se tornou clube-empresa.

E quem teve participação relevante nesse processo foi Pedro Mesquita, CEO e sócio do gestora Exa Capital, criada, neste ano, para investir em negócios do esporte, agro e real este – a ambição é chegar a R$ 5 bilhões sob gestão em dois anos.

Quando ainda era chefe do banco de investimento da XP, Mesquita assessorou, em dezembro de 2021, o Cruzeiro na venda de 90% das ações da SAF para o grupo comandado por Ronaldo Fenômeno – hoje, o clube mineiro foi vendido para Pedro Lourenço, dono do Supermercados BH.

“Clube de futebol é um ativo no qual se investe como num ativo escasso, semelhante a um quadro de um grande pintor”, afirma Mesquita, nesta entrevista ao NeoFeed. “Para valorizá-lo, o investidor precisa gerar receita para pagar as dívidas do clube, contratar jogadores e ganhar títulos. Essa criação de valor é o que dará retorno ao investidor na eventual venda desse clube.”

No início do mês, a Exa assinou um Memorando de Entendimento (MoU) para aquisição de 90% da SAF do Paulista, de Jundiaí – tradicional clube do interior paulista, campeão brasileiro da Série C (2001) e da Copa do Brasil (2005), mas que está afundado em dívidas e disputando o equivalente à quinta divisão do futebol estadual.

A dívida potencial do Paulista, 80 vezes equivalente à receita anual – que assustaria qualquer investidor de outro setor da economia -, não preocupa Mesquita. “Quanto pior a situação de um clube, maior é o valor que se pode criar dentro de um ativo, principalmente se ele tem potencial, como o Paulista”, assegura o empresário, para quem a dinâmica de negócio no futebol é diferente.

A tendência, diz o empresário, é que a maioria dos clubes virem SAF, por causa do modelo profissional de gestão, que gera resultados no campo, incluindo títulos. “Os clubes grandes, endividados, vão perceber que as chances de caírem para a Série B vão aumentar cada vez mais.”

Leia, a seguir, trechos da entrevista, na qual também abordou o mercado externo e a invasão das bets, as casas de apostas, no futebol:

A compra do Paulista de Jundiaí pelo modelo SAF ainda não está concluída. O que falta para a Exa assumir o controle?
Não chegamos na parte final do contrato porque ainda estamos “abrindo as gavetas” para ver o tamanho da dívida. Não sabemos ao certo, mas a dívida gira em torno de R$ 80 milhões por ano, sendo que o faturamento anual não passa de R$ 1 milhão. Ou seja, é uma dívida que precisa ser renegociada, ou via recuperação judicial ou outro instrumento. Mas já definimos os termos para a compra e estamos no processo de diligência, que vai demorar uns quatro meses para concluir. Só depois saberemos o aporte que tem de ser feito.

A maioria dos clubes grandes que viram SAF tem uma dívida gigantesca. Por que são esses os que mais atraem interesse de investidores, como seu fundo?
Como fundo, não vou ser hipócrita, nosso objetivo é obter retorno – e ele virá a partir do que se investe e se consegue extrair de valor no longo prazo. Basicamente, é uma situação na qual, pelo fato de o clube estar endividado, é possível fazer um bom negócio. Renegociar uma dívida envolve um risco muito grande. E tem a questão que o atual processo de virar SAF no futebol brasileiro ainda é muito novo. A SAF acaba sendo a última opção para os clubes endividados.

Veja alguns trechos da entrevista com Pedro Mesquita, CEO da Exa Capital

Já temos nove times da Série A do Campeonato Brasileiro sob o modelo de SAF ou de clube-empresa. Qual é a tendência no médio prazo?
Vislumbro que, no médio e longo prazo, a maioria das SAFs – não digo todas – terá mais sucesso do que a maioria dos clubes sem SAF. Isso vai criar um desequilíbrio, o que vai fazer com que mesmo os clubes que não estão numa situação tão difícil comecem a olhar a SAF com outros olhos.

Em que sentido?
Na média, as SAFs tendem a ter muito mais sucesso que o modelo associativo. Temos dois bons exemplos: o Red Bull Bragantino, que adotou uma gestão privada diferente da SAF e já se solidificou na Série A, é um deles. Outro é o Bahia, clube que sempre figurou entre a primeira e a segunda divisão, e hoje como SAF dificilmente vai voltar a disputar rebaixamento. A tendência é de os clubes grandes, endividados, olhando esse movimento, percebam que as chances de caírem para a Série B vão aumentar cada vez mais.

Como é o cenário do modelo semelhante ao de SAF no exterior?
Lá fora o futebol já é privado. Entre os grandes clubes do mundo, apenas dois – Real Madrid e Barcelona – continuam como associação. O Real já é uma associação “quase SAF”, com uma gestão muito boa. O Barcelona é, vamos dizer, um pouco mais bagunçado em relação a dívidas e desempenho. Todo o resto é privado. O campeonato de maior sucesso do mundo, a Premier League (Inglaterra), que tem maior faturamento e os maiores craques, é inteiramente privado.

A lei da SAF foi criada em 2021. O que impede um clube brasileiro de ir além e fazer IPO?
A lei brasileira autoriza fazer IPO de qualquer ativo privado, inclusive de uma SAF. A grande questão é se há demanda de investidores por IPO de um clube de futebol. No mundo todo, há poucos clubes que são abertos em bolsa, é muito raro [o Borussia Dortmund, finalista da Liga dos Campeões em 2023/24, é um exemplo].

Por quê?
Porque o clube de futebol não é um ativo que vai te gerar lucro. Basicamente, quanto mais receita, mais Ebitda, mais investimento no próprio futebol. A tendência é que todos os clubes fiquem no “zero a zero” – esse é o caso de um clube bem administrado, pois o objetivo é ser competitivo e contratar bons jogadores. A questão é a valorização do ativo.

A valorização do ativo então se sobressai em relação ao lucro no futebol?
Costumo comparar um clube de futebol com o quadro de um grande pintor. Quanto melhor o pintor, quanto mais escasso o ativo, maior é a demanda. Então, quanto maior o clube, maior sua torcida, maior a demanda de investidores. Ou seja, os grandes valores – os grandes clubes – são escassos. Então é uma teoria de escassez, muito mais do que uma teoria de geração de lucro.

Como o investidor de bolsa entende essa lógica?
Ele vai olhar o lucro, mas não tem lucro… Como assim? Ele vai ser dono de um bem, de uma pequena parte de um ativo escasso. Porque a grande atratividade de ser dono de um ativo é poder explorar as sinergias que aquele ativo te gera. Já um sócio super minoritário não consegue extrair isso. Por isso que não existe demanda, nem no mundo nem aqui, de IPO de clube de futebol.

Quais são os principais impulsionadores para um clube gerido por SAF passar a dar lucro para o investidor e títulos para a torcida? Existe uma receita?
Essa é a grande questão. O torcedor acha que o clube que virou privado vai dar lucro. Nenhum clube grande no mundo dá lucro, ou quase nenhum. Clube de futebol é criação de valor. No limite, o clube vai usar o lucro do ano para reinvestir no próprio clube, e não para gerar dividendo. Torcedor tem de entender que o investidor compra um clube para que esse ativo se valorize e, um dia, se ele quiser, vendê-lo ou não.

“Nenhum clube grande dá lucro, pois o ganho é usado para reinvestir no clube, e não para gerar dividendo”

Como o investidor vai tornar esse ativo mais valioso?
Montando estrutura, centro de treinamento, ganhando mais títulos. Mas se trata de uma teoria completamente diferente daquela de se olhar uma empresa, porque ela vai dar lucro e gerar dividendo com a solidez.

Então, a compra de um clube no modelo SAF, para o investidor, tem dois objetivos: criar valor para esse ativo e depois passar para frente. Não foi o que o Ronaldo acaba de fazer com o Cruzeiro?
Se um investidor quiser passar o clube para frente, ele pode passar com valorização de ativo, por ter mudado o patamar daquele clube que estava no vermelho. O caso do Ronaldo, no Cruzeiro, é exemplar: subiu o clube para a primeira divisão, fez um trabalho magnífico de redução de dívida, por meio de uma recuperação judicial, reestruturou a categoria de base e melhorou o centro de treinamento. Mas ele tomou seus riscos – o Cruzeiro poderia não ter subido ou até caído para a terceira divisão. No meio desse processo houve um comprador que quis pegar o ativo para valorizá-lo ainda mais. O Ronaldo nem tinha a intenção de vendê-lo agora, mas foi uma questão de oportunidade.

Entre os clubes que viraram SAF temos um exemplo que destoa: o Vasco, que rompeu com a gestora 777, fundo americano que havia comprado o clube e não fez os aportes prometidos. Qual sua avaliação desse caso?
A primeira coisa que um clube interessado em virar SAF precisa saber é de onde vem o dinheiro e quais são os planos desse investidor. Na época da transformação do Cruzeiro em SAF, a 777 fez uma proposta. Como assessor da XP contratado pelo Cruzeiro para escolher o investidor, preferi o Ronaldo, dentro de um contexto: tinha muito mais credibilidade e experiência no futebol, embora não fosse o investidor mais capitalizado naquele momento. Fizemos uma análise criteriosa da 777 e não conseguimos identificar quem entendia de futebol lá dentro nem de onde vinha o dinheiro. Infelizmente, quem assessorou o Vasco escolheu a 777. De qualquer forma, mesmo fazendo diligência e fechando um bom contrato, quem vai comprar pode fazer um trabalho ruim.

Quem precisa evoluir mais no futebol brasileiro em direção à profissionalização: os dirigentes, comissão técnica ou atletas?
Nosso futebol é reflexo da sociedade brasileira, do ponto de vista prático. Temos menos educação e mais desigualdade se comparado a outros países. A profissionalização do futebol vai obrigar todos que dele participam que também se profissionalizem. Há dez anos, um ou outro clube tinha treinador estrangeiro. Hoje, eles são maioria, pois os treinadores estrangeiros são mais bem formados, estudam mais. A mesma coisa são as reclamações com arbitragem. Não acredito que haja conluio ou armação. O que existe no Brasil é uma arbitragem de péssima qualidade, até porque ela é amadora. Na Inglaterra, por exemplo, o juiz de futebol é profissional, treina e vive como um atleta de clube, focado em melhorar. Por isso que a arbitragem é melhor lá fora.

O mesmo vale para dirigentes?
Sem dúvida, não vai ter espaço para amadorismo. Flamengo e Palmeiras são clubes que não são SAF e estão muito bem administrados, com dívida sob controle, dinheiro em caixa e ganhando títulos. Por quê? Seus presidentes, Rodolpho Landim (Flamengo) e Leila Pereira (Palmeiras) são empresários de sucesso em seus setores de atuação. Não são simplesmente como os antigos políticos do futebol que estavam lá dirigindo o clube. Antes deles, o Bandeira de Mello e o Paulo Nobre já haviam administrado Flamengo e Palmeiras de forma profissional. Por isso, esses dois clubes são exceção.

“Flamengo e Palmeiras não são SAFs, mas dão lucro porque seus presidentes são empresários de sucesso”

De que adiante termos clubes geridos por SAF se a CBF é comandada por dirigentes amadores?
O futebol está se estruturando e, aos poucos, isso não vai mudar do dia para a noite. Somos hoje o investidor da Liga Forte União, que junto com outro bloco, a Libra, está tentando montar uma liga para organizar o Campeonato Brasileiro. A Liga Forte União tem a adesão de mais de 30 clubes. O ideal seria todos os clubes dentro de uma liga, mas já é um avanço. A partir do momento que tivermos uma liga, poderemos profissionalizar a arbitragem do Brasil, por exemplo.

O que chama a atenção nesse movimento de criação da liga são os baixíssimos valores propostos de negociação de direitos de TV, se comparados aos das grandes ligas. O que explica esse descompasso?
Os valores são baixos porque os clubes negociam sozinhos. Esse é um ponto. Os clubes querem antecipação de receita, então acabam negociando direitos futuros para poder ter dinheiro no presente. Outro ponto é que nosso produto também não é dos melhores: o calendário é ruim, incompatível com os de outros países, os gramados são péssimos e nossos melhores jogadores vão para o exterior, entre outros problemas.

Corremos o risco de ver algum outro esporte ocupar o lugar do futebol no Brasil?
O próprio futebol – só que do exterior – invadiu o País, ocupando um espaço que era nosso. Quando era criança, eu usava a camisa do Cruzeiro, meu time de coração. Hoje, os filhos dos meus amigos usam a camisa do Real Madrid, do Manchester City, do Barcelona…

Como reverter isso?
O que falta é profissionalização. O futebol é um esporte que, no Brasil, tem pouca concorrência de outras modalidades. Somos um dos maiores consumidores de futebol do mundo em comparação com qualquer outro país que tem ligas superiores em termos de faturamento. Nossa economia é maior do que a da Espanha, país do maior clube do mundo, o Real Madrid. Temos tudo aqui para fazer bem-feito, é só profissionalizar.

As casas de apostas, as bets, invadiram o futebol, patrocinando clubes brasileiros e do exterior. Isso ocorre em meio a casos de jogadores envolvidos com apostas. Não é preocupante?
É importante e preocupante não só no Brasil como no mundo e não só no futebol, como em outros esportes. Primeiro ponto: não vejo problema de as bets patrocinarem o futebol ou suas marcas estarem nas camisas dos times de futebol – elas geram uma receita importantíssima para os clubes. Além disso, elas não invadiram só o Brasil como a Inglaterra, que é principal campeonato mais organizado do mundo. O problema para mim não é esse, tanto que teve atletas da NBA sendo expulsos do esporte por estarem envolvidos com apostas – e aposta a favor de vitória do próprio time – e lá não tem patrocínio de bets na camisa dos clubes.

Então o problema é a questão da aposta de jogadores, como o caso que está sendo investigado envolvendo o Lucas Paquetá, atleta da Seleção Brasileira?
O que tem de ficar claro é que jogador não pode apostar, nem pode ter familiares ou amigos apostando. Eu vejo menos como um problema das bets e mais como um problema de conscientização dos atletas. Quando alguém cometer um deslize e for comprovado que esse jogador influenciou algo no jogo, não resta dúvidas de que a punição tem de ser exemplar.





Fonte: Neofeed

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Howard Marks não vê excessos na Bolsa dos EUA, mas dá crédito para um outro investimento

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Howard Marks não vê excessos na Bolsa dos EUA, mas dá crédito para um outro investimento
Tempo de Leitura:2 Minuto, 6 Segundo


Em um ano marcado por quebra de recordes dos índices nos Estados Unidos, com as empresas de tecnologia vendo seus valuations em patamares bastante elevados, invariavelmente começam a surgir dúvidas entre investidores sobre se o mercado não estaria passando por excessos, com o surgimento de uma bolha.

Para Howard Marks, cofundador da Oaktree Capital, gestora que conta com US$ 192 bilhões em ativos sob gestão, ainda que o mercado americano esteja aquecido, e alguns setores registrem valuations e múliplos esticados, a situação não se mostra problemática.

“No momento, não vejo grandes excessos na economia americana ou nos mercados”, disse ele na quarta-feira, 24 de julho, em participação, via videoconferência, em painel no evento Avenue Connection, em São Paulo. “Não vejo excesso de otimismo, não vejo muitos setores superaquecidos na economia.”

Conhecido por ter dedicado parte da sua carreira ao estudo dos ciclos de mercado, tendo lançado um livro em 2018 sobre o tema, Marks afirmou que o P/L das bolsas americanas está “um pouco alto” em relação ao que já foi visto antes, com o múltiplo do S&P 500 cerca de 20% acima da média histórica o que, para ele, não se trata de algo preocupante.

A percepção de que o mercado americano poderia estar passando por um excesso de euforia vem do bom desempenho das empresas de tecnologia. Mas Marks destacou que, nos outros segmentos, as ações não estão com valuations muito elevados.

“Não é que as ações estão baratas, não estão, elas estão altas, mas não em um patamar que devemos nos preocupar”, afirmou.

Outro ponto que Marks busca identificar para ver se há excessos no mercado é o sentimento dos investidores e, segundo ele, o que se vê é cautela, com preocupações sobre questões geopolíticas e os rumos da economia.

Mesmo vendo as ações em patamares razoáveis, Marks entende que as principais oportunidades em termos de retorno estão no mercado de crédito. “Os retornos previstos estão nos maiores patamares vistos em tempos e em patamares satisfatórios em termos absolutos”, disse.

No momento em que os juros estão em patamares elevados, com o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) revertendo a frouxa política monetária adotada para combater a crise financeira de 2009, Marks enxerga uma série de oportunidades no mercado, desde títulos mais seguros até papéis high yield, e vê a possibilidade de retornos na casa dos dois dígitos, algo impensável há décadas atrás.

“Os retornos estão altos e podem ser conseguidos de forma relativamente tranquila”, afirmou.



Fonte: Neofeed

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“Veterana” do saneamento vai investir R$ 333 milhões e mira novas concessões

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“Veterana” do saneamento vai investir R$ 333 milhões e mira novas concessões
Tempo de Leitura:5 Minuto, 29 Segundo


À frente da Águas do Brasil, a mais antiga empresa privada de saneamento em operação no País, o presidente Claudio Abduche não hesita em revelar qual o maior desafio do grupo, fundado há 25 anos: acelerar os investimentos no Bloco 3 da concessão da Cedae, no Rio de Janeiro, que opera há dois anos em parceria com a Vinci Partners sob a marca Rio+Saneamento.

Em entrevista ao NeoFeed, Abduche revela que a Rio+Saneamento vai investir R$ 333,7 milhões este ano em tratamento de esgoto e água de 18 municípios do Rio, incluindo 24 bairros da Zona Oeste carioca, com previsão de inaugurar nove estações de tratamento esgoto e água até 2026.

O foco dos investimentos no bloco é maior na capital fluminense, onde atua numa região com forte presença de milícias e índices de universalização mais desafiadores para o grupo, que opera 15 concessões e duas unidades industriais em 32 municípios nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, atendendo 5,2 milhões de pessoas.

“O Bloco 3 é mais complexo, atuamos numa área que tinha historicamente o índice mais elevado de inadimplência da Cedae e com baixo índice de fornecimento de água”, afirma Abduche.

Segundo ele, as outras concessões do grupo têm níveis de universalização mais maduros. “Daí o investimento elevado na área operacional do Bloco 3, além de campanhas da área comercial de cadastramento dos clientes.”

O executivo assegura que o fato de a região sob concessão na capital fluminense ter forte presença da milícia não chega a impactar na prestação do serviço.

A estratégia adotada foi procurar as lideranças comunitárias e mostrar os benefícios de fornecer água tratada, trocar a rede antiga e ampliar a coleta de esgoto. “Usamos nossa experiência no setor, com diálogo e paciência estamos conseguindo avançar”, revela.

As nove Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) previstas têm recebido atenção especial do grupo. Elas estão em diversas etapas de obra, algumas em fase de licenciamento e outras já iniciadas, e vão beneficiar 2,5 milhões de pessoas, na capital e no interior.

Levantamento do Ministério das Cidades indica que, quatro anos depois da aprovação do Marco Regulatório do Saneamento, a coleta e tratamento de esgoto representam o grande gargalo para atingir as metas de universalização – 99% da população com abastecimento de água e 90% com esgotamento sanitário até 2033.

De 2019 a 2022, a proporção do esgoto tratado no País passou de 49% para 52%. Ao todo, 90 milhões de brasileiros ainda não têm acesso a coleta de esgoto, e 32 milhões a água potável. “A maior carência do Brasil hoje é a parte de coleta e tratamento de esgoto, mesmo porque a rede no Brasil foi quase inteiramente uma obra do século XIX”, diz Abduche.

Avanço com Marco

Para o executivo da Águas do Brasil, a entrada em vigor do marco regulatório causou ao menos três efeitos positivos: atraiu investimentos do mercado de capitais, obrigou as empresas estaduais de saneamento a buscarem financiamento para cumprir as metas e, o mais importante, trouxe segurança jurídica ao setor.

Mesmo assim, ele adverte que vai ser difícil para muitas estatais de saneamento conseguirem chegar perto das metas determinadas pelo marco, por causa das dificuldades financeiras do poder público num cenário de juros elevados.

Um estudo do Instituto Trata Brasil divulgado este mês prevê que a universalização do saneamento no Brasil só acontecerá em 2070, considerando o ritmo atual de melhorias no setor.

“As licitações para concessões, por exemplo, precisam avançar com mais rapidez”, adverte Abduche, lembrando que regiões com grande população – como Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina – não definiram o modelo ou seguem atuando com empresas estatais de saneamento.

Claudio Abduche, presidente da Águas do Brasil

O executivo admite que Águas do Brasil está atenta ao calendário de licitações que está sendo modelado pelo BNDES. Do ponto de vista financeiro, não há grandes restrições para a expansão da empresa. Em 2023, o grupo registrou R$ 2,5 bilhões em receita líquida. O Ebitda da companhia atingiu R$ 650 milhões, um crescimento de 16% em relação a 2022.

Em fevereiro, a Rio+Saneamento captou R$ 4,65 bilhões por meio da emissão de debêntures (títulos de dívida) e empréstimo junto ao BNDES. O montante servirá para pagar o empréstimo-ponte que permitiu quitar as duas primeiras parcelas da outorga fixa do Bloco 3 — pouco mais de R$ 1,8 bilhão do total de R$ 2,2 bilhões devidos ao governo do Rio —, mas também para investimentos na rede que administra.

Essa captação liberou a Águas do Brasil para mirar novos negócios. Sergipe, que deve anunciar licitação para concessão de saneamento em agosto, interessa ao grupo. “É o mesmo modelo da desestatização da Cedae, só que em um bloco só”, afirma executivo.

Outros estados do Nordeste, como Maranhão, Paraíba e Pernambuco, também estão avaliando com o BNDES eventuais licitações de concessão que podem atrair a Águas do Brasil. Ele também cita concessões municipais, em especial com cidades acima de 250 mil habitantes, como uma frente de oportunidades que está se abrindo.

“O mercado de concessões municipais não andou até recentemente porque havia uma queda de braço de quem é o poder concedente, estado ou o município”, afirma. Uma resolução do STF de que o poder concedente tem de ser negociado entre os dois entes, facilitou destravar essa opção.

PPPs e privatizações

Abduche diz que outros modelos de negócios não estão na agenda do grupo. “Temos restrições para parcerias público-privadas (PPP), principalmente quando a empresa estatal delega as obras para o concessionário, preferimos uma PPP onde temos um mínimo de operação comercial favorável”, diz.

Quanto às privatizações, Abduche revela que a Águas do Brasil não se interessou pelo certame da Sabesp, que adotou o formato de follow on – com concessão de uma parcela de 15% de participação acionária e manutenção da empresa estadual com 18% das ações.

“Nosso grupo entende que consegue agregar mais no modelo de concessão, entramos numa cidade onde colocamos nossa experiência de operação e da área comercial, é assim que conseguimos reverter o negócio”, diz. Mesmo assim, o executivo elogia a atuação do governador Tarcísio de Freitas em levar adiante o processo da Sabesp.

“Deve estimular outros governadores a estudarem a privatização como saída, mas o que marcou nesse caso foi estratégia de incluir a rápida obtenção da universalização de água e esgoto no contrato”, diz Abduche. “No fim, mostrou que a Sabesp, a maior empresa da América Latina, está comprometida em cumprir as metas do marco do saneamento. Não deixa de ser um alerta.”





Fonte: Neofeed

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Na bolsa americana, big techs seguem com fôlego, mas há oportunidades “embaixo da superfície”

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Na bolsa americana, big techs seguem com fôlego, mas há oportunidades “embaixo da superfície”
Tempo de Leitura:2 Minuto, 21 Segundo


Diante da expectativa de que os cortes de juros finalmente começarão a acontecer nos Estados Unidos e com os índices acionários registrando forte crescimento, muitos gestores começaram a reavaliar suas posições no mercado de renda variável americano, que, nos últimos anos, viu o setor de tecnologia ganhar bastante força.

Para Marina Valentini, estrategista de mercados globais da J.P. Morgan Asset, esse cenário abre espaço para buscar oportunidades “embaixo da superfície do S&P 500”, considerando que muitas companhias do índice estão com seus valuations perto da média histórica. Mas isso não significa necessariamente que as big techs devem perder relevância ou o interesse dos investidores.

“Muitos analistas começam a falar numa rotação para setores mais cíclicos, como indústria, energia, bancos”, disse ela na quarta-feira, 24 de julho, durante painel no evento Avenue Connection, que está sendo promovido pela corretora Avenue, em São Paulo. “A gente acha que isso vai acontecer, mas não necessariamente às custas do setor de tecnologia.”

Segundo Valentini, as chamadas Magníficas Sete – Alphabet, Amazon, Apple, Meta, Microsoft, Nvidia e Tesla – têm motivo para serem consideradas magníficas, ao representarem cerca de 33% do índice, 39% dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento e 23% do fluxo de caixa. Além de apresentarem boas perspectivas em termos de resultados, mesmo que isso possa ir desacelerando ao longo dos trimestres, com frustrações de curto prazo.

“Essas empresas têm muito dinheiro para investir e apresentam lucros muito fortes”, afirmou. “O mercado espera crescimento de 30% dos lucros, o que é muito bom.”

Ela destacou que muito da alta recente no mercado acionário americano foi puxada pelo entusiasmo com o tema da inteligência artificial, como pode ser visto nas fortes valorizações registradas pelas ações da Nvidia – somente nesse ano, os papéis da companhia acumulam alta de 177,4%. Em sua avaliação, esse é um tema de longo prazo, que ainda deve continuar tendo peso sobre o S&P 500.

Mas com o cenário ficando mais propício para a renda variável e as ações de tecnologia com valuations elevados, a estrategista da J.P. Morgan Asset começa a ver margem para um aumento de posicionamento em outros segmentos, com a tese do value ganhando força.

Em meio a uma economia americana ainda resiliente, ainda que apresente alguns indícios de desaceleração, Valentini afirmou que setores tradicionais demonstram força, com as ações podendo ter boa evolução.

A estrategista da J.P. Morgan Asset destaca que as companhias apresentam boas perspectivas de resultados. Segundo ela, depois de resultados baixos em 2023, a expectativa dos analistas é de um aumento média de 11% dos lucros, enquanto os cálculos das gestoras apontam para uma alta de cerca de 9%.

“A foto corporativa americana é sólida”, disse Valentini. “E vemos os analistas aumentando as expectativas para os lucros das empresas.”



Fonte: Neofeed

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