Negócios
Brasil ganha “gás” de R$ 188 bilhões e sai na frente na corrida do hidrogênio verde
O Brasil saiu na frente na corrida do hidrogênio verde e a sanção da Lei 14.948, que criou o marco legal do hidrogênio verde (H2V), consolidou a maior ofensiva em anos em direção à descarbonização do setor produtivo.
O hidrogênio verde é considerado o Santo Graal da descarbonização pela diversidade de sua utilização na era da transição energética, despontando como a melhor alternativa para eliminar as emissões de carbono de caminhões, aviões, siderúrgicas, na fabricação de fertilizantes e de produtos químicos, além de servir como combustível verde para transporte de longas distâncias.
A liberação de R$ 18,5 bilhões em incentivos fiscais até 2032 para atrair investimentos e reduzir o custo de produção, prevista pelo marco, tende a dar um empurrão que faltava para tirar do papel mais de 60 projetos de hidrogênio a partir de fontes renováveis, que somam R$ 188,7 bilhões, segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Essa é apenas uma parcela do potencial brasileiro. A ABIHV (Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde) calcula que os investimentos diretos e indiretos em hidrogênio verde causarão um impacto de R$ 7 trilhões no PIB nacional até 2050 – isso considerando que o Brasil atenda apenas 4% da demanda internacional.
Na corrida pelo hidrogênio verde, a mineradora australiana Fortescue saiu na frente. No início do mês de outubro, o Conselho Nacional das Zonas de Processamento de Exportação (CZPE) autorizou a primeira instalação de uma planta de hidrogênio verde, da Fortescue, no complexo portuário e industrial do Pecém, no Ceará – que, desde já, desponta como o maior hub de H2V no País, concentrando 40 projetos potenciais.
O pré-contrato assinado pela Fortescue prevê investimentos de R$ 20 bilhões para construção de uma das maiores plantas de hidrogênio verde do mundo no Pecém, com uso de 1,2 gigawatt (GW) de energia renovável para produzir 900 mil toneladas de amônia verde ao ano.
A expectativa é que a planta seja inaugurada entre 2028 e 2029, com produção incialmente voltada para exportação – uma decisão que leva em conta a demanda do mercado europeu, com mandato, metas e pressão para descarbonizar sua atividade produtiva.
“Acreditamos, porém, que a oportunidade a ser oferecida pelo mercado interno é muito maior em agregar valor a esse produto”, afirma ao NeoFeed Luis Viga, principal executivo da Fortescue no Brasil.
Viga aponta algumas vantagens do País na corrida global pelo hidrogênio verde: além da energia renovável “de excelente qualidade e custo competitivo, que pode fazer escala”, ele cita a sinergia com outros produtos nacionais.
“O Brasil importa 90% dos fertilizantes que utiliza no agronegócio, com hidrogênio verde podemos fazer amônia verde e fertilizantes nitrogenados, trazer para o País a indústria de briquete de ferro, essencial para descarbonizar a siderurgia, sem falar na produção da SAF (combustível sustentável de aviação) e de combustível para o setor marítimo”, diz Viga.
E-metanol no pipeline
Além da Fortescue, outros projetos de hidrogênio verde estão em estágio adiantado e voltados para diferentes fins. A European Energy formalizou há um mês parceria com o governo de Pernambuco para construir a primeira fábrica de e-metanol do País, no complexo industrial e portuário de Suape. Metanol produzido a partir do hidrogênio verde, o e-metanol é apontado como uma solução para descarbonização do transporte marítimo.
A empresa de origem dinamarquesa planeja investir R$ 2 bilhões no empreendimento. As obras terão início em outubro do próximo ano, e a unidade deverá começar a funcionar em julho de 2028.
A European Energy já havia fechado parceria com a A.P. Moeller-Maersk, gigante de transporte e logística, também de origem dinamarquesa, para abastecimento dos novos navios da Maersk à base de e-metanol.
Os outros dois projetos que devem sair logo também envolvem amônia verde e e-metanol. A Atlas Agro anunciou no mês passado o início do projeto executivo de sua fábrica de fertilizantes nitrogenados em Uberaba (MG), com investimentos de R$ 4,3 bilhões.
A Atlas Agro, porém, mira principalmente o mercado nacional O objetivo é que a planta de Uberaba produza 530 mil toneladas de fertilizantes por ano para serem comercializadas para grandes produtores da região, num raio de até 500 quilômetros.
Na segunda-feira, 28 de outubro, a Atlas Agro assinou um memorando de entendimento com a Casa dos Ventos, que vai fornecer energia renovável para a planta de Uberaba.
Pioneira no desenvolvimento de parques eólicos para geração de energia, a Casa dos Ventos também está avançando em outro projeto promissor, previsto para o Complexo do Pecém e voltado para o mercado externo.
Em parceria com a TotalEnergies, que adquiriu 34% da empresa, a Casa dos Ventos pretende construir no complexo uma planta para produzir 2 milhões de toneladas anuais de amônia verde, a partir de 2030.
O projeto – com R$ 25,7 bilhões de investimentos previstos – já tem licença ambiental prévia, mas a empresa aguarda a regulamentação do marco legal do hidrogênio verde para oficializar a decisão final de investimento (FID), até o fim do ano que vem.
A cautela das empresas com projetos bilionários de H2V quanto à regulamentação do marco é compreensível, afirma ao NeoFeed Fernanda Delgado, diretora-executiva da ABIHV. Segundo ela, a aprovação do marco legal abriu a primeira janela de oportunidade para estabelecer a indústria do H2V.
“Agora, precisa formatar o arcabouço regulatório para definir certificação, como esses incentivos vão ser propostos, os agentes reguladores, como vai institucionalizar, enfim, a lei detalhada para chegar ao setor industrial e dar-lhe condições para poder operar”, diz Delgado.
A expectativa, segundo Delgado, é que o Ministério das Minas e Energia tenha um rascunho pronto da regulamentação até o fim do ano. Se tudo correr bem, a regulamentação pode sair no começo do ano que vem.
Corrida global
Embora ainda incipientes mundo afora, devido aos altos custos, o hidrogênio verde deve gerar US$ 500 bilhões de investimentos globais até 2050, de acordo com estimativa da consultoria em energia limpa Wood Mackenzie.
O Brasil disputa mercado com China, Japão e União Europeia, que estão investindo pesado em hidrogênio verde. E correm por fora Chile, Egito e Namíbia, que, embora não tenham as mesmas fontes renováveis do Brasil, estão disponibilizando recursos financeiros para atrair investimentos.
A diretora da ABIHV diz que os incentivos públicos aprovados para os projetos de hidrogênio verde devem ser comemorados. “Liberar R$ 18,3 bilhões numa época de austeridade fiscal mostra um alinhamento de política pública industrial e ambiental como nunca vimos antes”, diz Delgado.
Essa aposta, acrescenta Delgado, reflete o potencial que essa nova indústria representa. A executiva vê com o hidrogênio verde uma grande oportunidade de não só revitalizar a indústria nacional como prepará-la para a era da transição energética.
“O hidrogênio verde já é uma indústria sofisticada e de alto valor agregado, podemos usá-lo para fazer aço verde, fertilizante verde e dar um passo a mais de sofisticação na cadeia produtiva”, afirma Delgado.
Parte do otimismo que dessa vez vai ser diferente se apoia no planejamento estratégico envolvendo vários setores da economia para tornar atrativo a investidores estrangeiros apostar no Brasil.
Viga, da Fortescue, destaca em especial o trabalho desenvolvido pelo governo do Ceará, que desde 2021 começou a planejar a transformação do complexo do Pecém num hub de hidrogênio verde, buscando se aproximar do setor privado e oferecendo todas as condições para atrair investimento estrangeiro, envolvendo a federação das indústrias local e a Universidade Federal do Ceará (UFCE).
Segundo ele, isso explica o fato de o Pecém concentrar 40 dos 60 projetos previstos de H2V, a maioria de empresas de fora do País. “A ideia de criar um hub no Pecém coloca produtor e consumidor no mesmo local, com estrutura compartilhada; o custo total é diluído entre várias empresas, além disso essa aproximação com o poder público dá segurança que os problemas vão ser resolvidos”, afirma Viga.
Enio Pontes de Deus, coordenador do programa de pós-graduação em engenharia e ciência dos materiais da UFCE, afirma que o programa de hidrogênio verde do Pecém deu um salto quando o complexo fechou em 2022 acordo com o Porto de Roterdã, principal hub de distribuição de H2V na Europa.
“A primeira parte foi bem-feita, mas não é só gerar o hidrogênio verde”, afirma Pontes de Deus. “Precisamos lidar com a questão de distribuição e armazenamento, temos limitações técnicas com as linhas de transmissão de energia, ausência de padrões e equipamentos caros, entre outros problemas.”
Pontes de Deus adverte que o Brasil precisa de novas soluções tecnológicas para o mercado nacional de H2V. Ele cita um programa inovador desenvolvido pela UFCE, que extrai uma membrana da casca de camarão e de caranguejo para ser usada na fabricação de eletrolizadores.
A membrana sintética, normalmente usada no processo, impacta no custo dos eletrolizadores e a solução cearense ainda resolve um problema ambiental, de descarte das cascas de camarão e de caranguejo.
Negócios
Os três fatores que deveriam levar governo a reforçar a política fiscal, segundo Leonardo Porto, do Citi
Quando boa parte do mercado financeiro acreditava que os juros iriam estar abaixo de um dígito no fim de 2024, Leonardo Porto, economista-chefe do Citi Brasil, era uma das poucas vozes que se levantava contra esse consenso.
O tempo mostrou que Porto estava certo. Os juros estão em 12,25% e o Banco Central já sinalizou que deve fazer mais duas altas de 1% cada em 2025 – a expectativa, agora, é de que a Selic fique na casa dos 15% – com alguns agentes do mercado financeiro apostando que pode ser até mais.
Agora, Porto está elencando três fatores que deveriam fazer o governo federal reforçar a política fiscal, após o mercado financeiro entrar em modo pânico com as medidas, consideradas insuficientes, do pacote anunciado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
“A economia está bombando, a hora de fazer ajuste é agora, pois temos arrecadação forte”, afirma Porto, em entrevista ao NeoFeed. “Reforçar a política fiscal, neste momento, é essencial.”
De acordo com ele, adotar medidas duras tornou-se urgente por causa de uma combinação de três fatores: a recente fuga de capitais, que reflete a falta de confiança na política fiscal; o forte crescimento da economia, que gera pressões inflacionárias; e, por fim, o resultado dos dois fatores anteriores, a desancoragem da expectativa de inflação.
Sobre o desafio do novo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que assume o lugar de Roberto Campos Neto em janeiro de 2025, Porto sugere cuidado para o órgão na forma de agir para lidar com a expectativa de inflação e escalada do dólar. “Galípolo tem de atuar somente sobre a parte monetária e deixar a parte fiscal para os cuidados do governo federal.”
Na entrevista que você lê a seguir, Porto detalha as suas propostas para enfrentar essa crise fiscal. Ele também diz que a disparada do dólar precisa ser entendida em um contexto maior.
“A primeira conclusão é que o problema recente não foi só a disparada do dólar. São também os juros, a queda da bolsa e a desancoragem da expectativa de inflação. Não é algo idiossincrático do mercado de câmbio.”
Leia a seguir os principais trechos da entrevista concedida ao NeoFeed:
O governo federal viu em dezembro a situação econômica escapar do controle após a péssima recepção do pacote fiscal, culminando com uma desvalorização do real e fuga de capitais. Qual o cenário para 2025?
É preciso analisar os fatores que levaram a esse desequilíbrio no câmbio num contexto maior para poder pensar em 2025. A primeira conclusão é que o problema recente não foi só a disparada do dólar. São também os juros, a queda da bolsa e a desancoragem da expectativa de inflação. Não é algo idiossincrático do mercado de câmbio. A segunda conclusão é que, quando se compara com preços de outros ativos de mercados emergentes, os nossos são os piores em performance – não é, portanto, um problema ligado à economia global, é doméstico.
Qual o peso do anúncio do pacote fiscal nesse desequilíbrio que vimos em dezembro?
Esse desequilíbrio não começou quando o governo anunciou o pacote, no fim de novembro. Ele vem ocorrendo desde março. Nessa época, o dólar estava a R$ 5 e o mercado acreditava que a Selic ia cair para um dígito. E, desde então começou a acelerar. O que houve com o anúncio do pacote foi uma intensificação desse processo. É bem provável que a parte fiscal seja a principal responsável por essa saída de capital de diversos ativos que vimos na última semana.
“Esse desequilíbrio vem desde março, quando o dólar estava a R$ 5 e o mercado acreditava que a Selic ia cair para um dígito”
O que é preciso fazer em 2025 para reverter esse processo?
É preciso reforçar os marcos da política fiscal. O arcabouço aprovado em 2023 tem muitas inconsistências. Ele estabelece um limite de crescimento de despesas entre 0,6% e 2,5% ao ano, mas as despesas mandatórias estão crescendo acima desse teto, como os benefícios previdenciários. O governo não consegue cortar esse gasto porque não pode deixar de pagar aposentado. Para limitar esse crescimento de despesas até 2,5% é preciso cortar as despesas discricionárias. O drama é que esse tipo de despesa está chegando num limite – que não está longe – de simplesmente não conseguir cortar mais. Quando chegar a esse ponto, o arcabouço fiscal ficará insustentável.
Apostar no fortalecimento da política fiscal é a única forma de evitar o desmoronamento do arcabouço?
Reforçar a política fiscal, neste momento, é essencial porque estamos vivendo uma combinação de três fatores. Um deles é a fuga de capitais e de diversas classes de ativos do País produzida pela desancoragem da política fiscal. Portanto, apertar as medidas fiscais ajuda nessa linha. O segundo fator é o momento ultra-aquecido da economia, que gera pressões inflacionárias crescentes. De novo, apertar o fiscal é necessário para reduzir a demanda, ao mesmo tempo que aprecia o câmbio, ajudando a fazer com que a atividade econômica desacelere e diminua a pressão inflacionária. Terceiro fator: por trás desse cenário desafiador, as expectativas de inflação não param de desancorar. Portanto, se reforçamos a política fiscal, a expectativa de inflação tende a melhorar.
Então, a solução está em casa, dentro do próprio governo, reforçando o compromisso fiscal. Com que iniciativas?
Há várias formas de você sinalizar austeridade fiscal. Tem a questão da sustentabilidade da dívida pública, que vem crescendo nos últimos dois, três anos. O resultado primário hoje roda na casa de -0,5% do PIB. Para estabilizar a dívida, o País teria de gerar um resultado primário positivo de pelo menos 2% do PIB, de forma permanente. Até lá, a dívida vai continuar subindo. Precisamos estabilizá-la e mostrar nosso compromisso neste sentido aos investidores. Não dá para ter dívida ascendente ad infinitum. Por isso, não existe melhor momento de se fazer um ajuste fiscal do que o atual.
Por quê?
Porque a economia está bombando. Portanto, agora é hora de poupar a arrecadação extra que está vindo pelo crescimento do PIB, que deve fechar o ano em 3,5%. Não estamos gerando superávit primário positivo, estamos gerando déficit. Nossa despesa está crescendo próximo de dois dígitos acima da inflação. A hora de poupar é agora, porque temos uma arrecadação forte. Isso é necessário para que, lá no futuro, quando enfrentarmos um novo choque negativo, como o da Covid ou como a crise de 2008, o País tenha gordura para queimar e fazer uma política fiscal contracíclica.
“O melhor momento de poupar e criar gordura é o atual, com economia bombando e arrecadação extra”
Quais são as armas que o governo dispõe para adotar um ajuste fiscal mais severo?
Se o crescimento da despesa já está sendo ancorada pelo arcabouço fiscal, seria muito bem-vindo que o governo acelerasse o processo de melhora do resultado primário. Isso pode ser feito via redução de gasto, que é o que já foi discutido em lei, mas também pode ser feito via aumento de tributo. Então, seria interessante o governo, por exemplo, discutir algum aumento de carga tributária para acelerar o processo de consolidação fiscal.
Mas ao anunciar o pacote, o governo foi na direção contrária, ao propor isentar de imposto de renda quem ganha até R$ 5 mil por mês…
Sem entrar no mérito da medida em si, mesmo que o governo tenha dito que o resultado produzido com o aumento de isenção com a taxação dois super-ricos seria neutro, faltou transparência. O governo precisa convencer a todos que tem os dados mostrando que taxar as pessoas com renda superior a R$ 50 mil por mês, ou seja, R$ 600 mil por ano, vai ser suficiente para bancar a desoneração de quem ganha até R$ 5 mil por mês. Fica uma sugestão: por que não inverter a lógica?
Em que sentido?
Se os investidores, de modo geral, estão querendo acelerar a consolidação fiscal, o governo poderia então iniciar o processo com o aumento de taxação dos mais ricos. Depois de concluir isso no Congresso, será possível estimar qual vai ser a receita proveniente desse projeto de lei. E aí, em função dessa receita, basta desonerar até o teto que banca as pessoas de baixa renda.
Qual seria o recado?
O de que o governo não se compromete com a isenção para todos que ganham até R$ 5 mil, e sim em desonerar um volume superior ao atual, mas restrito no aumento de taxação. Com isso, o governo assegura para os investidores que está sendo fiscalmente neutro.
Alterar a fórmula do reajuste do salário-mínimo, que impacta no crescimento da dívida pública, não seria mais relevante para esse processo positivo que você listou?
Não há dúvida de que o reajuste do salário-mínimo, na atual fórmula, afeta muito as contas públicas. Cerca de 50% das despesas do governo são atreladas à Previdência Social, e 70% dos aposentados pelo INSS recebem um salário-mínimo. Seria, sim, uma medida importante, mas tem há outros gastos públicos impactantes – me refiro ao gasto tributário.
Como reduzir esse gasto? Há muita resistência política no Congresso…
O País perde 4,5% do PIB em arrecadação com incentivo tributário. Ora, se estamos gerando -0,5% do PIB de resultado primário e precisaríamos pelo menos 2% do PIB positivo para evitar o crescimento da dívida, esses 4,5% do PIB de incentivo tributário cobrem e ainda sobra um pouco. Não precisa cortar todos esses gastos tributários. Boa parte deles não vai para as camadas mais pobres, beneficia grandes empresas. Existe muito desperdício de dinheiro público, alguns gastos trazem mais retorno para a sociedade do que outros.
A essa altura o governo não tem argumento político para aumentar impostos. Como levar adiante?
Estou restrito ao diagnóstico econômico. É inegável que há um custo político para fazer ajuste, seja cortando gasto, seja aumentando tributo. Mas cabe ao governo federal assumir o ônus político de adotar medidas no curto prazo, na crença que vão trazer benefícios políticos no médio e longo prazo. Se o governo deixar o câmbio do jeito que está e continuar depreciando, vai ter um choque inflacionário contratado no primeiro trimestre mais concentrado em itens comercializáveis, em especial alimentos, atingindo o pessoal de baixa renda, com potencial de afetar a popularidade do presidente.
Tem, por fim, a questão dos juros e a posse de Gabriel Galípolo como presidente do Banco Central, assumindo com o compromisso de elevar a Selic para 14,25% até março. Qual será o maior desafio dele e do BC em 2025?
Galípolo e o BC vão enfrentar em 2025 uma situação extremamente desafiadora em termos de pressões inflacionárias, impactadas pelos cenários interno e externo, com o novo governo de Donald Trump. Por aqui, a preocupação não é só a taxa de câmbio, que depreciou 20% desde março, estamos com crescimento muito forte da economia, muito acima da oferta, com desemprego nas mínimas históricas e salários subindo bem acima da inflação, cujas expectativas estão desancoradas.
Não se trata, portanto, de crise cambial?
Nesses últimos dias ficou claro que essa fuga de capitais, com aumento do dólar, tem muito mais a ver com a desancoragem da política fiscal. Neste sentido, o grande desafio do Galípolo é conseguir trabalhar de uma forma que consiga, até certo ponto, criar uma barreira em que a desancoragem fiscal não afete uma eventual desancoragem monetária.
Como equilibrar esses pratos?
A depreciação da taxa de câmbio faz parte do processo de piora da percepção do fundamento fiscal. Só que ela afeta a inflação – e, aí, o Banco Central tem de subir a taxa de juros. Mas há uma linha muito tênue entre agir para endereçar a inflação e para endereçar o câmbio, porque existe uma ligação muito direta entre a política fiscal e a política monetária. Como presidente do Banco Central, Galípolo tem de atuar somente sobre a parte monetária. A parte fiscal deve deixar aos cuidados do governo federal.
Negócios
Honda e Nissan confirmam conversas para fusão. A “culpa” é da China
A Honda e Nissan, montadoras de carros japonesas, deram o primeiro passo em direção à fusão de suas operações. As empresas assinaram um acordo para dar início às negociações, que devem ser finalizadas até agosto de 2026, segundo comunicado oficial divulgado nesta segunda-feira, 23 de dezembro.
Com a fusão, será criada a 3ª maior montadora do mundo, que também deve incluir as operações da Mitsubishi Motors, na qual a Nissan detém 24,5% de participação. A expectativa é que o novo conglomerado atinja vendas anuais superiores a oito milhões de veículos, ficando atrás apenas da Toyota e Volkswagen.
O anúncio ocorre após um ano complexo para a Nissan. A empresa tem sofrido com a queda de lucros e receitas, em parte devido a uma linha de modelos defasada nos Estados Unidos. No semestre fiscal finalizado em setembro, a empresa registrou uma queda de US$ 540,93 milhões na sua receita, com o lucro operacional reduzindo US$ 2,08 bilhões no período.
Segundo o CEO da Honda, Toshihiro Mibe, a fusão não é um resgate da Nissan, mas sim um reconhecimento de que o desenvolvimento de novas tecnologias tornou-se difícil de ser realizado individualmente.
É nítido que o avanço tecnológico não tem sido fácil para as japonesas. Ambas as empresas enfrentaram quedas significativas na China, onde veículos elétricos e híbridos plug-in estão em rápida ascensão.
Segundo o The Wall Street Journal, no ano passado, a China superou o Japão como maior exportador de automóveis do mundo em número de veículos.
Com a indústria automotiva acelerando em direção a veículos elétricos, as montadoras japonesas chegaram a conclusão que a forma correta – e mais barata -, de competir com os gigantes do segmento, é combinar esforços de pesquisa.
No comunicado à imprensa, as empresas descreveram a fusão como uma forma de aumentar a eficiência, compartilhando linhas de produção, aumentando o volume de compra de peças e combinando projetos de P&D.
Por outro lado, Honda e Nissan compartilham linhas de modelos semelhantes e tem foco no mercado americano, o que pode resultar em cortes de modelos de ambos os lados, além de mudanças estratégias para ajustar o novo negócio ao consumidor dos Estados Unidos.
Nesse processo, as marcas não descartaram cortes de empregos ou o fechamento de fábricas, embora tenham afirmado que esses não são os objetivos principais.
Com a Honda sendo o elo mais forte dessa parceria, o equilíbrio de poder está a favor da companhia. As empresas informaram que a Honda indicará a maioria dos diretores da empresa combinada e que o principal executivo será proveniente da Honda. A Honda prevê um lucro líquido de cerca de US$ 6 bilhões neste ano.
Na visão do governo japonês, a fusão é positiva. “Devemos ter uma visão favorável quando empresas cooperam para fortalecer sua competitividade”, disse Yoji Muto, chefe do Ministério da Economia, Comércio e Indústria. Ele afirmou que realinhamentos na indústria são “um método eficaz para fomentar inovação e aumentar o valor corporativo”.
Durante a coletiva de imprensa, o CEO da Honda negou, repetidamente, que a empresa estaria sendo pressionada por autoridades japonesas a fechar um acordo para garantir a sobrevivência da Nissan.
Ao ser questionado sobre o que o atraiu na Nissan como parceira, Mibe não deu uma resposta concreta, enfatizando que a Honda permanecerá uma marca independente na nova empresa.
Negócios
Prosus adquire Decolar por US$ 1,7 bilhão e entra em turismo online
A holding global de tecnologia Prosus (antiga Naspers) anunciou a aquisição da Decolar (Despegar no mercado internacional), principal agência de viagens online da América Latina, por US$ 19,50 por ação, totalizando US$ 1,7 bilhão.
A transação inclui um prêmio de 33% em relação ao preço de fechamento das ações em 20 de dezembro de 2024. A operação foi aprovada pelo conselho de diretores da Decolar, que recomendou unanimemente a aprovação pelos acionistas.
A aquisição é parte da estratégia da Prosus de expandir seu ecossistema de negócios na América Latina, somando mais de 100 milhões de clientes em segmentos como viagens, e-commerce e fintech. “A Decolar é uma companhia lucrativa e com forte presença no mercado. Vamos alavancar nossa expertise e recursos para acelerar seu crescimento”, afirmou Fabricio Bloisi, CEO do Grupo Prosus.
Para Damián Scokin, CEO da Decolar, a transação oferece valor significativo aos acionistas e promete uma experiência aprimorada aos clientes, com acesso a novos serviços e benefícios. Fundada em 1999 na Argentina e com atuação em mais de 19 mercados da região, a Decolar já gerencia mais de 9,5 milhões de transações anuais, movimentando US$ 5,3 bilhões em reservas.
O pagamento será realizado com recursos de caixa da Prosus e o fechamento da operação está previsto para o segundo trimestre de 2025, condicionado à aprovação regulatória e dos acionistas.
A transação reforça a posição da Prosus na América Latina, ao lado de marcas como iFood e Sympla, e é vista como um marco para consolidar sua liderança no setor de tecnologia e viagens na região.
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